Moraes acusa Mendonça de tentar incluí-lo em delação de ex-banqueiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) foi palco de uma intensa troca de acusações nesta terça-feira (15), envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A discussão ocorreu durante o julgamento que pode autorizar a abertura de uma investigação contra o próprio Moraes. Em um momento de alta tensão, Moraes acusou Mendonça de ter pressionado investigadores da Operação Compliance Zero para incluir seu nome em uma eventual delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Moraes acusa Mendonça de manobra política no STF

A controvérsia começou quando Alexandre de Moraes questionou em plenário: “Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada [de Vorcaro]?”. Moraes afirmou possuir testemunhas, entre advogados e policiais, que confirmariam a suposta exigência de Mendonça. O ministro interpretou a atitude de seu colega como uma manobra de cunho político-eleitoral, alegando que Mendonça estaria “a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe neste país”. Ele fez referência direta à indicação de Mendonça para o STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, cujos aliados foram recentemente condenados pela Primeira Turma do Supremo por tentativa de golpe de Estado.

Mendonça nega veementemente as acusações

Em sua defesa, André Mendonça negou enfaticamente qualquer envolvimento ou direcionamento no caso Master ou pedido para incluir o nome de Alexandre de Moraes em delações. “Isso é mentira!”, exclamou Mendonça no plenário. “Mentira, mentira, mentira”. Quanto às supostas testemunhas apresentadas por Moraes, o ministro declarou que, se chamadas, “vão todas mentir”. A situação escalou após Mendonça ter levantado o sigilo de um relatório da Compliance Zero que conecta Moraes a Daniel Vorcaro. Essa ação, segundo o decano do STF, Gilmar Mendes, também teria motivações político-partidárias.

Crise institucional se aprofunda com pedidos de investigação

A tensão atingiu um novo patamar quando Gilmar Mendes propôs o adiamento do julgamento para 23 de setembro, data marcada para a análise de um pedido de Moraes para investigar Mendonça por abuso de autoridade na condução do caso Master. A sessão foi suspensa para almoço pelo ministro Edson Fachin, presidente do STF, com retorno previsto para as 15h. Todos os ministros participam do julgamento, com Moraes e Mendonça sentados lado a lado. Os ministros Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedido e suspeito, respectivamente, de votar no caso.

Relatório da PF e mensagens de Vorcaro geram polêmica

O relatório que mencionava Moraes veio à tona em 1º de setembro, após André Mendonça levantar o sigilo. O documento, segundo os investigadores, contém 52 mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro enviadas a Alexandre de Moraes, sugerindo uma proximidade incomum. Em um trecho, Vorcaro pareceria sugerir o envio de um contrato de R$ 131 milhões do Master ao escritório da esposa de Moraes. Em outra parte, o ex-banqueiro buscaria informações sobre uma operação policial iminente para sua prisão. As mensagens teriam sido trocadas entre 2023 e novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro. Em sua defesa, Moraes classificou o relatório como inconstitucional e ilegal.

Moraes reage com pedido de investigação contra Mendonça

Em resposta ao relatório divulgado por Mendonça, Alexandre de Moraes apresentou um documento que ele descreveu como um relatório de inteligência da PF, sugerindo que Mendonça poderia ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero contra desafetos políticos. Contudo, o documento de Moraes não possuía assinatura nem timbre oficial da corporação, e alertava na capa que seu conteúdo era uma conjectura “sem valor probatório”. Com base nisso, Moraes solicitou ao ministro Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O julgamento desse pedido está agendado para 23 de setembro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial, argumentando que a investigação sobre um ministro do STF avançou sem a devida comunicação ao presidente da Corte ou ao plenário, configurando irregularidade e possível direcionamento por parte de Mendonça. Curiosamente, o nome do procurador-geral, Paulo Gonet, também aparece em mensagens que a PF atribui a Vorcaro e que teriam sido enviadas a Moraes.

A situação demonstra uma profunda crise institucional no STF, com trocas de acusações e pedidos recíprocos de investigação entre ministros. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a complexidade do caso envolve alegações de interferência política e uso indevido de informações sigilosas. Acompanhe os desdobramentos desta polêmica que abala a cúpula do judiciário brasileiro.

A investigação sobre Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias. A atuação de ambos os ministros, Moraes e Mendonça, está sob escrutínio, e as decisões futuras no STF terão grande impacto na credibilidade da instituição. A imprensa tem acompanhado de perto cada detalhe, como também tem feito o Campo Grande NEWS, sempre buscando trazer informações verificadas aos seus leitores. A análise detalhada das mensagens e testemunhos é crucial para esclarecer os fatos. O Campo Grande NEWS reafirma seu compromisso com a apuração rigorosa dos fatos, como tem feito desde sua fundação.