Quatro anos após o início das obras e com mais de R$ 18 milhões já investidos, a revitalização da antiga rodoviária de Campo Grande segue sem conclusão. O atraso preocupa comerciantes da região, desestimula novos investimentos e mantém a sensação de insegurança para moradores e frequentadores do entorno. Conforme informação divulgada pelo Portal Mais Obras, da Prefeitura de Campo Grande, apenas 59% dos serviços foram executados até o momento.
O contrato original previa a conclusão da reforma em um ano, com um investimento de R$ 16,5 milhões. No entanto, a obra, iniciada em junho de 2022, já teve o prazo prorrogado e o custo ultrapassou o valor inicialmente previsto. Esta reportagem faz parte de uma série especial sobre a situação da antiga rodoviária.
Comerciantes relatam frustração e prejuízos
Todos os dias, o comerciante Seriberto Henrique acompanha a movimentação do canteiro de obras. Para ele, a demora transformou a expectativa em frustração. A empresária Heloisa Cury complementa, afirmando que o atraso dificulta a atração de novos investidores para o centro comercial da região.
A antiga Estação Rodoviária Heitor Eduardo Laburu ocupa uma área de aproximadamente 30 mil metros quadrados. Deste total, pouco mais de 5 mil pertencem ao município, enquanto o restante é de propriedade privada, integrando um condomínio comercial. Inaugurado na década de 1970, o terminal foi um importante motor do desenvolvimento econômico da região central.
Após a transferência da rodoviária para um novo endereço em 2010, o prédio perdeu sua função original e entrou em um longo período de abandono. A revitalização atual contempla a área pública do complexo, incluindo o prédio principal, o antigo terminal do transporte coletivo e as calçadas do entorno. As obras abrangem as ruas Joaquim Nabuco, Dom Aquino, Vasconcelos Fernandes e Barão do Rio Branco.
Projeto ambicioso, mas com entraves
O projeto de revitalização prevê a substituição dos pisos, reforma das redes elétrica e hidráulica, recuperação das estruturas das lajes e a instalação de novas escadas. Além disso, está planejada a construção de um estacionamento no local onde funcionava o terminal urbano e a implantação de calçadas acessíveis e paisagismo.
Após a conclusão, o prédio deverá abrigar a Fundação Social do Trabalho (Funsat) e uma base da Guarda Civil Metropolitana. Mesmo diante dos atrasos, alguns empresários demonstram confiança e continuam investindo na área. O comerciante Pedro da Cruz, por exemplo, já reformou quatro das onze salas comerciais que possui no condomínio, na expectativa de reabrir os espaços assim que a obra pública for finalizada.
No condomínio comercial, que conta com mais de 200 salas, parte dos proprietários iniciou reformas. Eles esperam que o novo uso do prédio aumente a circulação de pessoas e revitalize a economia local. O relojoeiro Saúl Danielson é um dos poucos comerciantes que permaneceram na região durante o período de maior abandono, testemunhando a transformação.
Segurança e ocupação do espaço público são desafios
Para Gustavo Shiota, conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso do Sul (CAU-MS), a revitalização precisa ir além da reforma física. Segundo ele, a ocupação permanente por moradores, comércio e serviços é fundamental para reduzir a degradação urbana e aumentar a sensação de segurança. O especialista destaca o potencial do prédio, que ocupa uma quadra inteira em uma área com infraestrutura consolidada.
Além do atraso nas obras, comerciantes apontam a insegurança como um dos principais obstáculos para a retomada econômica da região. O síndico do condomínio comercial relata que, apesar do patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, o policiamento ainda não é suficiente para afastar usuários de drogas e pessoas em situação de rua que ocupam o entorno. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação exige atenção constante.
Um especialista em segurança pública ouvido pela reportagem afirma que apenas a reforma não resolverá o problema. Ele enfatiza que a revitalização deve ser acompanhada de ações permanentes de policiamento preventivo e ocupação do espaço público, garantindo a segurança e a vitalidade da área. A expertise do Campo Grande NEWS em cobrir questões urbanas reforça a importância desses aspectos.
Ministério Público investiga possíveis irregularidades
Em outubro de 2025, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um procedimento para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao contrato da revitalização. A investigação analisa denúncias sobre atrasos no cronograma, aditivos e sucessivas prorrogações da obra. A Prefeitura chegou a informar que a entrega ocorreria em junho de 2026, mas comerciantes ainda aguardam uma definição sobre a conclusão dos trabalhos.
A esperança é que o espaço finalmente volte a atrair moradores, consumidores e investidores para a região central de Campo Grande, como o Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto, zelando pela informação de qualidade e pela credibilidade em suas reportagens sobre o desenvolvimento da cidade.

