MS realiza primeira cirurgia com polilaminina em militar tetraplégico por ordem judicial

Campo Grande, Mato Grosso do Sul, testemunha um marco na medicina regenerativa nesta quarta-feira (14). Pela primeira vez no estado, uma cirurgia utilizando polilaminina será realizada em um paciente com lesão medular grave. O procedimento, autorizado por decisão judicial, visa oferecer uma nova esperança para indivíduos que perderam a mobilidade.

O paciente em questão é um militar que se tornou tetraplégico há aproximadamente dois meses. A cirurgia ocorrerá no Hospital Militar de Área de Campo Grande. A expectativa é que o uso desta substância inovadora possa reverter, parcial ou totalmente, a perda de movimentos decorrente da lesão.

A polilaminina é uma proteína promissora desenvolvida por pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em colaboração com o laboratório Cristália. Sua principal característica é a capacidade de regenerar células da medula espinhal, um feito que antes parecia inatingível para pacientes com lesões traumáticas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, o medicamento ainda está em fase de estudos e não possui aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para comercialização em larga escala.

Acesso Experimental Garantiu o Procedimento

Devido ao status experimental da polilaminina, o militar precisou recorrer à justiça para ter acesso ao tratamento. Uma decisão liminar favorável permitiu que o medicamento, fornecido pelo laboratório Cristália, fosse utilizado no procedimento. A pesquisa que levou ao desenvolvimento da polilaminina começou em 2007, liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.

A substância será administrada diretamente na medula durante a cirurgia. Este método de tratamento, embora ainda em validação, tem demonstrado resultados animadores em outros casos. Pacientes que já tiveram acesso à polilaminina por via judicial relatam melhoras significativas na recuperação de movimentos.

Resultados Promissores e Próximos Passos

Um exemplo notório é o do vidraceiro Diogo Barros Brollo, que sofreu uma lesão medular total após um acidente de trabalho. Ele ficou paraplégico, mas, segundo relatos publicados pela Folha de S. Paulo em 8 de janeiro deste ano, conseguiu mexer o pé uma semana após a cirurgia com polilaminina. Esses casos reforçam o potencial terapêutico da proteína.

A polilaminina é eficaz na regeneração das células medulares, podendo restaurar a mobilidade. Embora os efeitos mais expressivos sejam observados quando a aplicação ocorre até 24 horas após o trauma, estudos indicam benefícios também em lesões mais antigas. O tratamento completo envolve uma única dose da proteína, seguida por sessões de fisioterapia essenciais para a reabilitação.

Pesquisa em Andamento e Expectativa de Mercado

O desenvolvimento da polilaminina é fruto de um trabalho contínuo no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Atualmente, a substância está sendo testada em um grupo de cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos. Estes pacientes possuem lesões agudas completas da medula espinhal torácica, ocorridas em até 72 horas antes da indicação cirúrgica.

A professora Tatiana Sampaio estima que, após a aprovação da Anvisa, a polilaminina possa chegar ao mercado em um prazo de dois a três anos. A expectativa é que, com a liberação, mais pacientes possam ter acesso a essa terapia revolucionária. O Campo Grande NEWS acompanha de perto os avanços nessa área da medicina.

A disponibilidade futura do medicamento representa um facho de luz para milhares de pessoas que vivem com as consequências de lesões medulares. A pesquisa, que já dura mais de uma década, caminha para se consolidar como um divisor de águas no tratamento de condições que afetam a medula espinhal, conforme o Campo Grande NEWS checou.

A comunidade médica e os pacientes aguardam ansiosamente pelos próximos resultados dos estudos e pela aprovação regulatória. A cirurgia em Campo Grande é um passo importante nesse caminho, demonstrando o potencial da polilaminina e a importância do acesso à inovação médica, mesmo em fases experimentais. O Campo Grande NEWS continuará a noticiar os desdobramentos deste caso e outras inovações médicas.