MS: Homicídios de crianças caem, mas violência letal avança entre adolescentes

MS: Homicídios de crianças caem, mas violência letal avança entre adolescentes

Mato Grosso do Sul registra uma queda expressiva nos homicídios de crianças e adolescentes na última década, conforme aponta o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No entanto, o estado ainda enfrenta um cenário preocupante onde a violência letal se intensifica com o avanço da idade, especialmente entre adolescentes de 15 a 19 anos.

Apesar da melhora nos índices gerais, a faixa etária de 15 a 19 anos concentra o maior número de vítimas, com 84,1% dos casos envolvendo armas de fogo. O estado superou a média nacional em termos de redução, mas especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas integradas para a proteção dos jovens. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a violência letal contra crianças e adolescentes em Mato Grosso do Sul apresenta nuances distintas por faixa etária.

O levantamento do Atlas da Violência 2026 detalha que, embora os índices de homicídios tenham diminuído em todas as faixas etárias analisadas, os adolescentes continuam sendo os alvos principais da violência letal no estado. Este contexto é marcado pelo uso predominante de armas de fogo e pela concentração desses crimes em dinâmicas de violência urbana, um padrão que se alinha com a tendência nacional.

Adolescentes: A principal vítima da violência letal

Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, Mato Grosso do Sul registrou uma redução de 67,9% nos homicídios na última década, passando de 109 mortes em 2014 para 35 em 2024. Essa queda, que representa 652 homicídios no período, foi ainda mais acentuada entre 2023 e 2024, com uma retração de 18,6%. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes despencou de 48,5 para 16,3.

Apesar da diminuição, os adolescentes ainda representam a maioria das mortes violentas no estado. O estudo nacional, divulgado pelo Campo Grande NEWS, aponta que 84,1% dos homicídios de adolescentes de 15 a 19 anos em todo o país ocorreram com uso de armas de fogo. Esse dado reforça a urgência de políticas focadas no controle de armas e na prevenção da violência entre jovens.

Um caso recente que chocou Mato Grosso do Sul foi o assassinato de Aysla Carolina de Oliveira Neitzke e Silas Ortiz Grizahay, ambos de 13 anos, em maio de 2024, em Campo Grande. A tragédia, que resultou na condenação de João Vitor de Souza Mendes a 44 anos, 5 meses e 10 dias de prisão, evidenciou a vulnerabilidade dos jovens em contextos de violência urbana.

Crianças: Queda expressiva, mas atenção redobrada

No que diz respeito às crianças mais novas, de 0 a 4 anos, a violência letal em Mato Grosso do Sul apresentou uma queda ainda mais acentuada: 75% entre 2014 e 2024. Foram registrados 40 homicídios nesse período, com o número caindo de oito para dois casos anuais. A taxa de mortalidade por 100 mil habitantes caiu de 3,8 para 1.

Na faixa de 5 a 14 anos, a redução também foi significativa, com 70 homicídios em dez anos. Os casos diminuíram de 19 em 2014 para quatro em 2024, uma retração de 78,9%. A taxa de homicídios para este grupo caiu de 4 para 0,9 por 100 mil habitantes. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a violência contra crianças apresenta características distintas, com menor predominância de armas de fogo.

Um caso que marcou o estado foi a morte da bebê Sophie, de 10 meses, e sua mãe em maio de 2025, em Campo Grande. O pai da criança confessou o duplo homicídio, evidenciando a necessidade de atenção à violência doméstica.

Estratégias diferenciadas e a importância da integração

O Atlas da Violência destaca que as estratégias de prevenção e intervenção precisam ser adaptadas a cada faixa etária. Para crianças pequenas, a violência muitas vezes ocorre no ambiente doméstico e envolve meios diversos, não se limitando a armas de fogo. Isso aponta para a necessidade de políticas focadas na prevenção de maus-tratos e na identificação precoce de sinais de risco.

A integração entre os serviços de saúde, escolas, assistência social e segurança pública é fundamental. O estudo ressalta que a articulação entre essas esferas pode garantir o reconhecimento mais rápido de situações de risco e, consequentemente, uma proteção mais eficaz para crianças e adolescentes, evitando que a violência atinja níveis mais graves. A colaboração entre os órgãos é essencial para a proteção integral dos jovens no estado, conforme amplamente noticiado pelo Campo Grande NEWS.

No Brasil, a cada dia, cerca de 14 crianças e adolescentes de até 19 anos foram assassinados em 2024, segundo o Atlas. Os resultados de Mato Grosso do Sul superaram a média nacional na redução dos homicídios infantis, com quedas de 14,8% (0-4 anos) e 63,2% (5-14 anos). No entanto, a vigilância e a ação contínua são cruciais para combater a violência letal que ainda assola a juventude brasileira.