Moradores da Orla Ferroviária de Campo Grande se revoltaram após o monumento da Maria Fumaça e outras casas históricas amanhecerem pichados. A ação de vandalismo, registrada durante o fim de semana, somou-se a uma série de outros crimes que têm tirado a paz da região, como furtos e uso de drogas. Em protesto, cerca de 20 pessoas se reuniram em frente à sede do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para exigir providências urgentes.
A manifestação, enviada ao Campo Grande News pelo canal Direto das Ruas, expôs a insatisfação da comunidade com a deterioração do patrimônio e a falta de segurança. Os residentes relatam um agravamento significativo dos problemas nos últimos dois anos, criticando o abandono dos imóveis tombados e a sensação de insegurança crescente.
Protesto por Segurança e Preservação
A pichação foi o estopim para que a comunidade se mobilizasse, mas os problemas na Orla Ferroviária vão além. Moradores relatam a ocorrência de sexo em via pública, roubos constantes e o uso de drogas, que interferem diretamente no cotidiano de quem vive no local. A situação se tornou um ponto crítico, com a comunidade clamando por ações efetivas para coibir os crimes e proteger os bens históricos.
Um dos manifestantes desabafou sobre a frequência dos furtos, que se intensificaram nos últimos dois anos. “Virou um ponto de uso de drogas. À noite, há drogas e muita movimentação. Só quem mora aqui sabe. As pessoas picham e vão embora”, afirmou, evidenciando a sensação de impunidade.
Um aposentado de 66 anos, que vive na região há 30 anos e prefere não se identificar, apontou o abandono do patrimônio histórico como um fator que contribui para a degradação da área. Segundo ele, desde que o conjunto foi tombado, as cobranças por ações de preservação não foram atendidas, e os imóveis continuam sem manutenção adequada.
“Está abandonado há muito tempo. Os barracões estão caindo aos poucos. Isso acaba atraindo moradores de rua e dependentes químicos. À noite tem gente usando droga na frente das casas. Um suja, o outro picha, depois vem outro e quebra, e outro rouba”, relatou o morador, descrevendo um ciclo vicioso de vandalismo e criminalidade.
Furtos e Abandono: Uma Realidade Preocupante
O aposentado também compartilhou um episódio recente de furto. Na noite de domingo (12), uma moradora teve o aparelho de ar-condicionado levado por volta das 23 horas. “Está tendo furto, pichação, sujeira e banheiro ao ar livre”, resumiu ele, pintando um quadro sombrio da situação atual.
Os problemas se concentram nas ruas históricas da região, onde o funcionamento de bares durante a madrugada também tem gerado reclamações. Além do som alto, há relatos de violência e desrespeito aos moradores, que se sentem acuados pela movimentação noturna.
“Eles usam as ruas como banheiro. Na Rua Doutor Ferreira, que é residencial, tem mulher fazendo xixi na frente das casas, homem urinando na rua. Isso acontece a noite inteira”, lamentou o morador. O aumento da movimentação noturna no Centro, embora com a intenção de revitalizar a área, tem trazido impactos negativos para quem vive na Orla Ferroviária.
“Tentaram povoar o Centro à noite, mas alguns bares estão trazendo repercussão negativa. Eles excedem o horário de funcionamento e isso piorou muito nos últimos dois anos”, disse. O descarte irregular de lixo após o funcionamento dos estabelecimentos comerciais também é um problema recorrente, com resíduos espalhados pelas calçadas por pessoas que buscam materiais recicláveis.
“A parte bonita, de lazer, que existia na Esplanada está se perdendo porque estão depredando o patrimônio histórico”, lamentou o aposentado, reforçando o apelo por medidas de preservação e segurança. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação tem se agravado.
Cobrança por Ações do Poder Público
A mobilização contou com a participação de representantes de associações de moradores, entidades ligadas aos ferroviários e ao patrimônio histórico. O objetivo é pressionar o poder público por ações concretas que garantam a preservação dos imóveis tombados e devolvam a segurança aos moradores da Orla Ferroviária.
O Campo Grande News entrou em contato com a prefeitura para obter um posicionamento sobre as demandas dos moradores e aguarda retorno. A comunidade espera que a manifestação sirva como um alerta para a urgência de medidas que protejam o patrimônio e a qualidade de vida na região. A situação na Orla Ferroviária, como apurado pelo Campo Grande NEWS, exige atenção imediata.

