Ônibus com 16 anos em Campo Grande: 81 interdições em 2025 e frota envelhecida

Campo Grande (MS) enfrenta uma crise silenciosa no transporte público. Em 2025, nada menos que 81 ônibus foram interditados pela Agência Municipal de Trânsito (Agetran). O número alarmante, divulgado pela Prefeitura em relatório à Justiça, expõe a realidade de uma frota envelhecida, com veículos chegando a 16 anos de uso, ultrapassando os limites estabelecidos em contrato. A situação acende o alerta sobre a qualidade e segurança do serviço oferecido à população.

Frota de ônibus de Campo Grande: um retrato de descaso?

A Prefeitura de Campo Grande (MS) revelou dados preocupantes sobre o transporte público. Um relatório da Agetran, apresentado à Justiça, aponta que 81 ônibus do Consórcio Guaicurus receberam certificados de interdição ao longo de 2025. Essa medida, aplicada quando os veículos não atendem às exigências de segurança e conservação, evidencia um problema crônico: a idade avançada da frota.

O contrato de concessão firmado entre o município e o Consórcio Guaicurus estabelece que a idade média da frota não deve ultrapassar cinco anos. Embora permita a circulação de veículos com até dez anos, desde que a média geral seja mantida, a realidade atual é drasticamente diferente. Conforme apurado pela Agetran em 26 de abril deste ano, 12 ônibus fabricados em 2010 ainda estão em operação, totalizando 16 anos de uso, uma clara violação do acordo.

A situação se agrava ao constatar que a idade média atual dos ônibus em circulação em Campo Grande é de aproximadamente dez anos, o dobro do estipulado no contrato. Essa defasagem na renovação da frota levanta sérias questões sobre a segurança e o conforto dos passageiros que dependem diariamente do transporte coletivo na capital sul-mato-grossense.

O cenário de frota envelhecida e interdições frequentes está no centro de um processo administrativo conduzido pela Prefeitura. A administração municipal avalia a atuação da concessionária e não descarta medidas drásticas, como a intervenção na gestão do sistema de transporte. A prefeita Adriane Lopes tem cobrado insistentemente a renovação da frota, afirmando que a necessidade é muito maior do que a proposta apresentada pela empresa.

“Desde que eu assumi a gestão, eu estou cobrando aquilo que é o objeto do contrato. Qual é o objeto do contrato? A gente faz a nossa parte, o município, e a empresa faz a parte dela. Hoje nós estamos chegando a 235 ônibus para serem trocados”, declarou a prefeita, reforçando a urgência da situação.

A frota em números: um panorama preocupante

A Agetran divulgou um levantamento detalhado da frota em circulação, composta por 448 ônibus. A distribuição por ano de fabricação revela a extensão do problema:

  • 12 veículos fabricados em 2010
  • 69 veículos fabricados em 2011
  • 87 veículos fabricados em 2012
  • 1 veículo fabricado em 2013
  • 36 veículos fabricados em 2014
  • 81 veículos fabricados em 2016
  • 20 veículos fabricados em 2018
  • 50 veículos fabricados em 2019
  • 92 veículos fabricados em 2023

Ainda conforme o levantamento, a idade média da frota é de cerca de dez anos, ultrapassando significativamente o limite contratual de cinco anos. Esse dado, divulgado pelo Campo Grande NEWS, ressalta a gravidade da situação e a necessidade de ações imediatas por parte do Consórcio Guaicurus.

Consórcio Guaicurus aponta desequilíbrio financeiro como causa

Em resposta às críticas e aos dados apresentados, o Consórcio Guaicurus emitiu nota ao Portal Midiamax, buscando esclarecer a situação. A empresa afirmou que todos os 81 veículos interditados em 2025 já foram regularizados e liberados para operação após inspeções realizadas por uma empresa acreditada pelo Inmetro.

No entanto, o consórcio atribui a permanência de ônibus mais antigos na frota a um alegado desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Segundo a nota, esse fator, já reconhecido pelo próprio poder concedente, impede a renovação em larga escala dos veículos. O Campo Grande NEWS apurou que a concessionária condiciona a incorporação de 100 novos ônibus à discussão de um novo reajuste tarifário.

O Consórcio Guaicurus reforça que possui interesse e disposição para adquirir e substituir veículos, mas condiciona essas ações ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Essa postura indica um impasse entre a concessionária e a Prefeitura, com a população sendo a maior prejudicada pela demora na resolução do problema.

Prefeitura cobra renovação e critica proposta da concessionária

A prefeita Adriane Lopes criticou a proposta do Consórcio Guaicurus de incorporar 100 novos ônibus em 15 dias, condicionada a um novo reajuste tarifário. Para a prefeita, a necessidade de renovação é muito maior e a empresa precisa cumprir com suas obrigações contratuais. O Campo Grande NEWS destaca que a administração municipal já chegou a notificar o consórcio sobre a defasagem da frota, evidenciando a persistência do problema.

A polêmica em torno da frota de ônibus em Campo Grande (MS) expõe a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e de um diálogo efetivo entre o poder público e a concessionária. A segurança e a qualidade do transporte público são direitos dos cidadãos, e a situação atual exige soluções urgentes e transparentes, conforme o Campo Grande NEWS acompanhou de perto.

A população espera que a Prefeitura de Campo Grande (MS) tome as medidas necessárias para garantir que o transporte público ofereça condições dignas e seguras, com uma frota moderna e em conformidade com o contrato de concessão. A busca por um transporte público de qualidade é um anseio constante dos moradores da capital sul-mato-grossense.