A trajetória de Olney Galvão, um dos primeiros neurocirurgiões de Campo Grande, se entrelaça com a história da medicina na cidade e o cuidado com pessoas com deficiência. Sua dedicação por décadas à Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) deixou um legado de esperança e desenvolvimento para inúmeras famílias. O médico, que também atuou na Santa Casa e contribuiu para o ensino da neurologia, faleceu em 25 de julho, aos 86 anos, deixando um vazio na comunidade médica e entre aqueles que foram por ele assistidos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, sua jornada profissional foi marcada pela excelência e um profundo senso de humanidade.
Adeus a um pioneiro da neurocirurgia
Olney Galvão nasceu em Mato Grosso e, após se formar pela Universidade de Minas Gerais e se especializar em neurocirurgia, escolheu Campo Grande para construir sua carreira e sua vida. Na época, a neurocirurgia na cidade ainda era rudimentar, e ele se tornou o segundo profissional da área, trabalhando lado a lado com o pioneiro Naidor João da Silva. Juntos, eles foram fundamentais para a expansão do atendimento neurológico na Santa Casa, um marco para a saúde local.
Sua formação foi orientada por renomados pesquisadores como José Geraldo Albernaz e Gilberto Belisário Campos, figuras importantes na consolidação da escola de neurologia mineira. A expertise adquirida permitiu que Olney trouxesse para Campo Grande técnicas e conhecimentos que transformaram a vida de muitos pacientes. O Campo Grande NEWS destaca que sua chegada representou um avanço significativo para a medicina da região.
Paixão pela medicina e pelo futebol
Durante sua faculdade, Olney Galvão era conhecido não apenas por sua dedicação aos estudos, mas também por seu talento nos campos de futebol. Ele integrou a equipe da universidade, participando de torneios que chegaram a ser noticiados em jornais da época. Em uma entrevista a estudantes, ele chegou a mencionar que jogou contra o icônico Tostão em torneios universitários, demonstrando sua habilidade esportiva.
Essa paixão pelo esporte, especialmente pelo Vasco da Gama, seu time do coração, o acompanhou por toda a vida. Ele frequentemente viajava para o Rio de Janeiro para assistir aos jogos do time em São Januário, sempre que sua agenda permitia. A dedicação à família, com três filhos – Vanessa, Vander e Viviane -, e aos seus hobbies, evidenciava um homem multifacetado e com uma vida plena.
Dedicação à Apae e legado social
Com o passar dos anos, Olney Galvão começou a transitar de cirurgias para o atendimento ambulatorial, onde sua vocação para o cuidado se manifestou de forma ainda mais intensa. Por 31 anos, ele dedicou-se integralmente à Apae, um trabalho de **educação e acompanhamento neurológico** para pessoas com deficiência. Essa atuação voluntária e incansável o tornou uma figura querida e respeitada pela instituição e pelas famílias atendidas.
Em 2018, a Apae reconheceu a importância de sua contribuição com uma merecida homenagem. O legado de Olney na Apae transcende o campo médico, alcançando o social e o humano, oferecendo suporte e desenvolvimento para aqueles que mais precisam. O trabalho realizado por ele na associação é um exemplo de como a expertise médica pode ser aplicada para transformar vidas e construir uma sociedade mais inclusiva. O Campo Grande NEWS registrou a importância dessa dedicação.
Um profissional exemplar e uma vida plena
Olney Galvão encerrou sua jornada profissional deixando um rastro de competência e empatia. Sua atuação na neurocirurgia foi pioneira em Campo Grande, e sua dedicação à Apae moldou o futuro de muitos. Ele não apenas tratou doenças, mas também cuidou de pessoas, com um olhar atento às suas necessidades e potencialidades.
O médico deixa um legado para sua família, composta por três filhos, cinco netos e sua segunda esposa, Maria da Conceição Alves Sampaio. Sua memória será perpetuada através do impacto positivo que gerou na comunidade médica e, principalmente, na vida de tantas pessoas que tiveram a oportunidade de serem por ele assistidas. A partida de Olney Galvão é uma perda para Campo Grande, mas sua obra e dedicação continuarão a inspirar futuras gerações.

