Um cenário de isolamento e dificuldades se instalou na divisa entre Terenos e Dois Irmãos do Buriti. Desde fevereiro, mais de 400 famílias, entre moradores e caseiros de chácaras, encontram-se cortados do acesso principal após a interdição da ponte de madeira do Recanto Nuara. A estrutura, já desgastada pelo tempo, não resistiu às fortes chuvas que elevaram o nível do Rio Aquidauana, forçando as autoridades a interditá-la por motivos de segurança.
Terenos: pontes caídas e saúde precária isolam famílias
A interdição da ponte de madeira do Recanto Nuara, ocorrida em 4 de fevereiro deste ano, mergulhou centenas de moradores e caseiros em uma rotina de isolamento e transtornos diários. A única ponte que ligava a região a Terenos e Dois Irmãos do Buriti foi interditada após fortes chuvas comprometerem sua estrutura já debilitada, uma medida de segurança que, no entanto, gerou uma série de problemas para a comunidade.
Segundo Alex Chueriy, vice-presidente da Associação de Moradores do Recanto Nuara, a falta de acesso impacta diretamente a vida de cerca de 400 famílias. O trajeto que antes era simples, agora exige um desvio quilométrico, dificultando o acesso a serviços básicos e até mesmo à educação para as crianças.
A situação se agrava pela ausência de um posto de saúde adequado na região. Atualmente, os atendimentos médicos mensais, oferecidos pela prefeitura, ocorrem de forma improvisada em uma igreja, que não dispõe de estrutura para macas e equipamentos. Os moradores buscam uma solução definitiva, cogitando reformar um prédio escolar abandonado para sediar a unidade de saúde.
A prefeitura de Terenos, em nota, afirmou que a população não está desassistida, com atendimentos volantes para facilitar o acesso. Sobre o prédio escolar, informou que foi desativado em 2012 por não comportar mais o número de alunos e não oferecer a estrutura necessária.
Rota alternativa de 30 km e impacto na educação
A principal consequência da interdição da ponte é a obrigação de um longo desvio para quem precisa se deslocar. Alex Chueriy explica que a rota alternativa exige um percurso de 30 quilômetros, passando pela ponte do Grego em direção a Campo Grande e retornando a Terenos. Essa distância se torna um obstáculo intransponível para muitos.
“Isso para quem tem condução. Quem não tem, fica à mercê de vizinho para ir ao supermercado ou outro lugar que tenha necessidade”, relata Chueriy, evidenciando a dependência e a dificuldade enfrentada pelos moradores sem transporte próprio. A situação expõe a vulnerabilidade de parte da comunidade.
O problema se estende à educação de 17 crianças que moram no loteamento Paturi. Sem acesso seguro à escola, elas estão impossibilitadas de frequentar as aulas regularmente. “Estão fazendo atividade em casa. Não tem outro jeito”, lamenta o vice-presidente da associação. A falta de transporte e a distância se tornam barreiras educacionais significativas.
A esperança em uma nova ponte e a luta por um posto de saúde
Os moradores cobram há tempos uma solução das prefeituras de Terenos e Dois Irmãos do Buriti. A preferência da comunidade é pela construção de uma nova ponte de concreto, mais segura e durável. No entanto, a responsabilidade pela obra recai sobre a Agesul (Agência de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul), pois a ponte foi construída com recursos estaduais e está localizada na divisa entre os municípios.
Uma luz no fim do túnel surgiu com o lançamento de uma licitação para o conserto da ponte, com valor estimado em R$ 1.302.304,31. A sessão de abertura das propostas está marcada para 16 de julho, às 9h30. A expectativa é que a obra traga o alívio necessário para a comunidade isolada.
Paralelamente à questão da ponte, a comunidade busca resolver a falta de um local adequado para atendimento médico. Os profissionais de saúde, enviados pela prefeitura, atendem mensalmente as famílias da região do Recanto Nuara, mas a falta de estrutura compromete a qualidade do serviço. Uma igreja tem cedido espaço, mas a necessidade de um local com macas e equipamentos é urgente.
Para arrecadar fundos e dar andamento à reforma de um prédio escolar abandonado, que serviria como unidade de saúde, os moradores organizaram uma festa julina. O objetivo é cobrir os custos de reforma, estimados entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, especialmente a falta de cobertura. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a comunidade espera ter alcançado ao menos R$ 12 mil para iniciar a obra, demonstrando a força e a união local.
Prefeitura de Terenos garante assistência, mas prédio escolar é desativado
Em resposta às demandas da comunidade, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Terenos informou que a população local não está desassistida. A prefeitura reforça que realiza “atendimentos volantes na região, justamente para facilitar o acesso em razão das distâncias e garantir a continuidade da assistência”.
Sobre o prédio escolar que os moradores pretendem reaproveitar, a nota da prefeitura explica que ele foi desativado devido à necessidade de transferir os estudantes para uma escola que atendesse uma demanda maior. “Trata-se de uma unidade multisseriada que foi desativada por volta de 2012, em razão da ampliação da demanda educacional com o crescimento dos assentamentos Sete de Setembro, Ouro Branco, São Pedro do Sul e Nova Aliança”, detalha a nota.
A prefeitura ainda esclarece que o espaço “já não comportava o número de alunos nem oferecia a estrutura necessária para o atendimento”. Desde então, os estudantes da região passaram a ser atendidos pela Escola Municipal Professora Vilma Fátima de Assis Barreto, que, segundo a prefeitura, está em pleno funcionamento. O Campo Grande NEWS questionou se a prefeitura busca outras soluções para a falta de espaço próprio para atendimento, mas a nota enviada não respondeu a essa pergunta específica, deixando um ponto de interrogação sobre futuras ações.
A situação em Terenos ilustra os desafios enfrentados por comunidades rurais isoladas, onde a infraestrutura precária e a falta de serviços básicos impactam diretamente a qualidade de vida dos cidadãos. A expectativa agora se volta para a licitação da ponte e para as ações que a prefeitura tomará em relação à unidade de saúde, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

