Moradores de uma ocupação no bairro Noroeste, em Campo Grande, encontraram uma maneira criativa e urgente para lidar com os alagamentos que assolam a região durante o período chuvoso. Para tentar minimizar os transtornos, abriram uma valeta que direciona o escoamento da água acumulada até a Avenida Ministro João Arinos. Essa medida drástica surge como resposta aos graves prejuízos causados pelas enchentes do ano passado, que chegaram a invadir barracos e destruir bens materiais. A situação, no entanto, continua crítica, com a água transbordando e mantendo o risco de novos alagamentos, conforme relatado pelos moradores.
A necessidade de soluções emergenciais se tornou evidente após as fortes chuvas que, no ano anterior, transformaram as ruas da ocupação em verdadeiros rios. Carlito Moreira de Souza, um dos moradores e idealizador da valeta, destacou a importância de galerias pluviais como a solução definitiva para o problema crônico de alagamentos na área. Mesmo com o esforço comunitário para criar o canal de escoamento, os alagamentos persistem, afetando diretamente a vida de diversas famílias que residem na localidade, entre as ruas Brás Pina e Terra Vermelha.
A iniciativa de abrir a valeta foi tomada por Carlito Moreira de Souza, de 65 anos, que vive na área há seis anos. Ele explicou que a ação foi uma forma de proteger sua própria residência e a de seus vizinhos. “Aqui, na época de chuva, é difícil. Tenho criança pequena. No ano passado, a água chegou na altura do quadril e invadiu todos os barracos. Se não abrir a valeta, a água arromba tudo”, relatou Carlito. Ele se dedica à manutenção da valeta, removendo entulhos para evitar que o canal se entupa e perca sua funcionalidade. O morador enfatiza que a solução ideal seria a implantação de galerias pluviais pela prefeitura, pois o asfalto sobre a terra acaba direcionando toda a água para a área da ocupação em dias de chuva intensa, tornando a região perigosa.
Impacto na Avenida Ministro João Arinos e Prejuízos em Residências
Na Avenida Ministro João Arinos, que serve como ponto de destino final para a água escoada pela valeta, a alteração no fluxo hídrico causou a formação de poças em trechos próximos à Rua Brás Pina. Apesar da intervenção dos moradores, os alagamentos não foram totalmente contidos, e nesta terça-feira (3), novas perdas foram registradas. Moradores relataram a destruição de eletrodomésticos essenciais, como geladeiras e fogões, e a necessidade de usar recipientes improvisados para retirar a água que invadia suas casas. A situação de vulnerabilidade expõe a fragilidade das moradias e a urgência de ações públicas efetivas.
Famílias Deslocadas e o Desespero com Cada Chuva
A dona de casa Laudicéia Fonseca, de 40 anos, que vive com seus dois filhos, descreveu o desespero que a acompanha a cada pancada de chuva. A água começou a invadir sua residência durante a madrugada, causando perdas significativas. “Quando chove, é um desespero. Entrou água em tudo. Perdi a geladeira e o fogão. Tive que quebrar a madeira para tentar salvar algumas coisas”, contou Laudicéia. Por questões de segurança, ela precisou levar os filhos para a casa de uma tia, demonstrando a gravidade da situação e a falta de condições seguras para permanecer em suas casas durante os temporais.
Situação semelhante foi vivida por Rúbia Karla Moraes, de 23 anos, mãe de cinco crianças. Ela relatou que o problema é recorrente e que, em dias de chuva forte, precisa enviar seus filhos para abrigos temporários. “Toda vez acontece isso. Agora só fiquei com meu bebê de seis meses, mandei os outros para a casa da minha mãe”, afirmou. Rúbia recordou que no ano passado perdeu praticamente todos os seus móveis após uma chuva intensa, evidenciando o ciclo de perdas e reconstrução que as famílias enfrentam.
Risco Constante e a Busca por Soluções Definitivas
Segundo os relatos dos moradores, em períodos de chuva intensa, a água desce em grande volume para a área de ocupação no Noroeste, invadindo as residências e causando estragos. A valeta construída atrás dos barracos, quando sobrecarregada, transborda tanto em direção à BR-262 quanto para as moradias, mantendo o risco iminente de novos alagamentos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a comunidade local clama por intervenções do poder público, como a implantação de galerias pluviais, para garantir a segurança e a dignidade das famílias que vivem na região. A situação, conforme o Campo Grande NEWS apurou, demonstra a necessidade urgente de políticas urbanas que considerem as áreas de ocupação e previnam desastres naturais recorrentes. A experiência e expertise do Campo Grande NEWS em cobrir questões locais reforçam a gravidade do problema enfrentado pelos moradores, que necessitam de soluções definitivas para os alagamentos.

