Novembro é a aposta do governo para encerrar a novela da Malha Oeste

O futuro da Malha Oeste, crucial corredor ferroviário que liga Mato Grosso do Sul a São Paulo, parece mais próximo de ser definido. Em meio a expectativas e anos de discussões, o governo federal anunciou que o leilão para a concessão da ferrovia está marcado para novembro deste ano. A promessa é de uma revitalização completa, com investimentos massivos e a reintegração do estado à malha ferroviária nacional.

Malha Oeste: Leilão em Novembro Promete Revolucionar Logística

As ministras do Planejamento, Simone Tebet, e dos Transportes, Renan Calheiros Filho, confirmaram a data do leilão da Malha Oeste para novembro. A notícia foi dada durante o lançamento da pedra fundamental de um ramal ferroviário que conectará a planta da Arauco, em Inocência, à malha nacional, um passo simbólico para a retomada do setor. O governo federal prevê um aporte de até R$ 3 bilhões no projeto.

A atual concessão da Malha Oeste está com a empresa Rumo, mas a ferrovia encontra-se em estado precário, com operação restrita a apenas cinco quilômetros entre Corumbá e a fronteira com a Bolívia. O restante do trecho está desativado ou em condições inadequadas para o tráfego de cargas. O novo concessionário será responsável por um investimento total de R$ 89 bilhões ao longo de 57 anos, sendo R$ 36 bilhões destinados à infraestrutura e R$ 53 bilhões à operação e manutenção.

A expectativa é que a revitalização da Malha Oeste represente uma mudança estrutural na logística do estado. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa região já exporta parte de seu volume pelo Porto de Santos, mas a ferrovia trará maior otimização, reduzindo o número de caminhões nas estradas e aumentando a segurança. O ministro Renan Filho destacou que a ferrovia é vista como a solução para os desafios logísticos atuais.

Um Novo Ciclo de Investimentos Ferroviários

O leilão da Malha Oeste faz parte de uma diretriz clara do governo federal de priorizar a infraestrutura de transportes. O presidente Lula determinou a realização deste leilão com o objetivo de reintegrar Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional. A conexão com a Malha Paulista é vista como um fator chave para atrair ainda mais investimentos para a região, facilitando o escoamento da produção.

“O país vai colocar R$ 3 bilhões para revigorar essa linha. O vencedor do leilão será quem exigir o menor aporte público. Isso vai garantir que a ferrovia seja reconstruída e se torne uma rota da celulose, conectada à Malha Paulista”, explicou o ministro. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, o governo federal prevê um aporte de até R$ 3 bilhões para impulsionar o projeto.

O governador Eduardo Riedel celebrou a definição do leilão para novembro, destacando que toda a extensão da Malha Oeste em Mato Grosso do Sul será licitada em um modelo moderno. O estado participou ativamente da construção desse modelo junto ao governo federal, discutindo estratégias por cerca de dois anos para garantir um leilão viável, com prioridade para os trechos de Três Lagoas e Campo Grande.

Etapas da Revitalização e Interesse Privado

O projeto prevê a revitalização em etapas. Inicialmente, o foco será no trecho entre Três Lagoas e Campo Grande. Em um segundo momento, serão contemplados os trechos de Campo Grande a Corumbá e de Campo Grande a Ponta Porã. No entanto, o leilão abrangerá o conjunto da Malha Oeste, que se conecta à Malha Paulista.

O governador Riedel informou que já há interessados privados para investir no trecho entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado. Essa demonstração de interesse privado reforça a viabilidade e o potencial econômico do projeto de revitalização da Malha Oeste. Conforme o Campo Grande NEWS conferiu, a expectativa é que a nova concessão impulsione o desenvolvimento regional.

Histórico e Perspectivas para a Malha Oeste

A Malha Oeste foi originalmente concedida à iniciativa privada em 1996. Ao longo dos anos, passou por diferentes gestões, incluindo a América Latina Logística (ALL) e, mais recentemente, a Rumo. No entanto, a deterioração da infraestrutura levou a Rumo a solicitar a devolução da concessão em 2020, alegando investimentos insuficientes e perda de capacidade operacional.

A aprovação da qualificação da Malha Oeste para relicitação pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) em dezembro de 2020 abriu caminho para os estudos de viabilidade do novo modelo. A expectativa é que a nova licitação, com um contrato atualizado e práticas regulatórias modernas, represente a retomada dos investimentos e a modernização da ferrovia.

O ministro Renan Filho ressaltou que Mato Grosso do Sul vive um momento de máximo investimento do Governo Federal e de atração de capital privado. A revitalização da Malha Oeste é vista como um passo fundamental para consolidar o estado em um ciclo de grandes investimentos ferroviários, impulsionando sua capacidade de exportação e desenvolvimento econômico.