Um grupo de cinco motociclistas de Mato Grosso do Sul, em expedição pela América do Sul, encontra-se em situação delicada na Bolívia. Devido à crise de combustível decorrente do fim do subsídio estatal, os viajantes foram forçados a adquirir gasolina no mercado clandestino por até R$ 15 o litro. A situação, conforme relato compartilhado com o Campo Grande News, reflete a instabilidade no país, que desde dezembro enfrenta protestos e bloqueios rodoviários.
A dificuldade com o abastecimento é uma consequência direta da decisão do novo presidente boliviano de encerrar o subsídio à gasolina, que vigorava há cerca de 20 anos. Essa medida provocou manifestações e interdições em 57 pontos de rodovias, afetando não apenas os moradores locais, mas também turistas e viajantes estrangeiros. Outros grupos de brasileiros também se encontram retidos no país, sem perspectiva imediata de retorno, especialmente na capital, La Paz, onde os protestos se intensificam.
A administradora Lígia Cubilla, de 43 anos, integrante do motoclube Bodes do Asfalto, relatou os percalços da expedição, que já percorreu Paraguai, Bolívia, Chile e Argentina, totalizando 6.430 quilômetros. Ao visitar o Salar de Uyuni, um dos principais cartões postais bolivianos, o grupo descobriu a nova realidade do abastecimento: apenas uma vez por semana. A escassez se agrava com restrições específicas para estrangeiros, que só podem comprar gasolina em postos designados.
Restrições e mercado clandestino elevam preços
“Em Uyuni, o combustível chega só na sexta-feira e, muitas vezes, quem está lá não consegue abastecer. É preciso ficar dois ou três dias sem conseguir se deslocar”, explicou Lígia. A situação levou o grupo a buscar alternativas no mercado informal. “Precisamos buscar ajuda e conseguimos comprar combustível de forma clandestina, com pessoas que retiram do próprio carro para vender ao estrangeiro. Pagamos uma fortuna, entre R$ 12 e R$ 15 o litro. É muito perrengue”, desabafou.
O aumento no preço da gasolina para a população local, reflexo do fim do subsídio, consequentemente encareceu a revenda no mercado paralelo. A dificuldade em encontrar postos abertos e a necessidade de contornar os bloqueios forçaram o grupo a alterar sua rota original, tornando a viagem pela Bolívia ainda mais desafiadora. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a infraestrutura na rota mais ao norte do país está precária, com escassez de postos, lanchonetes e restaurantes.
Transtornos se estendem à Argentina
Além das dificuldades na Bolívia, o grupo também enfrentou um susto na Argentina. Ao trafegar próximo a Purmamarca, uma colina desmoronou devido às fortes chuvas. A enxurrada chegou a cobrir a rodovia, exigindo que os motociclistas aguardassem a cessar das chuvas e a remoção das pedras para poderem prosseguir viagem. A situação ressalta a vulnerabilidade das estradas da região a eventos climáticos.
Outros brasileiros retidos e dificuldades de retorno
O caso do grupo de Mato Grosso do Sul não é isolado. Conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, outros brasileiros estão retidos na Bolívia devido aos bloqueios iniciados em 6 de fevereiro. Um exemplo é o grupo que acompanha a douradense Janaína Mello, de 30 anos, e mais sete pessoas. Eles precisaram caminhar de Tiwanaku até La Paz e, mesmo chegando à capital, enfrentam a impossibilidade de retorno ao Brasil, já que não há voos ou ônibus disponíveis.
Outro grupo, incluindo o empresário Wésner Vargas, de 38 anos, está preso em La Paz há quatro dias. Viajando com a família em uma excursão com destino a Machu Picchu, no Peru, o grupo teve seus planos interrompidos pelos bloqueios. Wésner informou ao Campo Grande NEWS que precisou trocar de hostel e que os protestos na capital boliviana se intensificaram, aumentando a apreensão sobre o retorno.
Protestos e intervenção policial
De acordo com o portal boliviano Unitel, o país registrava 57 pontos de bloqueio nas rodovias no sábado, sendo 26 apenas no departamento de La Paz. O inspetor-geral da polícia boliviana, Gunder Agudo, anunciou que operações estão sendo organizadas para intervir nas interdições realizadas pelos manifestantes. A situação demonstra a tensão social e política que o país atravessa.
Os protestos, que começaram em dezembro, não se limitam ao fim do subsídio de combustíveis. Medidas como a proibição de novas contratações no serviço público e a livre negociação entre patrões e trabalhadores também alimentam a insatisfação popular. A instabilidade gerada por essas ações tem causado sérios transtornos a viajantes e impactado a economia local, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

