OEA: Brasil com instituições fortes, descarta censura e alerta Judiciário sobre poder

OEA vê instituições democráticas fortes no Brasil e afasta tese de censura, mas alerta o Judiciário sobre concentração de poder

Um relatório recente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), trouxe um panorama positivo sobre o cenário democrático brasileiro. O documento, divulgado após uma visita técnica ao país em fevereiro, destacou a existência de instituições democráticas “fortes e eficazes” no Brasil.

A CIDH descartou a ocorrência de um cenário de censura no país, enfatizando que o Brasil realiza eleições livres e justas. Além disso, a comissão ressaltou a manutenção da separação de Poderes e a operação sob o Estado de Direito, com garantias constitucionais para a proteção dos direitos humanos.

O relatório, que também reconhece as tentativas de deslegitimar as eleições de 2022 e um plano de golpe de Estado, frustrou o discurso de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que buscavam convencer a comunidade internacional sobre perseguições políticas. Conforme informação divulgada pela própria CIDH, a defesa da democracia é vista como condição essencial para o pleno exercício da liberdade de expressão.

CIDH elogia democracia brasileira e descarta censura

A delegação da CIDH constatou que o Brasil possui instituições democráticas “fortes e eficazes”, caracterizadas pela separação de poderes e pelo Estado de Direito. A autonomia judicial e um sistema de freios e contrapesos em pleno funcionamento foram pontos destacados no documento, que foi elaborado após reuniões com diversos atores políticos e sociais.

O relator especial para a liberdade de expressão da CIDH, Pedro Vaca Villarreal, esteve no país em fevereiro e se reuniu com o ex-presidente Bolsonaro, ministros do STF, membros do governo e representantes da sociedade civil. Na época, sua visita ocorreu em meio a pressões de parlamentares conservadores nos Estados Unidos para que a OEA adotasse uma postura mais crítica em relação às decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro.

Brasil: Liberdade de Expressão e a Defesa da Democracia

O relatório da OEA estabelece uma conexão direta entre a defesa da democracia e a liberdade de expressão. Segundo o documento, “a liberdade de expressão requer uma sociedade democrática para ser plenamente exercida”. Essa afirmação reforça a importância do ambiente democrático para a garantia de direitos fundamentais.

A comissão também abordou as tentativas de deslegitimar os resultados eleitorais de 2022 e a execução de um plano de golpe de Estado. Nesse contexto, a CIDH avalia que a proteção da democracia é um componente indispensável para a salvaguarda da liberdade de expressão no país, desconstruindo a narrativa de que haveria restrições severas a esse direito.

Alertas ao Judiciário: Concentração de Poder e Liberdade de Expressão

Apesar de afastar a tese de censura, a CIDH emitiu recomendações e alertas ao Judiciário brasileiro, com foco especial no Supremo Tribunal Federal (STF). A comissão reconheceu o “papel fundamental” da Corte na investigação e contenção dos ataques às instituições democráticas.

No entanto, o relatório expressa preocupação com o risco de concentração excessiva de poder. “Embora a defesa da democracia deva fundamentar a ação do Estado, há o risco de transformar uma solução temporária, destinada a ser excepcional, em um problema duradouro”, alerta o texto, mencionando a possibilidade de criação de precedentes que poderiam ser utilizados por regimes autoritários.

Recomendações da CIDH ao Judiciário Brasileiro

O documento apresenta recomendações específicas ao Judiciário brasileiro, visando aprimorar a aplicação da lei e a proteção dos direitos. Destacam-se a necessidade de que as decisões sobre remoção de conteúdos em redes sociais sejam devidamente fundamentadas e comunicadas às plataformas e usuários.

A CIDH também recomenda que restrições à liberdade de expressão não se baseiem em conceitos vagos como “desordem informacional” ou “informação descontextualizada”. Além disso, a categoria de “atos antidemocráticos” não deve ser utilizada para limitar críticas legítimas a autoridades, garantindo o livre debate público.

Regulação de Plataformas e o Futuro Digital

O relatório da OEA também defende a necessidade de regulação das plataformas digitais, desde que em conformidade com os parâmetros internacionais de direitos humanos. A CIDH recomenda a criação de marcos legais para lidar com os desafios do ambiente digital e o uso da inteligência artificial.

Contudo, o documento ressalta que as plataformas não devem ser responsabilizadas automaticamente por conteúdos de terceiros, desde que cumpram seus deveres de moderação. Essa posição busca um equilíbrio entre a responsabilização e a proteção da liberdade de expressão online, reforçando a avaliação de que o Brasil enfrenta desafios, mas dentro de um ambiente institucional democrático.