Novo Hospital Municipal: Prefeitura desiste do Chácara Cachoeira e mira periferia

Novo Hospital Municipal: Prefeitura desiste do Chácara Cachoeira e mira periferia

A Prefeitura de Campo Grande desistiu da construção do hospital municipal no bairro Chácara Cachoeira após duas licitações fracassadas no modelo built to suit. O Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, agora busca uma nova área na periferia para garantir maior acesso da população aos serviços de saúde. A administração municipal também avalia a adoção de uma Parceria Público-Privada (PPP), inspirada no modelo do Hospital Regional, com o objetivo de reduzir a dependência da Santa Casa e expandir a rede própria de atendimento. A expectativa é que o projeto estruturado seja anunciado até o início de 2027.

A decisão de abandonar o Chácara Cachoeira foi comunicada pelo Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News. Vilela expressou sua insatisfação com a localização inicial, considerada inadequada para o público-alvo do hospital, e agora foca em áreas mais acessíveis na periferia da cidade.

A busca por uma nova localização e um modelo de contratação eficiente são os principais desafios para tirar o projeto do papel. A administração municipal está empenhada em garantir que a nova unidade de saúde seja uma realidade, atendendo às necessidades da população campo-grandense e fortalecendo a rede pública de saúde.

Projeto do Hospital Municipal é reavaliado após licitações sem sucesso

A Prefeitura de Campo Grande enfrentou duas tentativas frustradas de selecionar uma empresa para construir e alugar um imóvel para o funcionamento do hospital municipal. O modelo escolhido, o built to suit, onde uma construtora ergue o prédio sob medida e o aluga ao poder público, não obteve êxito nas licitações. O Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, já havia demonstrado descontentamento com a escolha do bairro Chácara Cachoeira e agora confirma que a possibilidade de construir na região está superada.

A nova estratégia de contratação ainda está sob análise. Vilela considera a possibilidade de uma PPP, onde uma empresa seria responsável pela construção e operação da estrutura, recebendo remuneração do poder público. Este modelo é semelhante ao adotado pelo Estado no Hospital Regional de Campo Grande, conforme o Campo Grande NEWS checou, o que demonstra a busca por soluções eficientes e com expertise comprovada.

A crise recorrente na Santa Casa também reforça a urgência da criação de uma unidade municipal própria. Vilela enfatizou a necessidade de reduzir a dependência da Santa Casa, principal hospital do estado, que frequentemente enfrenta problemas e ameaças de restrição de atendimento. A expansão da rede própria é vista como fundamental para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços de saúde oferecidos à população.

Localização estratégica: Periferia para maior acesso e inclusão

O Secretário de Saúde, Marcelo Vilela, explicou que a escolha do bairro Chácara Cachoeira foi questionada desde o início de sua gestão. Ele considera que o acesso à região é difícil para a parcela da população que mais depende da rede pública de saúde. Além disso, Vilela apontou que o perfil dos serviços existentes no entorno do Chácara Cachoeira estaria distante da realidade do público-alvo do hospital, que se concentra em bairros de maior valorização imobiliária.

A nova unidade de saúde deve ser construída em uma área periférica, próxima a uma das saídas da cidade e aos bairros onde se concentra a maior parte dos usuários do sistema público de saúde. Vilela mencionou que já identificaram um terreno, mas outras opções de imóveis públicos também estão sendo avaliadas para evitar custos com desapropriação. A meta é apresentar de 3 a 4 áreas para a prefeita Adriane Lopes decidir, garantindo uma escolha estratégica e democrática.

A Prefeitura já lançou duas licitações para o Hospital Municipal, ambas sem sucesso, evidenciando os desafios na execução do projeto. A busca por uma localização estratégica na periferia visa garantir que o novo hospital seja verdadeiramente acessível a todos os cidadãos de Campo Grande, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS.

Parceria Público-Privada e o futuro da rede municipal de saúde

A Secretária Municipal de Planejamento e Parcerias Estratégicas, Catiana Sabadin, também está envolvida nos estudos para definir o modelo de contratação do futuro hospital. A expectativa é que o projeto seja estruturado e anunciado até o início de 2027, com a conclusão da obra prevista para a atual gestão. A adoção da PPP, modelo que tem se mostrado eficaz em outras esferas, visa agilizar a construção e garantir a operação eficiente da unidade.

Vilela reiterou que o futuro hospital será totalmente público, diferentemente da Santa Casa, que é uma instituição beneficente e privada, apesar de receber recursos públicos. Atualmente, Campo Grande ainda depende significativamente da Santa Casa para diversos atendimentos de alta complexidade. A nova unidade municipal tem o objetivo de suprir essa lacuna e fortalecer a autonomia da rede de saúde da cidade.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) tem buscado soluções emergenciais, como a carreta do Ministério da Saúde para exames de imagem e convênios com hospitais filantrópicos, ampliando em 89 o número de leitos para internações e cirurgias. No entanto, a construção de uma nova unidade hospitalar é vista como a solução definitiva para a expansão da rede própria. O projeto, lançado em 2024, previa a contratação de uma empresa para construção, equipagem e manutenção estrutural sob o modelo built to suit, com um valor mensal estimado em R$ 5.142.403,37 por 20 anos, um investimento considerável que a prefeitura agora busca otimizar com a nova estratégia, como apurado pelo Campo Grande NEWS.