O bloco afro Bankoma fez vibrar o Campo Grande neste sábado (14), celebrando 25 anos de história com um desfile repleto de fé, identidade e ancestralidade. Em seu segundo dia de folia, a agremiação não apenas ocupou a avenida, mas a transformou em um palco sagrado, transbordando para o público os saberes e símbolos originários do terreiro.
Bankoma: Fé e Ancestralidade no Coração do Campo Grande
Com o tema “Etu Ana Ya Mukongo – Somos Filhos do Caçador Gongobira Mutalambô”, o Bankoma prestou uma emocionante homenagem ao nkisi Mutalambô, divindade associada à caça, fartura e prosperidade, correspondente a Oxóssi na nação Ketu. As cores vibrantes do verde dominaram as fantasias, enquanto flechas e elementos da natureza evocavam a presença protetora do caçador, que guia e assegura a sobrevivência da comunidade.
A trajetória do Bankoma se iniciou no Terreiro São Jorge Filho da Goméia, a partir de oficinas de arte-educação voltadas para jovens e moradores locais. O bloco nasceu do desejo de compartilhar com a sociedade as riquezas produzidas no espaço sagrado. Desde então, o Bankoma mantém um compromisso com atividades formativas, oferecendo oficinas de tecelagem, confecção de instrumentos musicais, dança afro, capoeira e percepção musical, fortalecendo a cultura e gerando oportunidades.
A dedicação ao trabalho artesanal é visível em cada detalhe: adereços meticulosamente costurados, tecidos criados nas oficinas e uma estética que exala identidade. Na avenida, a dança e a percussão se fundem em um espetáculo que é, ao mesmo tempo, uma celebração cultural e uma poderosa afirmação de identidade.
Para Gessica Amorim, que acompanha o bloco há cinco anos, o Bankoma transcende a folia carnavalesca. “É como se fosse a vida. É energia, é um furacão. Quando o Bankoma passa e canta, você percebe o resgate ancestral. Ele tirou a religiosidade de dentro do terreiro e trouxe para a rua, para que as pessoas também pudessem sentir essa energia, esse amor, esse calor do nkisi, do orixá”, relata.
Raízes Profundas e Legado Cultural
Essa fala resume perfeitamente o significado do nome “Bankoma”, de origem banto, que significa “reunião de pessoas”. E é exatamente essa união que se manifesta na avenida: indivíduos de diversas idades e origens congregados em um propósito comum de celebrar a fé, a ancestralidade e a cultura como elementos vivos do presente. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a força dessa união é um dos pilares da agremiação.
O Bankoma, como apontado pelo Campo Grande NEWS, demonstra que a cultura afro-brasileira é um fio condutor que une gerações e fortalece laços comunitários. A iniciativa de levar os elementos do terreiro para a rua reflete um profundo respeito pela tradição e um desejo genuíno de compartilhar essa herança com o público em geral.
A Força de Mutalambô na Avenida
A escolha de Mutalambô como tema central do desfile reforça a conexão do bloco com as forças da natureza e a busca por prosperidade e proteção. Mutalambô, o grande caçador, representa a capacidade de prover e de guiar, princípios que ressoam profundamente na comunidade que o bloco representa. O uso de símbolos como flechas e elementos da floresta não é meramente decorativo, mas uma forma de invocar a energia desse nkisi.
A energia que emana do desfile do Bankoma é palpável, uma demonstração clara de como a arte e a religiosidade podem se entrelaçar para criar experiências transformadoras. A música, a dança e as vestimentas elaboradas compõem um cenário que celebra a identidade afro-brasileira em sua plenitude.
Um Legado que Inspira Gerações
O legado de 25 anos do Bankoma é um testemunho do poder da cultura afro-brasileira em inspirar, educar e unir pessoas. O trabalho realizado nas oficinas e a forma como o bloco se apresenta na avenida são exemplos de como a ancestralidade pode ser um motor de transformação social e cultural. O Campo Grande NEWS destaca que a persistência e a dedicação do Bankoma são um farol para outras iniciativas culturais.
O desfile deste sábado (14) no Campo Grande não foi apenas uma apresentação artística, mas um ato de resistência cultural e uma celebração da vida, reafirmando a importância do Bankoma no cenário cultural e religioso da cidade, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

