Uma mulher de 55 anos, em tratamento contra o câncer de intestino, está em uma situação desesperadora em Campo Grande. Ela aguarda uma cirurgia considerada urgente, mas o atendimento médico foi interrompido após o marido perder o vínculo com o plano de saúde da Cassems. A família tenta, sem sucesso, prorrogar a cobertura por mais um mês para concluir o tratamento, mas a operadora negou o pedido.
O caso expõe a fragilidade da cobertura de saúde para pacientes em tratamento crítico quando o titular do plano perde sua condição de vínculo. O marido, professor de 68 anos, deixou de lecionar na rede estadual, o que resultou na perda do direito ao plano. Ele buscou uma solução emergencial, conseguindo manter o atendimento por seis meses pagando como se ainda fosse servidor, mas este período terminou em 31 de março.
Mesmo com a urgência médica comprovada, a Cassems negou a prorrogação, oferecendo apenas a migração para um plano individual com custo significativamente mais alto, inviável para a família. A alternativa pelo SUS também se mostra demorada, e a paciente, que já passou por quimioterapia e radioterapia, necessita de acompanhamento imediato.
A situação se agrava com a **dependência de uma bolsa de colostomia** e a necessidade de avaliação médica para dar continuidade ao procedimento cirúrgico. Exames recentes indicaram a urgência da cirurgia, mas o tempo sem atendimento médico e medicamentos está se tornando crítico. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a operadora afirma ter cumprido a legislação, oferecendo a migração para plano individual com isenção de carências, mas sem previsão legal para cobertura gratuita.
Professor relata desespero e falta de sensibilidade da operadora
O professor, que preferiu não se identificar completamente, explicou que, ao perder as aulas na rede estadual em 2025, perdeu o direito ao plano. Ele conseguiu, inicialmente, manter o atendimento da esposa por seis meses, pagando o valor correspondente, mas ao solicitar uma extensão de apenas um mês para a conclusão do tratamento oncológico, encontrou uma porta fechada.
“Eu avisei antes de vencer. Falei que ia precisar de mais um mês para ela terminar o tratamento, mas eles não estenderam”, relatou o professor, visivelmente abalado. Ele enfatizou que a esposa já passou por diversas etapas do tratamento, incluindo quimioterapia e radioterapia, e a **cirurgia é essencial para a sua recuperação**.
A dependência da bolsa de colostomia e a necessidade de acompanhamento especializado tornam qualquer atraso ainda mais preocupante. “Ela precisa ser vista pelo médico, precisa tomar medicamento. Já está se passando tanto tempo que ela está sem ir ao médico”, desabafou.
Urgência médica comprovada e alternativas inviáveis
Exames recentes enviados digitalmente a um especialista confirmaram a **urgência da cirurgia**. “O médico avaliou e disse que ela precisa urgentemente fazer essa cirurgia, não pode esperar muito tempo”, afirmou o marido. A alternativa oferecida pela Cassems, a migração para um plano individual, representaria um custo mensal mais que o dobro do valor anterior, superando mil reais, um valor que a família não tem condições de arcar.
“Eles querem que eu pague o dobro, mais de mil reais. Eu não tenho condição. Eu só queria pagar mais um mês como antes”, disse o professor, expressando a dificuldade em lidar com a burocracia em um momento tão delicado. A falta de flexibilidade da operadora tem gerado grande apreensão.
SUS como alternativa, mas com entraves na demora
Diante da recusa da Cassems, a família buscou atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas enfrenta a **demora no processo de entrada no sistema**. Segundo o professor, o tempo de espera para ser incluído no SUS pode chegar a um mês, um período inaceitável dada a condição da paciente.
“Para entrar no SUS leva cerca de um mês. E ela não pode esperar esse tempo, está sem medicamentos, sem olhar médico. Posto de saúde não resolve porque precisa de especialista”, explicou. A necessidade de atendimento especializado e a urgência da situação tornam a espera pelo SUS uma opção arriscada.
Cassems alega cumprimento da legislação e manutenção da cobertura
Em nota oficial enviada ao Campo Grande NEWS, a Cassems informou que “cumpriu integralmente a legislação e o estatuto, ao garantir a manutenção da beneficiária por seis meses após o fim do vínculo do titular”. A operadora também afirmou que, buscando assegurar a continuidade do tratamento oncológico, ofereceu formalmente a migração para um plano individual, com isenção de carências e extensão da cobertura mediante pagamento.
A Cassems alega que “não possui previsão legal para oferecer cobertura gratuita”. Segundo a nota, a interrupção do vínculo ocorre “exclusivamente, da recusa do beneficiário em aceitar as alternativas de manutenção oferecidas, que permanecem disponíveis para aceite imediato”. A instituição, conforme reportado pelo Campo Grande NEWS, manteve sua posição, mesmo após a situação ser levada à ouvidoria.
A reportagem também buscou a Prefeitura de Campo Grande para obter informações sobre o fluxo de atendimento emergencial pelo SUS, mas ainda aguarda um retorno oficial. A situação da paciente ressalta a importância de políticas de saúde mais inclusivas e de maior agilidade nos processos de atendimento, especialmente em casos de doenças graves como o câncer. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a família continua buscando soluções para garantir o tratamento. O caso evidencia a necessidade de maior atenção a pacientes em tratamento oncológico, que necessitam de cobertura contínua e ininterrupta para garantir suas chances de recuperação. A dificuldade de acesso a planos de saúde e a lentidão do sistema público de saúde criam barreiras significativas para quem mais precisa.

