Leonardo Dias Mendonça, figura conhecida como o “Barão do Tráfico” e considerado pela Polícia Federal um dos maiores traficantes do Brasil, faleceu aos 63 anos. Ele estava internado em estado gravíssimo na Santa Casa de Campo Grande, para onde foi transferido da Penitenciária Federal da cidade. A morte cerebral foi declarada nesta terça-feira (18).
A defesa de Mendonça informou que ele vinha apresentando problemas de saúde desde a semana passada, o que motivou sua transferência para atendimento médico. Apesar dos esforços, seu quadro evoluiu para estado crítico, culminando em sua morte. A família e os advogados aguardam agora as providências para a liberação e o traslado do corpo para Goiás, seu estado de origem.
O histórico criminal do “Barão do Tráfico” remonta ao final da década de 1990. Em 2003, ele foi condenado a mais de 23 anos de prisão por tráfico internacional de drogas, em um processo que envolveu a apreensão de 327 quilos de cocaína em Mato Grosso. Investigações da época apontavam Leonardo como líder da organização criminosa.
Histórico de Condenações e Conexões Criminosas
As autoridades apontavam Leonardo Dias Mendonça como um dos principais nomes do narcotráfico internacional. Ele chegou a ser procurado pela Interpol e foi investigado por negociações de cocaína com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) no início dos anos 2000, em troca de dinheiro e armamentos. Segundo reportagens, o esquema movimentava cerca de 400 quilos de cocaína por mês.
Em 2009, Mendonça foi transferido para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná. Mesmo preso, ele supostamente comandava uma organização criminosa com ramificações na Venezuela, Colômbia, Suriname e Holanda. Naquele período, acumulava condenações que somavam 39 anos de prisão. O grupo era atribuído pela Polícia Federal à movimentação de até quatro toneladas de drogas por ano.
Relação com Fernandinho Beira-Mar e Operações Policiais
O nome de Leonardo Dias Mendonça esteve associado a grandes estruturas do tráfico internacional. Ele foi considerado um ex-aliado de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que também esteve preso na Penitenciária Federal de Campo Grande. A conexão entre os dois traficantes reforça a magnitude de suas atuações no cenário do crime organizado.
O “Barão do Tráfico” também ganhou projeção durante a Operação Diamante, uma investigação da Polícia Federal que apurou crimes de tráfico de drogas e suspeitas de compra de sentenças no Judiciário. Sua trajetória é marcada por diversas passagens pela justiça e pela sua capacidade de comandar operações criminosas mesmo de dentro de presídios.
Últimos Anos e Transferências
Em 2013, Leonardo foi preso novamente e, em agosto de 2018, passou para o regime semiaberto, utilizando tornozeleira eletrônica. No entanto, em setembro de 2019, retornou à prisão durante uma operação da PF que desarticulava uma organização suspeita de usar pequenos aviões para transportar drogas para a Europa. Sua transferência para a Penitenciária Federal de Campo Grande ocorreu posteriormente, onde permaneceu até seu quadro de saúde se agravar.
A defesa de Leonardo Dias Mendonça ressaltou que ele cumpria pena em Campo Grande, cidade com a qual não possuía vínculos, tendo sido transferido de Goiás, onde residia e mantinha laços familiares. “Espero que o mesmo Estado que o levou vivo tenha a responsabilidade de trazê-lo de volta a Goiás, ainda que agora morto”, declarou a advogada Ana Cláudia Alves, em nota divulgada para a imprensa, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS. O caso levanta discussões sobre a saúde de detentos em presídios federais e a logística para o translado de corpos.
A notícia do falecimento do “Barão do Tráfico” repercute no meio policial e jurídico, relembrando a atuação de um dos mais proeminentes traficantes brasileiros. Conforme checou o Campo Grande NEWS, a investigação sobre as atividades de Mendonça sempre foi marcada pela sua complexidade e alcance internacional, envolvendo diversas nações e grandes quantidades de entorpecentes. A atuação do traficante, como detalhado pelo Campo Grande NEWS, demonstrava uma organização sofisticada e uma rede de contatos que transcendia fronteiras.

