Mulher com suspeita de aneurisma e AVC aguarda transferência há mais de 24h em Campo Grande

Uma mulher de 42 anos está há mais de 24 horas aguardando transferência hospitalar após ser diagnosticada com aneurisma cerebral e sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). A paciente está internada na área amarela da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino, em Campo Grande, e a família demonstra desespero com a demora no atendimento e na realocação para uma unidade com recursos especializados.

Situação de emergência neurológica se arrasta por mais de um dia

O quadro clínico da paciente, que apresenta sintomas graves de natureza neurológica, tem gerado grande apreensão entre seus familiares. A demora na transferência para um hospital com infraestrutura adequada para lidar com emergências como aneurisma e AVC levanta preocupações sobre a agilidade e eficiência do sistema de regulação de leitos na Capital.

A situação começou na sexta-feira (17), quando a mulher procurou atendimento médico pela primeira vez devido a fortes dores de cabeça e tontura. Na ocasião, após uma primeira avaliação, ela teria sido medicada e liberada para casa sem a realização de exames de imagem, um procedimento crucial para o diagnóstico preciso de condições neurológicas agudas.

Com a persistência e possível agravamento dos sintomas, a paciente retornou à UPA no dia seguinte. Desta vez, exames mais detalhados foram realizados, confirmando o preocupante quadro neurológico. Diante da gravidade, foi solicitada uma vaga no sistema estadual de regulação para sua transferência a um hospital com atendimento especializado, como a Santa Casa ou outra unidade de referência.

No entanto, conforme o relato dos familiares ao Campo Grande NEWS, até a manhã deste domingo (19), a paciente permanecia na UPA Coronel Antonino, sem uma previsão concreta de quando a transferência seria efetivada. O marido da paciente foi informado de que o pedido de vaga está inserido no sistema de regulação, mas a liberação depende da disponibilidade de um leito hospitalar compatível.

Condições de atendimento e jejum prolongado geram mais angústia

A situação da paciente se agrava com a necessidade de jejum total, o que significa que ela não pode ingerir água ou alimentos. Familiares também expressaram preocupação com a administração de soro, que, segundo eles, não estaria ocorrendo de maneira adequada, e relataram a presença de sangue próximo ao acesso venoso, indicando possíveis complicações no local da aplicação.

“Ela é uma mulher nova e está passando por isso. Meu sogro e os filhos dela estão todos desesperados. Se o quadro é tão grave, ela precisa de uma atenção melhor e de avaliação de um neurologista”, desabafou uma das noras, que preferiu não se identificar, em contato com o Campo Grande NEWS através do canal Direto das Ruas.

A necessidade de um acompanhamento neurológico especializado é fundamental em casos de aneurisma e AVC, pois o tempo é um fator crítico para minimizar danos cerebrais e aumentar as chances de recuperação. A família clama por agilidade no processo de transferência para garantir que a paciente receba o tratamento intensivo e a observação médica contínua que seu estado exige.

Prefeitura de Campo Grande se manifesta sobre o caso

A reportagem do Campo Grande NEWS procurou a Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), para obter informações sobre a confirmação do diagnóstico, o status do pedido de transferência e as condições de atendimento na UPA Coronel Antonino. A Sesau emitiu uma nota oficial em resposta.

Em sua manifestação, a Sesau afirmou que cumpre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e o princípio constitucional da inviolabilidade da intimidade e da vida privada. Por essa razão, a secretaria declarou que não fornece informações individualizadas sobre pacientes à imprensa ou a terceiros, mesmo que de forma indireta. As informações são repassadas exclusivamente ao próprio paciente ou ao seu responsável legal, dentro dos critérios legais vigentes.

Transferência finalmente realizada após 24 horas de espera

Após mais de 24 horas de espera e angústia, a família da paciente informou que a transferência hospitalar foi finalmente realizada. A notícia trouxe um alívio momentâneo, mas levanta questões sobre os processos de regulação e a necessidade de otimização para garantir que casos de emergência neurológica recebam o atendimento ágil que demandam em Campo Grande. A pronta resposta e a agilidade na transferência são essenciais para o sucesso do tratamento e a recuperação plena da paciente.