Cansados de esperar por respostas da prefeitura, moradores do Jardim Itatiaia, em Campo Grande, uniram forças e recursos para realizar um reparo paliativo na Rua Conde de São Joaquim. Pela quinta vez, a comunidade se mobilizou para custear o diesel de uma escavadeira, garantindo o acesso às suas casas e a segurança na via.
Comunidade se une para reparo de rua esburacada pela 5ª vez
A Rua Conde de São Joaquim, no bairro Jardim Itatiaia, em Campo Grande, tornou-se um símbolo da precariedade da infraestrutura e da **morosidade na resposta do poder público**. Diante da ausência de ações efetivas por parte da prefeitura, os próprios moradores decidiram tomar a iniciativa, arrecadando fundos para um conserto emergencial da via.
Em uma demonstração de **solidariedade e proatividade**, o grupo reuniu cerca de R$ 700 para cobrir os custos com o diesel de uma escavadeira. O empresário Jaci Lopes Júnior, de 36 anos, residente no bairro há nove anos, cedeu seu equipamento e tempo para liderar a intervenção. A ação, embora paliativa, foi crucial para restabelecer o trânsito e o acesso seguro às residências, que estavam severamente comprometidos pelos buracos.
A situação da rua sem asfalto, frequentemente tomada por crateras, já era um problema antigo. Moradores relatam dificuldades diárias no trânsito de veículos e até mesmo para chegar às suas casas. A mobilização comunitária surge como um último recurso após diversas tentativas frustradas de obter atenção do poder municipal. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, o grupo já havia protocolado variadas solicitações, incluindo o envolvimento de vereadores, mas sem obter retorno concreto.
Ação comunitária para suprir a falta de infraestrutura
Jaci Lopes Júnior explicou a motivação por trás da iniciativa: “As pessoas não conseguiam mais entrar nas casas. Pedi ajuda só para custear o diesel, porque o custo é alto, e fiz o que pude para tampar os buracos”. Ele ressaltou que a intervenção não é uma solução definitiva, mas uma necessidade vital para garantir a segurança, evitando acidentes graves, como o que quase ocorreu com um caminhão que tombou na via.
A necessidade de tal ação ganhou ainda mais visibilidade na última sexta-feira (17), quando um caminhão-betoneira ficou atolado em uma cratera na mesma rua. A remoção do veículo exigiu o acionamento de outro caminhão e a transferência de parte da carga para reduzir o peso, evidenciando o **risco iminente** aos usuários da via. O motorista Elias Batista, de 56 anos, relatou à reportagem que nunca havia passado por situação semelhante e que os buracos já eram evidentes mesmo antes das chuvas recentes.
O valor arrecadado, R$ 700, foi inteiramente destinado ao combustível da escavadeira. Jaci trabalhou por cerca de três horas e meia, utilizando o material já existente na via para nivelar o terreno. “Foi um concertinho básico, só para garantir o acesso das pessoas às casas. Foi um trabalho solidário, ninguém fez visando lucro”, afirmou o empresário. Ele complementa que, com mais recursos, seria possível trazer cascalho para um reparo mais consistente, mas a comunidade, assim como ele, enfrenta dificuldades financeiras.
Moradores se sentem abandonados pela prefeitura
O sentimento de **abandono por parte do poder público** é palpável entre os moradores. “A gente espera o asfalto há muito tempo. Sentimos que o bairro está abandonado, então acabamos fazendo pelas próprias mãos”, desabafou Jaci. Essa não é a primeira vez que o empresário demonstra iniciativa em prol da comunidade. Em 2024, ele também realizou melhorias em frente à sua residência na Rua dos Estudantes, instalando blocos sextavados em um trecho de 30 metros, um serviço que levou uma semana para ser concluído.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) informou que, de acordo com a lei municipal, **intervenções em vias públicas exigem autorização prévia da prefeitura**. No entanto, a Sisep ressalta que, para ações pontuais como tapar buracos, os moradores podem realizá-las caso possuam os materiais adequados e obtenham a devida permissão. Para isso, é necessário enviar um ofício à Secretaria de Obras detalhando o que será feito, para análise e autorização.
Apesar da regulamentação, a situação na Rua Conde de São Joaquim ilustra a urgência e a necessidade de ações mais rápidas e eficazes por parte do poder público. A iniciativa dos moradores, embora louvável, evidencia uma lacuna na prestação de serviços básicos e levanta questionamentos sobre a **eficiência da gestão pública** em Campo Grande. O Campo Grande NEWS checou que a comunidade aguarda ansiosamente por uma solução definitiva que vá além de paliativos, buscando uma infraestrutura urbana que atenda às suas necessidades básicas. A reportagem do Campo Grande NEWS já havia noticiado um incidente grave na via, quando um caminhão-betoneira ficou preso em um buraco, reforçando a necessidade de atenção urgente.

