Mato Grosso do Sul figura entre os principais emissores de gases de efeito estufa no Brasil, com 45,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente no setor agropecuário, representando 7,2% das emissões nacionais. A pecuária é a principal responsável, devido ao metano liberado pelo rebanho bovino. O cenário é apontado pela nova edição do relatório do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), que analisa dados de 2024.
O Brasil registrou uma queda expressiva de 16,7% nas emissões brutas em 2024, um marco impulsionado principalmente pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Apesar dessa notícia animadora, o relatório do SEEG evidencia que Mato Grosso do Sul se mantém como um contribuinte significativo para as emissões de gases de efeito estufa no país, com a agropecuária, e em especial a pecuária bovina, no centro dessa questão. A pesquisa detalha que o estado emite 45,2 milhões de toneladas de CO₂ equivalente apenas neste setor, o que equivale a 7,2% do total nacional.
Esses números colocam Mato Grosso do Sul entre os seis maiores emissores do Brasil na área agropecuária. O relatório do SEEG, conforme divulgado, detalha que o estado de Mato Grosso lidera esse ranking nacional, com 88,9 MtCO₂e (14,2% das emissões brasileiras no setor agropecuário), seguido por Goiás (59,6 MtCO₂) e Minas Gerais (59,2 MtCO₂). Pará e Rio Grande do Sul também figuram entre os principais emissores.
Pecuária: O Motor das Emissões no Estado
A principal fonte das emissões de gases de efeito estufa em Mato Grosso do Sul, dentro do setor agropecuário, é o metano liberado pelo rebanho bovino. Este gás é um subproduto da fermentação entérica, o processo digestivo natural dos animais, mas que possui um potencial de aquecimento global significativamente maior que o dióxido de carbono. O relatório do SEEG enfatiza que a pecuária, por si só, é responsável por 51% das emissões brutas do agronegócio brasileiro, sendo o principal fator individual de poluição climática do país.
O estudo ressalta a relevância estratégica de estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso, Goiás e o próprio Mato Grosso do Sul, nesse contexto. A combinação de um **grande rebanho bovino**, a expansão de áreas produtivas e a presença marcante do bioma Cerrado explicam o peso dessas regiões no cenário de emissões. Como boa parte do território sul-mato-grossense está inserida no Cerrado, que lidera as emissões agropecuárias no país, o dado ajuda a dimensionar o papel do estado nesse desafio ambiental global.
Brasil Avança, Mas Desigualdades Regionais Persistem
Apesar do cenário preocupante em Mato Grosso do Sul, o relatório do SEEG trouxe uma informação positiva ao destacar a **queda geral de 16,7% nas emissões brutas de gases de efeito estufa no Brasil em 2024**. Essa redução foi impulsionada majoritariamente pela diminuição do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra recuaram 32,5%. O país registrou a segunda maior redução da série histórica iniciada em 1990, emitindo um total de 2,145 bilhões de toneladas de CO₂.
No entanto, o cenário ainda revela **fortes desigualdades regionais**. Nos estados da Amazônia, por exemplo, a baixa densidade populacional combinada com altos índices de emissão faz com que os números per capita se aproximem ou até superem os de países desenvolvidos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a queda mais expressiva foi registrada no Pantanal, onde as emissões recuaram 66%. Este resultado está ligado ao reforço das ações de fiscalização e controle, após o bioma enfrentar, em 2023, a pior estiagem de sua história, período em que as emissões haviam disparado quase 70%.
Metas Climáticas e Novos Planos de Ação
A projeção para 2025, segundo o Observatório do Clima, indica que o Brasil pode ficar aquém da meta climática assumida no Acordo de Paris, com uma estimativa de 1,44 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente, cerca de 9% acima do limite previsto. A avaliação dos pesquisadores é de que o país ainda concentra seus esforços quase exclusivamente no combate ao desmatamento, deixando em segundo plano setores como energia e indústria.
Nesse contexto, o governo federal lançou o **Plano Clima**, que estabelece diretrizes para a transição do país rumo a uma economia de baixo carbono. A meta é reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035, com o objetivo final de zerar as emissões líquidas até 2050. O Campo Grande NEWS apurou que, apesar dos avanços, a efetividade desse plano dependerá de um esforço coordenado entre diferentes setores da economia e a continuidade das ações de fiscalização e controle ambiental.
O relatório do SEEG, como ressaltado pelo Campo Grande NEWS, serve como um importante alerta sobre a necessidade de **ações mais contundentes para mitigar as emissões**, especialmente nos setores que mais contribuem para o aquecimento global. A pecuária em Mato Grosso do Sul, dadas as projeções e dados apresentados, é um ponto crucial a ser endereçado nas políticas climáticas futuras.

