Mulheres na política: recorde de eleitas, mas ainda longe da paridade

O cenário político brasileiro testemunha um marco histórico: a bancada feminina no Congresso Nacional será a maior desde a redemocratização. Na Câmara dos Deputados, o número de mulheres eleitas saltou de 90 para 109, um crescimento de 21%. No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa, superando os resultados anteriores. Apesar do avanço significativo, a representatividade feminina nas casas legislativas ainda está longe de atingir a paridade. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a análise dos resultados eleitorais de 2026 revela um panorama complexo, com conquistas importantes e desafios persistentes. A informação foi divulgada com base em dados oficiais das eleições.

O aumento no número de parlamentares eleitas é um reflexo da crescente participação das mulheres na vida política do país. Contudo, é fundamental analisar criticamente esses números, considerando que, apesar da expansão, as mulheres ainda representam uma minoria significativa no Congresso. A diversidade de pensamento entre as eleitas, como aponta a professora Flávia Biroli, pode levar a diferentes agendas, nem sempre alinhadas com as pautas femininas e igualitárias. O Campo Grande NEWS, em sua cobertura aprofundada, destaca a importância de monitorar a atuação dessas representantes.

Apesar da queda no número de candidatas em 2026 em comparação com 2022, o resultado final nas urnas demonstrou uma maior efetividade na eleição de mulheres. Para o Senado, a eleição de doze mulheres representa o maior número desde a redemocratização, elevando a bancada feminina de 15 para 18 senadoras a partir do próximo ano. Essa expansão, embora positiva, ainda deixa o Brasil distante de uma representação equitativa de gênero no poder legislativo. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto essas movimentações, oferecendo um panorama detalhado para seus leitores.

A expansão da bancada feminina: números e desafios

A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres na próxima legislatura, representando 21% dos 513 parlamentares. Este é o maior contingente feminino já registrado na casa. A federação composta por PT, PCdoB e PV se destacou, elegendo 34 das 109 deputadas. No Senado Federal, o número de senadoras passará de 15 para 18, alcançando 22,2% das 81 cadeiras. As novas senadoras eleitas tomarão posse em fevereiro, com mandatos até 2035.

O Distrito Federal se destaca por eleger duas novas senadoras, tornando-se a única unidade da federação com três senadoras. Em contrapartida, o Piauí continua sendo o único estado a nunca ter eleito uma mulher senadora. Esses dados, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, evidenciam disparidades regionais na representatividade feminina.

Diversidade e representatividade: mulheres negras em foco

O cenário de mulheres negras eleitas para a Câmara dos Deputados também apresentou um crescimento expressivo. Um levantamento da Organização Mulheres Negras Decidem contabilizou a eleição de ao menos 15 mulheres negras para o cargo de deputada federal em 2026, um aumento de 66,6% em relação a 2022, quando foram eleitas nove deputadas negras. A coordenadora política da organização, Tainah Pereira, celebra o avanço, destacando a juventude da maioria dessas novas parlamentares.

“É muito interessante perceber também que a imensa maioria dessas mulheres negras que estão hoje na Câmara e que se elegeram para a próxima legislatura são mulheres jovens. Então, a gente vê uma renovação feminina e negra e acho que a gente pode ter boas expectativas em relação à atuação dessas lideranças que conseguiram chegar agora”, afirmou Pereira.

No entanto, o Senado Federal registrou uma perda nesse aspecto. Das 12 senadoras eleitas, nenhuma é negra. A senadora Eliziane Gama (PT), autodeclarada negra e atualmente no cargo, não foi reeleita. Outras duas candidatas negras, Mariana Silva (Rede) e Benedita da Silva (PT), que já ocuparam cadeiras no Senado, também não foram reeleitas. Benedita da Silva foi a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Senado em 1998, e até hoje, apenas quatro mulheres negras foram senadoras no Brasil.

Pautas femininas: o desafio da atuação parlamentar

A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, Flávia Biroli, ressalta que o aumento no número de parlamentares eleitas não garante, automaticamente, a implementação de políticas voltadas para as mulheres. Segundo ela, a diversidade de pensamento entre as mulheres eleitas pode levar a posições divergentes, incluindo aquelas que defendem perspectivas patriarcais ou não igualitárias.

“Você pode ter mulheres eleitas representando visões econômicas que são prejudiciais para a grande maioria das mulheres. Por exemplo, você pode ter uma mulher eleita, como é o caso da senadora Bia Kicis, que votou contra a lei de igualdade salarial entre mulheres e homens”, exemplificou Biroli. Essa observação, amplamente discutida e analisada pelo Campo Grande NEWS, reforça a importância de acompanhar o posicionamento e as ações de cada parlamentar, independentemente de seu gênero.

O aumento da representatividade feminina no Congresso Nacional é um passo crucial, mas a luta pela equidade de gênero na política exige vigilância constante e a garantia de que as vozes das mulheres, em toda a sua diversidade, sejam efetivamente ouvidas e representadas nas decisões que moldam o futuro do país.