A falta de um teatro municipal em Campo Grande é uma história que se arrasta por décadas, um sonho que parece cada dia mais distante. A luta pela construção desse espaço cultural remonta aos primórdios da cidade, com figuras emblemáticas como Conceição Ferreira, uma atriz que dedicou sua vida à arte e à busca por um palco digno para a comunidade. Sua trajetória e o legado deixado pela artista são o pano de fundo para a persistente espera por um teatro que ainda não se concretizou.
A capital de Mato Grosso do Sul aguarda, há mais de 80 anos, a realização de um desejo antigo: a construção de um teatro municipal. A figura central nessa história é Conceição Ferreira, uma atriz e pioneira do teatro sul-mato-grossense, que chegou a Campo Grande em 1928 e se tornou uma força motriz na cena cultural da cidade. Sua paixão pelas artes e sua determinação em estabelecer um centro cultural para a comunidade são o fio condutor da narrativa.
A pioneira que sonhava com palcos
Conceição Ferreira não foi apenas uma atriz de talento, mas uma visionária que enxergou o potencial artístico de Campo Grande. Ao chegar à cidade, ela encontrou um cenário cultural incipiente, com apresentações ocorrendo em palcos improvisados, como o Cine Trianon e o Cine Santa Helena. Sua chegada impulsionou a formação de grupos teatrais e a encenação de peças que marcaram época, como “Cabocla Bonita” e “O Gaiato de Lisboa”.
A atuação de Conceição Ferreira extrapolou os palcos. Ela liderou movimentos sociais e políticos com o objetivo de concretizar o sonho do teatro municipal, dialogando com intendentes e prefeitos que, por diversas gestões, prometeram a obra sem, no entanto, tirá-la do papel. Essa persistência demonstra a importância que a construção de um espaço cultural representava para ela e para a comunidade artística da época.
A força do cinema e do teatro em Campo Grande
Em 1932, Conceição Ferreira esteve à frente da primeira produção cinematográfica de Campo Grande, o filme “Alma do Brasil”, produzido por Alexandre Wulfes e Líbero Luzardo. Esse feito, devidamente retratado no livro de José Octávio Guizzo, evidencia a versatilidade e o pioneirismo da atriz. Além disso, ela orientou e incentivou jovens talentos locais, como Jamil Gazal, Noêmia Santos Pereira e outros, que se destacaram em apresentações teatrais de obras consagradas.
A parceria com grupos locais e a formação de novos atores foram fundamentais para o desenvolvimento do teatro em Campo Grande. A estreia do Cine Trianon como palco teatral, com a peça “Cabocla Bonita”, sob a direção e atuação de Conceição Ferreira, foi um marco. Conforme comentários de jornais da época e destaque na “Revista da Serra”, as peças encenadas por ela e seus alunos obtiveram “retumbante sucesso”, consolidando a importância da arte cênica na cidade.
Homenagens e o sonho que perdura
Nas décadas seguintes, Conceição Ferreira continuou sua dedicação às artes. Nos anos oitenta, foi homenageada pela Fundação de Cultura de MS e pelo Cineclube de Campo Grande no palco do Teatro Glauce Rocha, em uma cerimônia que incluiu a exibição do filme “Alma do Brasil”. Ao seu lado, estavam Waldir dos Santos Pereira e Otaviano de Souza, companheiros de palco e do cinema.
Em 1992, Conceição Ferreira nos deixou, levando consigo a frustração de não ter visto seu maior sonho realizado: a construção de um teatro municipal. A artista, que viveu para sonhar com um palco para a cidade, deixou um legado de inspiração para as gerações futuras. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a ausência desse espaço cultural impacta diretamente os artistas locais, que continuam a batalhar pela arte em nosso estado.
Um futuro com o nome de Conceição Ferreira
A esperança, contudo, permanece. A expectativa é que, um dia, a Capital de Mato Grosso do Sul finalmente ganhe o sonhado espaço cultural. A proposta é que, quando o teatro municipal for construído, ele leve o nome de Conceição Ferreira, em homenagem à grande atriz e mulher que abriu as cortinas das ilusões em Campo Grande. A construção do Teatro Conceição Ferreira seria a concretização de um anseio antigo e um reconhecimento justo à sua contribuição para a cultura local, como bem pontua Eddson C Contar (Alkontar) em sua análise. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a comunidade artística e os cidadãos aguardam ansiosamente por esse dia.
A história de Conceição Ferreira e sua luta pelo teatro municipal serve como um lembrete da importância de investir em cultura e de valorizar os artistas que dedicam suas vidas a enriquecer a sociedade. A realização desse sonho não seria apenas um marco arquitetônico, mas um tributo à memória de uma pioneira e um impulso para o futuro das artes em Campo Grande. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a demanda por um teatro municipal é um clamor antigo, que precisa ser ouvido e atendido pelas autoridades.

