Vizinho preso após matar mecânico e ferir filho em Campo Grande
Karla Vicentini narra com a voz embargada a dor de perder o marido, Aristóteles Onassis Tufaile, 47 anos, em um ataque a tiros que também deixou o filho do casal em coma no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do hospital. O suspeito, Manoel Paulo Cardoso, 65 anos, vizinho da família, foi preso após uma tentativa de fuga que terminou em acidente. A mulher contesta a alegação de legítima defesa e afirma que a discussão que antecedeu os disparos foi motivada pela troca de uma calha.
Segundo Karla, não havia histórico de conflitos entre o marido e o vizinho. A desavença teria começado durante o serviço de manutenção em um apartamento vizinho, onde o filho do casal reside. Ela garante que a obra não envolveu o telhado do suspeito, desmentindo a versão de que telhas teriam sido quebradas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a polícia apreendeu um revólver calibre .38 com cinco munições deflagradas com o suspeito.
A revolta e a tristeza de Karla Vicentini são palpáveis. Enquanto aguarda notícias sobre o estado de saúde do filho, que está em coma no CTI da Santa Casa de Campo Grande, ela revive os momentos de terror vividos na noite de terça-feira (20). O marido, o mecânico Aristóteles Onassis Tufaile, de 47 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu após ser baleado pelo vizinho, Manoel Paulo Cardoso, de 65 anos. O filho do casal também foi atingido e luta pela vida.
Discussão por calha teria iniciado o conflito
Karla Vicentini relata que a origem do desentendimento foi a troca de uma calha no apartamento do filho. Ela enfatiza que o serviço era necessário devido a um vazamento e que os trabalhadores acessaram o local pelo lado da propriedade da família, utilizando uma escada. A mulher nega veementemente que a obra tenha envolvido qualquer dano ao telhado do vizinho, Manoel Cardoso.
“Ele acabou com a vida da minha família, ele destruiu, arruinou a minha família”, desabafou Karla, com a voz embargada pela emoção. Ela explica que o vizinho acusou os trabalhadores de quebrarem seu telhado, o que ela nega. Segundo Karla, o filho havia gravado vídeos para comprovar que o serviço foi executado sem danos. Ela também refuta a acusação de que Aristóteles tenha jogado pedras ou pedaços de madeira no portão do vizinho.
De acordo com a mulher, Aristóteles chegou a chamar Manoel para mostrar os vídeos que comprovariam a inexistência de danos no telhado. No entanto, ao invés de uma conversa, o vizinho teria sacado uma arma e começado a atirar. Ela descreve a cena com horror, afirmando que Manoel atirou contra seu marido e seu filho, e que tentou disparar contra a cabeça do jovem quando ele já estava caído no chão.
Mulher relata tentativa de feminicídio e fuga do vizinho
Karla conta que, ao ver o vizinho prestes a atirar na cabeça do filho caído, ela se jogou na frente para impedi-lo. “Eu agarrei por trás. Se eu não me jogo no chão, ele tinha dado um tiro na minha nuca. Ele pôs o revólver aqui em mim e eu dei um soco na mão dele, foi onde ele conseguiu sair dos meus braços”, relatou. Na tentativa de escapar, Karla caiu e se machucou, e afirma que o vizinho também disparou em sua direção, com o projétil passando por cima de sua cabeça.
A mulher descreve o vizinho como uma pessoa que se mudou para a região há poucos meses e que já havia demonstrado comportamento antissocial. Ela relata que a filha de Manoel a procurou ao saber da mudança do pai, pedindo que ela fosse avisada caso ele apresentasse problemas, pois ele era “extremamente ignorante, antissocial, ele é acostumado a morar no meio do mato”.
Após os disparos, moradores da rua tentaram ajudar as vítimas. Karla afirma que Manoel ainda tentou atirar contra os populares que prestavam socorro, mas não conseguiu. Ela acredita que a munição tenha acabado ou a arma falhado. Durante a fuga do suspeito, vizinhos teriam jogado pedras em seu carro. Um morador, com a ajuda de um policial, conseguiu rastrear o veículo e enviar a localização em tempo real, auxiliando na prisão de Manoel, que se envolveu em um acidente de trânsito durante a perseguição.
Suspeito preso com arma não registrada
O suspeito foi localizado por uma equipe da Força Tática com um revólver Taurus calibre .38, que não possuía registro. Manoel informou que mantinha a arma desde que morava em uma chácara. Ele foi levado à delegacia, e o caso registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a perícia técnica e a autoridade policial estiveram no local do crime.
Karla rejeita a possibilidade de Manoel alegar legítima defesa. Ela considera o ato uma covardia e argumenta que cinco tiros, com um deles atingindo a cabeça do marido, contradizem a ideia de legítima defesa. “Eu acho mais do que merecido ele pagar, não ele alegar que foi uma legítima defesa, porque eu acho que cinco tiros não é uma legítima defesa. Ele atirou para matar mesmo, ele atirou na cabeça do meu marido”, declarou.
Ela descreve Aristóteles como um trabalhador dedicado e um pai exemplar, e pede que a justiça seja feita e que seu marido não seja responsabilizado por acusações falsas. “Eu quero que a justiça seja feita, que a justiça seja feita e que meu marido não fique impune nessa, porque ele é um trabalhador, um pai de família, um pai excelente, um pai super-herói, um pai dedicado à família mil por cento, nem a cem por cento. E ele acabou com a vida da minha família, ele destruiu, arruinou a minha família”, disse emocionada. O Campo Grande NEWS reafirma que a mulher insiste na inexistência de brigas prévias e busca apenas que o suspeito pague pelo crime cometido.

