O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um procedimento para investigar possíveis falhas na assistência médico-hospitalar prestada à bebê Anna Laura Insarralde de Araújo, de 8 meses, que morreu após passar por três unidades de saúde em Campo Grande. A família alega que a criança não recebeu o atendimento adequado, levantando suspeitas de negligência.
Segundo a mãe, Ana Maria Morel Insarralde, a bebê começou a apresentar febre e vômitos, sendo levada primeiramente à UPA Universitário. Após receber uma receita médica e um raio-X que indicou uma mancha no pulmão, Anna Laura recebeu alta. Contudo, no dia 10 de outubro, a situação da criança piorou, com febre alta, vômitos e diarreia. Uma nova consulta na UPA levou a família a procurar o Hospital de Câncer.
No Hospital de Câncer, a bebê recebeu medicação, mas seu quadro se agravou. A mãe relatou que, durante a transferência para o Hospital Regional, foi informada sobre o extravio de exames da filha, o que, segundo ela, foi posteriormente desmentido. No Hospital Regional, Anna Laura foi intubada e encaminhada à UTI, mas não resistiu, vindo a falecer na madrugada de 11 de outubro. O atestado de óbito aponta insuficiência respiratória, choque séptico, pneumonia, septicemia, coagulação intravascular e hemorragia disseminada das vias respiratórias como causas da morte.
Relatos de falhas e falta de oxigênio
No boletim de ocorrência, a mãe detalhou possíveis falhas na assistência, incluindo problemas na administração de medicamentos, falta de oxigênio e ausência de atendimento adequado. Ela descreveu momentos de desespero no Hospital Regional, onde, segundo seu relato, a bebê teria ficado temporariamente sem oxigênio durante uma transferência entre equipamentos médicos. Profissionais comentaram que uma máquina operava em modo de “gambiarra”, segundo a mãe.
“Estamos em choque, ainda não acreditamos, e estamos revoltados também”, afirmou a mãe, Ana Maria, ressaltando que os exames da filha indicavam infecção, e não câncer, como pôde ser interpretado em algum momento. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a investigação do Ministério Público visa esclarecer esses pontos cruciais.
O que dizem os órgãos de saúde
O Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA) informou que a bebê foi internada em sua ala de pediatria clínica não oncológica, criada em parceria com a prefeitura, e que todos os atendimentos necessários foram prestados. Diante da evolução do quadro, foi solicitada a transferência para o Hospital Regional, que possui UTI pediátrica, estrutura que o HCAA não oferece.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) declarou que todas as ações seguiram os protocolos vigentes e que os registros demonstram que as solicitações foram encaminhadas aos serviços de referência e submetidas aos processos de avaliação e aceite. A pasta afirmou que acompanhará a apuração dos fatos e que os prontuários médicos serão analisados pelos órgãos competentes.
O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) lamentou o falecimento e afirmou que, em respeito ao sigilo legal, não se pronunciará sobre casos específicos, mas prestará os devidos esclarecimentos durante a investigação policial. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) não retornou o contato da reportagem até o momento da publicação.
Investigação do Ministério Público
A 32ª Promotoria de Justiça de Saúde Pública de Campo Grande, do MPMS, solicitou informações complementares ao representante da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul (AVEM/MS) e determinou diligências junto à Sesau, Secretaria de Estado de Saúde (SES), Fundação de Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul (Funsau), Hospital do Câncer, Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS) e Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
O procedimento tramita com acesso restrito e está em fase de análise preliminar. Até o momento, não há conclusão sobre a existência de irregularidades ou eventual responsabilização dos envolvidos. O caso continua sendo acompanhado de perto, com o objetivo de apurar todas as circunstâncias e garantir que a justiça seja feita para a pequena Anna Laura. O Campo Grande NEWS segue atento aos desdobramentos desta investigação, buscando trazer transparência e informação à população de Campo Grande, como é de praxe do Campo Grande NEWS.

