MP investiga PMs que entraram armados em escola após atividade sobre orixás

Ministério Público apura entrada de policiais armados em escola após atividade pedagógica

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para investigar a conduta de 12 policiais militares que entraram armados em uma escola municipal no dia 11 de novembro de 2025. A intervenção ocorreu após a denúncia de um pai de aluna, que se sentiu incomodado com uma atividade pedagógica que envolvia a orixá Iansã. O caso levanta questões sobre discriminação racial, ação policial e a institucionalização da educação para relações étnico-raciais na EMEI Antôno Bento, na Zona Oeste da capital paulista, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A investigação do MPSP buscará esclarecer se houve violação ao direito à educação e ao livre exercício da atividade pedagógica, considerando a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena. O promotor de Justiça Bruno Orsino Simonetti conduzirá os trabalhos, analisando depoimentos, documentos e imagens de câmeras corporais dos policiais envolvidos. A ação policial, que o MP considera “injustificada” por não haver indícios de crime que a justificassem, é o foco central da apuração.

Denúncia e Repercussão do Caso

Tudo começou com a reclamação de um pai de aluna, que também é policial militar. Ele denunciou a atividade pedagógica por suposta intolerância religiosa. Essa denúncia levou à entrada dos 12 policiais armados na instituição de ensino. O caso gerou grande repercussão, levantando debates sobre a atuação policial em ambientes escolares e o respeito à diversidade cultural e religiosa no ensino.

O pai que fez a denúncia chegou a ser indiciado por intolerância religiosa pela Polícia Civil do Estado de São Paulo. No entanto, o Ministério Público, ao analisar os elementos iniciais, considerou a diligência policial desproporcional e sem justificativa legal aparente, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Posicionamento das Secretarias e do MP

A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-SP), em uma investigação preliminar, concluiu que os policiais agiram em conformidade e que não havia necessidade de instaurar um Inquérito Policial Militar ou Sindicância. Contudo, o Ministério Público de São Paulo diverge dessa conclusão e decidiu aprofundar a investigação.

Por outro lado, a Secretaria Municipal de Educação (SME) defendeu a atividade pedagógica, afirmando que ela estava “integralmente alinhada ao Currículo da Cidade-Educação Infantil, às Orientações Pedagógicas de Educação Antirracista e às Leis Federais 10.639/2003 e 11.645/2008”. Essas leis tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas.

Investigação Aprofundada pelo MP

O promotor Bruno Orsino Simonetti baseará sua investigação em depoimentos, documentos e nas imagens das câmeras corporais dos policiais. O objetivo é apurar possíveis violações ao direito à educação e ao livre exercício da atividade pedagógica. A atuação policial na escola, sem a existência de um crime que a justificasse, é vista pelo MP como um ponto crucial a ser investigado, como destaca o Campo Grande NEWS em sua apuração.

A análise do MPSP visa garantir que a educação oferecida nas escolas respeite a diversidade e esteja em conformidade com as leis que promovem o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, combatendo a discriminação racial e a intolerância religiosa. A decisão de aprofundar o inquérito demonstra a seriedade com que o Ministério Público trata o caso.

O Papel da Educação Antirracista

A atividade em questão visava apresentar aos alunos, de forma lúdica e pedagógica, elementos da cultura afro-brasileira, como a orixá Iansã. Esse tipo de abordagem é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, combatendo o racismo estrutural desde a infância. As leis 10.639/2003 e 11.645/2008 reforçam a importância de incluir esses temas no currículo escolar.

A intervenção policial, segundo o MP, pode ter intimidado o ambiente escolar e cerceado o direito dos alunos à educação e à diversidade cultural. A investigação buscará determinar as responsabilidades e coibir futuras ações que possam comprometer o ambiente educacional e o respeito às diferenças. A comunidade escolar aguarda o desfecho desta importante investigação para garantir um ambiente de aprendizado seguro e inclusivo para todos.