Um homem de 41 anos, Wellington da Silva Quintino, permanece internado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em **estado grave** e com risco iminente de morte. Apesar de uma decisão judicial ter determinado sua transferência para um hospital em no máximo 24 horas, o prazo já expirou e o paciente continua na UPA Leblon. A família denuncia a situação e a Defensoria Pública busca o cumprimento da ordem judicial. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, a situação se agrava a cada dia.
Paciente com risco de morte espera por leito hospitalar
Wellington da Silva Quintino, auxiliar de serviços gerais, deu entrada na UPA Leblon no último domingo (19) após sofrer um desmaio. Durante os exames, foi diagnosticado com **insuficiência respiratória**, aumento do coração e sequelas pulmonares. Ele necessita de oxigênio para manter a saturação, que cai drasticamente para cerca de 77% quando o suporte é retirado, indicando um quadro de **risco iminente de parada respiratória e morte**, conforme relato médico.
Justiça determina transferência urgente
Diante da gravidade do quadro, a família buscou a Defensoria Pública, que ingressou com uma ação judicial. Na segunda-feira (20), a 1ª Vara do Juizado Especial da Saúde concedeu tutela de urgência, determinando que o Estado e o Município de Campo Grande providenciassem a transferência de Wellington para uma unidade hospitalar adequada em até 24 horas. Caso não houvesse vaga na rede pública, o poder público deveria custear um leito na rede privada.
A juíza Liliana de Oliveira Monteiro ressaltou em sua decisão que a permanência de um paciente grave em uma UPA, local inadequado para tratamento de longa duração, é preocupante. Wellington foi classificado como Prioridade 1, indicando **risco iminente de morte**, e a demora na transferência pode comprometer seu direito fundamental à vida e à saúde.
Prazo judicial expira sem cumprimento da decisão
O Estado e o Município foram intimados da decisão judicial na terça-feira (21). A Central de Vagas do Estado recebeu a intimação às 15h44, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) foi notificada às 10h45 do mesmo dia. Contudo, segundo a irmã de Wellington, Jaqueline Silva, o prazo de 24 horas expirou na quarta-feira (22) sem que a transferência ocorresse.
“De ontem para hoje, o estado de saúde dele piorou. Eu sei que a equipe da UPA está fazendo tudo o que pode, mas ele precisa ser transferido para um hospital. Tenho um boletim médico informando que ele está classificado como ‘vaga 1’, ou seja, com risco iminente de morte”, relatou Jaqueline à reportagem. Ela enfatiza que a família possui toda a documentação e que a Defensoria Pública já confirmou que a ordem está no sistema, mas a transferência ainda não foi realizada.
Defensoria Pública cobra cumprimento e família vive angústia
Após o vencimento do prazo judicial, a Defensoria Pública informou que já adotou novas medidas para garantir o cumprimento da decisão. “Já houve decisão do juiz e a intimação dos entes públicos, município e Estado. Como agora já houve o decurso do prazo de 24 horas, está sendo protocolado o pedido de cumprimento da decisão”, comunicou a defensora à família.
A angústia da família aumenta a cada hora. “Voltei a procurar a Defensoria porque a decisão não foi cumprida. Meu medo é que esperem acontecer o pior para só então aparecer uma vaga. Tudo o que eu quero é que a determinação da Justiça seja cumprida e que meu irmão receba o atendimento de que precisa”, desabafou Jaqueline. O caso, que foi sugerido por um leitor através do canal Direto das Ruas, levanta questionamentos sobre a agilidade do sistema de saúde e o cumprimento de ordens judiciais em casos de urgência.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou, em nota, que não fornece informações individualizadas sobre pacientes à imprensa, em cumprimento à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A reportagem também contatou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) para obter esclarecimentos sobre o descumprimento da decisão judicial e a previsão para a transferência, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação de ambos os órgãos. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a situação de Wellington é crítica e a demora na transferência pode ter consequências irreversíveis.
A gravidade do quadro de Wellington e a falta de cumprimento da ordem judicial geram apreensão. A equipe médica da UPA tem prestado os cuidados necessários, mas a falta de uma estrutura hospitalar adequada compromete o tratamento. A Defensoria Pública reafirma seu compromisso em buscar a efetivação dos direitos dos cidadãos, especialmente em situações de risco à vida. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando o caso.

