Novo presidente da Fecomércio-MS mira qualificação e atração de eventos

Fecomércio-MS: Juliano Wertheimer assume presidência com agenda focada em qualificação e desenvolvimento econômico

Empossado nesta terça-feira (16) como novo presidente da Fecomércio-MS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul), Juliano Wertheimer sinalizou um tom conciliador após uma eleição acirrada, vencida por apenas um voto. Ele declarou que pretende governar para todos os sindicatos da base, buscando unir a entidade em prol do desenvolvimento econômico do estado. A cerimônia marcou o fim da gestão de Edison Araújo, que esteve à frente da federação por 16 anos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a posse ocorreu no Senac Hub, em Campo Grande.

Wertheimer destacou como prioridades de sua gestão a qualificação profissional, o combate à falta de mão de obra, a redução da carga tributária e a atração de eventos corporativos para a capital. Ele também criticou veementemente a proposta de fim da escala 6×1, considerando-a uma “catástrofe” para o setor produtivo. A eleição, realizada em 12 de maio, viu a chapa “Renovação”, liderada por Juliano, vencer a chapa “Consolidação” por 8 votos a 7. Apesar de contestações judiciais, Wertheimer afirmou que o pleito foi legítimo e que todas as decisões anteriores foram favoráveis à sua validade.

União e Conciliação Pós-Eleição

O novo presidente enfatizou a importância da harmonia dentro da federação, mesmo após uma disputa eleitoral tensa. Ele relatou ter procurado integrantes da chapa adversária logo após o resultado para oferecer diálogo e garantir que sua gestão será inclusiva. “Eu liguei para as pessoas que votaram na outra chapa para primeiro me colocar à disposição, dizer que vou governar para todos”, declarou.

Wertheimer também mencionou ter conversado pessoalmente com o ex-presidente Edison Araújo antes da posse, buscando uma pacificação. “Houve um apaziguamento da situação. Houve consenso na posse de hoje, houve o reconhecimento da vitória”, afirmou. Ele ressaltou que a disputa não pode penalizar o funcionamento da entidade nem a cidade, e que é preciso construir um futuro em conjunto.

Desafios da Mão de Obra Qualificada

Um dos pontos centrais da fala de Juliano Wertheimer foi a escassez de mão de obra, que afeta diversos setores do comércio e serviços em Mato Grosso do Sul. Ele reconheceu a capacidade do Senac em formar profissionais, mas apontou o desafio de engajar a população na busca por qualificação técnica.

“A maior dificuldade é a pessoa querer ter essa formação. Muitas vezes, você vai numa comunidade e diz: ‘olha, eu tenho um curso de graça, tem lanche, você vai sair de lá com um salário de R$ 2 mil’. Às vezes, não consegue fechar uma turma”, lamentou. Wertheimer citou profissões como garçom, camareira, recepcionista, cozinheiro, manicure, cabeleireiro e profissionais de tecnologia como áreas com alta demanda.

Ele defendeu que a formação vá além do conhecimento técnico, focando também no desenvolvimento de comportamento, como comprometimento com horário, frequência e responsabilidade. “A gente sempre diz que contrata por conhecimento e demite por comportamento”, pontuou.

Revitalização do Centro e Atração de Eventos

A situação do Centro de Campo Grande também foi abordada com preocupação pelo novo presidente. A falta de segurança, a degradação de imóveis e a baixa ocupação habitacional foram apontadas como fatores que afastam consumidores e empresários. “Você não tem segurança, você não passeia, não vai com a família, não faz suas compras”, descreveu.

Wertheimer defendeu o adensamento habitacional como solução para a revitalização do centro, citando exemplos de outras capitais. Ele também pretende solicitar à prefeitura um tratamento diferenciado para imóveis da região central, visando reduzir custos e incentivar o comércio. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de estrutura para grandes eventos corporativos foi outro ponto destacado. A ausência de um centro de convenções moderno impede a capital de receber conferências de grande porte, um gargalo em um momento de expansão econômica do estado.

“Se uma grande empresa de celulose resolver fazer uma conferência nacional na capital mundial da celulose, que somos nós, e quiser colocar 10 mil pessoas em ambiente climatizado, não temos local”, exemplificou. A atração de eventos corporativos é vista como um motor para a economia local, movimentando diversos setores, desde hotelaria e gastronomia até transporte e serviços.

Carga Tributária e Pequenos Negócios

A discussão sobre a carga tributária foi outra promessa de campanha de Juliano Wertheimer. Ele anunciou a criação de um núcleo de estudos tributários dentro da Fecomércio-MS para buscar alternativas que reduzam custos para os empresários sem comprometer as finanças públicas. “Sempre explicando que, muitas vezes, cobrar um pouco menos gera mais movimento”, disse.

O presidente citou como exemplo os benefícios fiscais concedidos a bares e restaurantes durante e após a pandemia, como isenção de IPVA e redução de ICMS, que foram cruciais para a sobrevivência e o crescimento desses negócios. A gestão também pretende ampliar a participação do comércio e serviços nos grandes investimentos que ocorrem no estado, especialmente na indústria e logística, aproximando empresas locais das cadeias de fornecimento. A atuação do Sesc e Senac em Bonito e a não concorrência com empresários locais também foram temas abordados, reafirmando o compromisso com projetos acordados e a função social das entidades, como aponta o Campo Grande NEWS.