Motoristas trabalham em férias e folgas: Relatório expõe falhas graves no Consórcio Guaicurus

Um relatório preliminar da intervenção no Consórcio Guaicurus revelou um cenário preocupante no transporte coletivo de Campo Grande. Motoristas teriam sido acionados para trabalhar durante períodos de folga e até mesmo férias, a fim de cobrir falhas nas escalas. Essas jornadas, muitas vezes, não eram devidamente registradas no ponto eletrônico ou no sistema de escalas, levantando sérias questões trabalhistas e operacionais. Conforme informação divulgada pelo Campo Grande NEWS, o documento, entregue à prefeitura e à Câmara Municipal, detalha um quadro de falta de profissionais, sobrecarga das equipes e controles fragilizados sobre jornada, pagamentos e intervalos de descanso.

Relatório expõe falhas graves em Campo Grande

A equipe de intervenção identificou um grupo de mensagens onde motoristas de folga ou férias se ofereciam para cobrir escalas. Essa prática resultava em jornadas adicionais sem o devido controle de intervalos entre turnos e sem um sistema formal de banco de horas ou compensação. A disponibilidade dos trabalhadores era essencial para manter o transporte funcionando diante da escassez de mão de obra. Contudo, o diagnóstico aponta que o modelo adotado pelas empresas para gerenciar essa falta de pessoal gerava riscos significativos, tanto do ponto de vista trabalhista quanto operacional, aumentando a possibilidade de fadiga entre os motoristas devido ao uso frequente de horas extras e à falta de controle dos períodos de descanso.

Contratações via Pessoa Jurídica sob suspeita

Outro ponto crítico destacado pelo relatório é a contratação de trabalhadores por meio de pessoas jurídicas, mesmo quando as condições de trabalho apresentavam características de vínculo empregatício. Esses profissionais, segundo o documento, prestavam serviços pessoalmente, com subordinação e frequência definidas pelas empresas do consórcio. A intervenção avalia que essa discrepância entre o contrato formal e a rotina efetiva cria um risco de reconhecimento judicial do vínculo empregatício, com potenciais consequências trabalhistas e previdenciárias. O relatório, no entanto, não especifica quantos trabalhadores foram contratados sob esse modelo nem quais funções exerciam. Essa prática, conforme o Campo Grande NEWS checou, pode gerar passivos significativos para o consórcio.

Equipes reduzidas e falta de pessoal afetam a manutenção

A falta de pessoal é particularmente notável entre motoristas e trabalhadores da manutenção. As oficinas, com uma frota envelhecida e que exige reparos constantes, contam com equipes consideradas insuficientes para atender à demanda. Profissionais com décadas de experiência não têm acesso regular a treinamentos sobre as novas tecnologias e sistemas eletrônicos dos veículos mais modernos. A ausência de uma manutenção preventiva estruturada e o número reduzido de funcionários levam a uma concentração em reparos urgentes, diminuindo a capacidade de antecipar falhas e evitar a retirada de ônibus de circulação. Empregados acumulam funções e conhecimentos essenciais sem substitutos preparados, o que pode comprometer atividades inteiras em caso de afastamentos ou desligamentos.

Afastamentos e processos trabalhistas compõem o cenário

Em agosto, das 1.346 pessoas registradas no quadro do consórcio, 290 estavam afastadas, sendo a maioria por auxílio-doença. Apesar dos problemas, o número de trabalhadores ativos apresentou um crescimento gradual ao longo do ano. Paralelamente, o consórcio enfrenta 29 processos trabalhistas em andamento, com um risco financeiro estimado em R$ 1,37 milhão. As falhas na gestão de pessoal são vistas como um fator que pode gerar novas demandas judiciais, mesmo com a redução no número de ações em relação a janeiro. A equipe de intervenção recomenda a unificação do acompanhamento desses processos e o uso das reclamações trabalhistas para identificar e corrigir problemas recorrentes, como horas extras e desvio de função, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A intervenção ressalta que as falhas não são atribuídas aos trabalhadores, mas sim a decisões de gestão, ao dimensionamento das equipes e à ausência de processos organizados. A busca por novos profissionais também tem sido um desafio, com baixas taxas de comparecimento e aprovação em processos seletivos. A situação exige medidas urgentes para garantir a eficiência e a legalidade das operações do transporte coletivo na cidade.