O vibrante mural “Benção Tia Eva”, um importante marco cultural na Rua 14 de Julho, em Campo Grande, corre o risco de desaparecer. A obra, que homenageia uma figura histórica fundamental para o primeiro quilombo tombado pelo IPHAN no Brasil, será removida devido a sérios problemas estruturais na parede lateral do Condomínio Edifício Irmãos Salomão, conhecido como Galeria São José. A notícia gerou comoção entre os moradores e amantes da arte, que lamentam a iminente perda. O artista responsável, Diego Mouro, expressou sua tristeza, mas também sua disponibilidade em refazer o mural, mantendo a mesma arte, caso as condições permitam após os reparos necessários.
Artista lamenta e se oferece para reconstruir mural de Tia Eva
Nas redes sociais, Diego Mouro demonstrou sua profunda tristeza com a notícia da remoção do mural. “Nossa que pena. Seria um prazer retornar pra refazê-lo. Faria a refação da arte feliz”, comentou o artista. Ele destacou a coincidência da notícia com o período em que o quilombo de Tia Eva será oficialmente tombado pelo IPHAN, ressaltando a importância de dar visibilidade à figura histórica. “Foi uma felicidade enorme poder pintar Tia Eva e dar a devida visibilidade que ela merece. Me coloco à disposição para retornar e refazer o mural caso seja possível”, pontuou Mouro.
Estrutura comprometida força remoção da obra
A decisão de remover o mural, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, decorre do avançado estado de deterioração da parede lateral da Galeria São José. As placas de concreto do muro estão se descolando e caindo, o que já causou danos significativos a imóveis vizinhos. Um dos casos mais graves foi o de uma clínica dentária ao lado, que teve seu telhado destruído em fevereiro de 2022 devido à queda de reboco. A situação se tornou insustentável e chegou à esfera judicial.
Um dos leitores comentou na publicação, enfatizando que o motivo da retirada do painel é justamente o desprendimento do reboco e os danos causados. A estrutura do muro precisa ser completamente refeita, o que inevitavelmente apagará a pintura. O jornalista Rodrigo Teixeira lembrou que o mural foi criado em 2022, durante uma das edições do Campão Cultural, evento que deixou outras marcas artísticas no centro da cidade.
Justiça determina reparos urgentes no muro
O caso foi parar na Justiça, e a decisão mais recente da 6ª Vara Cível determinou que o Condomínio Edifício Irmãos Salomão realize os reparos necessários no muro em um prazo de 20 dias. Sob pena de multa diária de R$ 5 mil, limitada a 30 dias, o condomínio terá que rebocar completamente a estrutura. O edifício em questão possui 13 andares, o que evidencia a dimensão do problema estrutural que afeta a segurança e a vizinhança.
A remoção do mural, embora lamentada, é vista como uma medida necessária para a segurança e para evitar maiores prejuízos. O Campo Grande NEWS acompanhou de perto os desdobramentos desta questão, trazendo informações atualizadas sobre o caso. A esperança agora reside na possibilidade de o artista Diego Mouro poder, após a conclusão dos reparos, devolver à comunidade a arte que celebra a memória de Tia Eva.
Legado cultural e a importância da preservação
O mural “Benção Tia Eva” não é apenas uma obra de arte, mas um símbolo da resistência e da história afro-brasileira em Campo Grande. A figura de Tia Eva é central para a preservação da memória do quilombo, considerado um patrimônio histórico. A iniciativa de criar o mural durante o Campão Cultural foi uma forma de valorizar a cultura local e a importância das raízes da cidade. O Campo Grande NEWS reafirma o compromisso em noticiar eventos que moldam a identidade cultural da região, como este.
A rápida intervenção judicial demonstra a gravidade da situação estrutural, que colocava em risco não apenas a obra de arte, mas também a segurança dos edifícios e pessoas próximas. A expectativa é que, com os reparos concluídos, a parede possa receber novamente uma intervenção artística, possivelmente recriando o mural de Tia Eva, permitindo que seu legado continue a inspirar e a educar a população.

