MS: Homicídios em 2026 já superam 90% do total de 2025

Mato Grosso do Sul atingiu a marca de 403 homicídios dolosos em 2026, um número alarmante que representa 90,4% do total de mortes violentas registradas em todo o ano de 2025. A estatística, divulgada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), aponta para um preocupante aumento de 21,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 332 crimes. Faltando ainda dez dias para o fim de setembro, o estado já se aproxima rapidamente de ultrapassar o saldo de 446 vítimas do ano passado.

Violência em MS: um retrato preocupante

O cenário da segurança pública em Mato Grosso do Sul em 2026 acende um sinal vermelho. Com uma média superior a um homicídio por dia, o estado caminha para superar os números de 2025 em poucos meses. A análise dos dados revela que o mês de julho foi o período mais sangrento, com um total de 65 vítimas, seguido por agosto com 55 e junho com 53 mortes. Essa escalada da violência tem sido observada em diversas regiões, com investigações apontando para o envolvimento de facções criminosas em muitos dos casos.

As estatísticas da Sejusp detalham o perfil das vítimas, incluindo 206 adultos, 137 jovens, 19 adolescentes, 28 idosos e sete crianças, com a idade de seis vítimas não informada. A predominância do sexo masculino entre os assassinados é uma constante. O ritmo de crimes neste ano contrasta fortemente com 2025, quando janeiro foi o mês mais letal, com 48 mortes, e o ano encerrou com 446 homicídios dolosos em 401 ocorrências. A diferença atual de apenas 43 mortes para igualar o total de 2025 demonstra a gravidade da situação.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, a violência não se restringe a um único município, mas se espalha por diversas cidades do interior. Em Ponta Porã, o início do ano foi marcado por uma sequência de assassinatos em janeiro, incluindo execuções por pistoleiros em motocicletas. Nova Andradina também registrou uma série de mortes violentas ao longo do ano, com casos de jovens executados dentro de casa ou atraídos para emboscadas mortais, como a de José Ricardo Flores. A gravidade da situação levou à deflagração da Operação Liberdade Duradoura, que investiga a atuação do Comando Vermelho em crimes na região.

Execuções e a sombra das facções criminosas

A crueldade dos crimes é evidenciada em casos como o ocorrido em Nova Casa Verde, distrito de Nova Andradina, onde três pessoas foram executadas a tiros dentro de uma residência na noite de sábado (19). Dois homens em uma motocicleta teriam invadido o imóvel e efetuado os disparos. Um adolescente de 14 anos também foi baleado. Em Sidrolândia, Douglas Amorim Lopes, de 36 anos, foi assassinado a tiros em uma ação que levanta suspeitas de relação com disputas entre facções, onde o atirador teria usado uma refém para chegar à vítima.

A juventude também tem sido alvos frequentes da violência. Em Caarapó, um adolescente de 14 anos foi executado em junho, em um caso sob investigação por possível ligação com grupos criminosos. Em Coxim, Jonatas Douglas da Silva Oliveira, de 22 anos, foi morto em um bar enquanto segurava uma criança no colo, com a polícia também apurando a possível conexão com disputas entre facções. Em Dourados, o assassinato de Vitor Orsini, de 19 anos, em uma loja de veículos, resultou na denúncia de cinco pessoas pelo Ministério Público.

Esses casos ilustram como os 403 homicídios registrados em Mato Grosso do Sul em 2026 estão distribuídos geograficamente e envolvem diversas dinâmicas, desde conflitos pessoais e dívidas até execuções frias sob suspeita de envolvimento de organizações criminosas. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a estatística ainda não é o balanço final do ano, e o mês de setembro, ainda em andamento, pode apresentar novos registros que alterarão os números até o fechamento do ano.

Jovens e crianças entre as vítimas

A diversidade etária entre as vítimas, incluindo adultos, jovens, adolescentes, idosos e crianças, reforça a abrangência e a gravidade da violência que assola o estado. A Sejusp registra os dados com base nas ocorrências, e a análise feita pelo Campo Grande NEWS destaca a tendência de aumento em relação ao ano anterior. A falta de informações sobre a idade de seis vítimas impede uma análise ainda mais precisa do impacto em cada faixa etária.

A comparação mês a mês revela que julho foi o pico de letalidade em 2026, com 65 mortes, um número significativamente maior do que as 27 mortes registradas em julho de 2025. Essa disparidade reforça a percepção de uma piora nas condições de segurança. A divulgação desses números pela Sejusp serve como um alerta para a necessidade de ações mais efetivas de combate à criminalidade e de políticas públicas voltadas para a prevenção da violência em Mato Grosso do Sul.