A Polícia Federal deflagrou a Operação Suffragium em Campo Grande, investigando um possível esquema de compra de votos durante as eleições municipais de 2024. A ação, que cumpriu mandados de busca e apreensão, gerou repercussão entre os vereadores da Capital, que em sua maioria adotaram um tom cauteloso, defendendo que as investigações sigam seu curso natural e que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados caso as irregularidades sejam comprovadas. A expectativa é por um desfecho justo, com a apuração completa dos fatos.
Conforme informação divulgada pela imprensa local, a operação teve como alvo movimentações financeiras atípicas identificadas próximas aos dois turnos do pleito. Saques em dinheiro, transferências fracionadas via Pix e o uso de contas de terceiros levantaram suspeitas de que os valores pudessem ter sido destinados à compra de votos, configurando crimes como corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, o chamado caixa dois. As investigações, que tramitam sob sigilo, buscam aprofundar o que foi apurado em ações anteriores.
O vereador Juari enfatizou a importância de respeitar o andamento do processo judicial. “A Justiça tem que fazer o papel dela. Cada um responde em sua proporção devida. Como não está transitado em julgado, aguardamos a posição das autoridades competentes”, declarou, reforçando a necessidade de aguardar a conclusão das apurações antes de qualquer julgamento.
Em linha semelhante, Jamal Salem considerou a investigação um procedimento natural diante de suspeitas. “Normal. Porque, se tiver alguma suspeita, deve investigar”, resumiu, validando a atuação da Polícia Federal.
O vereador Riverton, por sua vez, preferiu aguardar mais detalhes antes de se posicionar. “Ainda não vi todos os autos para poder me pronunciar de forma mais concreta. A investigação está sendo acompanhada pelos órgãos de Justiça, e a gente não pode ir além daquilo que ainda não tem certeza”, afirmou, demonstrando prudência.
Para Lívio Viana, o foco principal deve ser o esclarecimento dos fatos. “Espero que tudo seja investigado e os responsáveis comprovados sejam punidos”, disse, expressando o desejo de que a justiça prevaleça.
A Operação Suffragium, autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Taquarussu. A investigação apura se valores financeiros foram utilizados para fins ilícitos, como a compra de votos, o que pode caracterizar crimes eleitorais graves.
Esta não é a primeira vez que denúncias de compra de votos surgem em Campo Grande relacionadas à chapa da prefeita Adriane Lopes e da vice-prefeita Camilla Nascimento. Em uma ação anterior, a Justiça Eleitoral já havia reconhecido indícios de troca de dinheiro por votos, mas concluiu que não havia provas suficientes de conhecimento ou anuência das integrantes da chapa, o que impediu a cassação. Agora, a PF busca aprofundar as investigações para obter provas mais robustas.
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