A iminente inclusão do ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) na lista de Difusão Vermelha da Interpol marca um novo capítulo na busca por sul-mato-grossenses foragidos internacionalmente. Antes mesmo de seu nome ser oficialmente enviado, outros cinco indivíduos do estado já figuravam na lista pública da organização, procurados por crimes graves como homicídios, tráfico internacional de drogas e participação em organizações criminosas. A notícia, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, ganha destaque em meio a investigações que cruzam fronteiras e mobilizam forças policiais globais, reforçando a atuação da Interpol na captura de indivíduos que tentam escapar da justiça.
Interpol: Sul-Mato-Grossenses na Lista Vermelha
A Difusão Vermelha, conhecida internacionalmente como Red Notice, é um instrumento crucial da Interpol. Trata-se de um alerta emitido a pedido de um país-membro para localizar e prender provisoriamente um indivíduo, com o objetivo de eventual extradição. É importante ressaltar que a Difusão Vermelha, por si só, não constitui um mandado de prisão internacional, mas sim um pedido de cooperação entre as polícias dos países membros.
No cenário sul-mato-grossense, a lista já contava com nomes de peso, envolvidos em complexas redes criminosas. O ex-guarda municipal Juanil Miranda Lima, 49 anos, natural de Campo Grande, é um deles. Ele ficou conhecido por sua ligação com a organização criminosa liderada por Jamil Name, sendo acusado de participar de um grupo de extermínio. Sua inclusão na lista da Interpol ocorreu após ser considerado foragido desde o atentado que vitimou o estudante Matheus Coutinho, em abril de 2019, morto por engano quando o alvo seria seu pai, o ex-capitão da Polícia Militar Paulo Roberto Teixeira Xavier.
Outro nome de destaque é o de Claudinei Predebon, de Fátima do Sul. Apontado como integrante da chamada “elite do PCC” (Primeiro Comando da Capital), Predebon tem conexões com o narcotraficante Aldo José Marques Brandão, o “Sheik”. Sua trajetória inclui prisões em 2017 e 2019, além de uma fuga do presídio da capital paraguaia no ano seguinte. Predebon também possui condenação por atropelar e matar uma criança de apenas 1 ano e 7 meses em Ponta Porã.
As investigações sobre tráfico internacional de drogas também colocam Marcial Dario Acosta, nascido em Ponta Porã, na mira da Interpol. Ele é apontado como uma liderança no comércio de entorpecentes que envolve o Brasil, Bolívia, Paraguai e Peru, respondendo a processos no Rio Grande do Sul. Da mesma forma, Ramao Anacleto Brites Davalo, de Aral Moreira, município na fronteira com o Paraguai, é investigado por tráfico internacional e organização criminosa.
O mais jovem entre os procurados sul-mato-grossenses na lista da Interpol é Luis Antonio Varela da Silva, de 30 anos, natural de Campo Grande. Ele ganhou notoriedade após uma fuga em massa da penitenciária de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, em janeiro de 2020. Apesar de ter sido recapturado em Campo Grande dias depois, ele voltou à condição de foragido e teve seu nome incluído na lista internacional.
A Entrada de Neno Razuk
A inclusão de Neno Razuk na Difusão Vermelha, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, se distingue dos demais casos. O ex-parlamentar responde a uma investigação distinta e não há vínculos conhecidos com os outros procurados que constam na lista. O pedido para sua inclusão partiu do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e foi encaminhado à Polícia Federal.
A decisão de prisão preventiva de Neno Razuk foi fundamentada no risco à ordem pública e ocorreu antes de 6 de julho de 2026. O juiz responsável pelo caso reforçou a suspeita de que o ex-parlamentar possa estar fora do país, o que justificou a solicitação de alerta internacional. A ação demonstra a determinação das autoridades em rastrear e capturar foragidos, independentemente de sua localização.
Projeto Captura: Outros Foragidos em Destaque
Além dos nomes na lista da Interpol, Mato Grosso do Sul possui outros 8 indivíduos na lista dos mais procurados do Brasil, divulgada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, no âmbito do “Projeto Captura”. Entre eles estão figuras como Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota, o “Motinha”, tido como um dos principais traficantes da fronteira, e Cleber Laureano Rodrigues, acusado de participar de um “tribunal do crime” que resultou em homicídios.
O projeto também lista Osmar Pereira da Silva, o “Branco”, com condenação superior a 70 anos por diversos crimes, e Phillypi Junior Nunes Matos, sentenciado por tráfico de drogas e posse de armas restritas. Ricardo de Souza, o “Cabelo”, integrante do PCC envolvido com tráfico, e Ronaldo Gonçalves Martinez, o “R7”, investigado por roubos, também figuram na lista. Thiago Vinicius Vieira, o “Dourado”, apontado como líder de quadrilha de assaltos e contrabando de armas, e Ronald Alves Cordeio, cujo nome foi incluído recentemente sem detalhes criminais explícitos, completam a lista de procurados prioritários do estado no sistema federal. A lista do Ministério da Justiça tem o limite de 8 nomes por estado, como forma de priorizar as buscas.
A atuação conjunta de órgãos de segurança estaduais e federais, aliada à cooperação internacional via Interpol, reforça o compromisso com o combate à impunidade e a busca por justiça. A presença de tantos nomes de Mato Grosso do Sul em listas de procurados internacionais e nacionais evidencia a complexidade do crime organizado na região de fronteira e a necessidade de esforços contínuos para desarticular essas redes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a busca por esses indivíduos é uma prioridade para as autoridades, visando garantir a segurança pública e a ordem jurídica.

