A versão oficial da Polícia Militar sobre a morte de Valeriano Alvarez Cabanas, de 40 anos, após uma abordagem em Bela Vista, Mato Grosso do Sul, foi contestada veementemente por sua esposa, Dália Bento Gimenez. Segundo Dália, o marido não estava armado, não ofereceu resistência e foi vítima de tortura, morrendo no local antes mesmo de ser levado ao hospital. A Polícia Militar afirma que utilizou munições de elastômero e taser para conter Valeriano, que teria tido um surto psicológico. O caso está sob investigação.
Dália Gimenez contesta versão policial sobre morte do marido
Em depoimento emocionado, Dália Bento Gimenez, de 34 anos, apresentou uma narrativa completamente diferente da divulgada pela Polícia Militar sobre a morte de seu marido, Valeriano Alvarez Cabanas, de 40 anos. O incidente ocorreu na madrugada de sábado (7), no Bairro Nova Esperança, em Bela Vista. Segundo a esposa, Valeriano estava em surto psicológico, mas não representava perigo e não portava nenhuma arma.
“Estão falando muitas mentiras sobre o ocorrido, estou indignada com isso. Ele teve um surto, não agrediu ninguém, não portava nenhuma arma como estão falando e nem fez a bagunça toda que estão falando. Na verdade, os vizinhos que ligaram para a polícia e já chegaram atirando nele com a bala de borracha”, declarou Dália.
Ela descreveu que o marido caminhava pela rua onde moravam, sem oferecer qualquer tipo de resistência. A única coisa que Valeriano portava nas mãos eram seus chinelos. Dália ressaltou que ele falava um pouco de espanhol e guarani, e que em nenhum momento agrediu alguém.
O surto e a mudança para Bela Vista
Dália explicou que o surto de Valeriano começou na madrugada e que ele já enfrentava problemas de saúde mental. “Nós morávamos em Terenos, viemos de mudança para Bela Vista depois do primeiro surto que ele teve lá, mas foi no ano passado, não lembro a data certa. Lá estávamos muito longe da família e decidimos voltar morar para cá de novo”, relatou.
O episódio, segundo Dália, ocorreu em frente à casa do casal. “O fato ocorreu na frente da nossa casa, na rua. A mente dele não estava bem porque ele estava em surto.” Ela tentou alertar os policiais sobre o estado de saúde do marido, mas alega que não foi ouvida.
Abordagem violenta e uso de taser
A esposa descreveu a chegada dos policiais como violenta. “Os policiais chegaram atirando. Eu falei ‘cuidado’. O policial chegou chegando mesmo. Ele falava coisas sem sentido e mexia no próprio chinelo. Dizia ‘parado aí, fica quieto’, mas ele não fazia nada”, contou.
Em seguida, foram disparadas munições de elastômero e utilizada uma arma de choque (taser). “Ele foi se afastando e, quando chegou perto da viatura, os policiais aplicaram o choque. Eram dois policiais. Um deles era mais agressivo”, afirmou. Dália contou que alertou os policiais: “Cuidado, ele está em surto, não está bem, ajudem ele”.
“O policial não me ouvia, não fizeram pergunta. Ele deu três choques nele. Foi bem na minha frente”, disse Dália, visivelmente abalada.
Morte no local e impedimento de socorro
Após receber os choques, Valeriano caiu e foi algemado. Dália relata que um dos policiais subiu em seu marido e aplicou um mata-leão, o que ela caracterizou como uma tentativa de asfixia. “O tempo todo eu falava ‘não machuquem ele e perguntava ‘Ele está respirando?’”. Ela foi impedida de se aproximar para verificar o estado de saúde do marido.
“O policial me empurrou porque cheguei perto para ver se estava bem e falou ‘se afasta, ele está só desmaiado’. Deram um tapa na cara dele, mexeu o queixo pra aí depois um perguntou para o outro ‘está respirando’. O agressivo olhou pra ele e disse ‘sim’, mas já não estava mais”, relatou a esposa.
Dália sustenta que Valeriano morreu no local. “Ele não morreu no hospital, morreu na frente da nossa casa mesmo, na rua, no local onde eles deram choque nele. Já levaram ele morto para o hospital”, afirmou. Testemunhas próximas, incluindo uma tia e o marido dela, presenciaram a ação.
Investigação e pedido de justiça
A Polícia Militar informou que instaurou procedimento administrativo para apurar a morte de Valeriano Alvarez Cabanas e que não tolera condutas que violem seus princípios. O processo será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a versão oficial aponta que Valeriano estaria em surto, depredando a própria residência e tentando invadir imóveis vizinhos, além de avançar contra a equipe policial com um objeto não identificado. Após ser contido, o homem apresentou alteração no nível de consciência e dificuldades respiratórias, sendo levado ao hospital, onde o óbito foi constatado.
O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Jardim e, após os procedimentos, ocorreu o sepultamento em Bela Vista. Dália Gimenez, que tem duas filhas de 10 e 7 anos com Valeriano, um pedreiro que era o provedor da família, agora enfrenta a difícil tarefa de recomeçar sem o marido. Ela pede justiça e clama para que o caso seja rigorosamente apurado, pois, segundo ela, nada trará Valeriano de volta, mas a verdade precisa vir à tona. A esposa ainda mencionou que interrompeu uma gravação por medo, após um policial olhar para ela quando o flash de seu celular acendeu. O Campo Grande NEWS acompanha o caso, buscando esclarecer todos os fatos e garantir a transparência na investigação. A reportagem do Campo Grande NEWS reforça a importância da apuração completa dos fatos para que a justiça seja feita.

