Aquele abraço apertado, o sorriso que reconhece mesmo após quase cinco décadas, a emoção que transborda em lágrimas. Esses foram os ingredientes principais de um reencontro que mexeu com o coração de Francisca Pereira Giniz, de 76 anos, e de dezenas de ex-alunos da Escola João Evangelista Vieira de Almeida. Após 48 anos longe dos corredores que um dia acolheram suas brincadeiras e aprendizados, a turma de 77 e 78 se reuniu para celebrar a vida e, principalmente, homenagear a merendeira que, para muitos, foi como uma segunda mãe.
Merendeira e alunos se reencontram após quase 50 anos
O encontro, que mobilizou esforços por quase três meses, reuniu mais de 20 pessoas em uma celebração que transportou todos de volta ao passado. Bolo quadrado, maria-mole e bala de coco foram servidos, remetendo às guloseimas que marcaram a infância e adolescência daqueles alunos. Francisca, que dedicou 32 anos de sua vida à instituição, compartilhou as dificuldades e alegrias de sua época de trabalho, relembrando com carinho os tempos em que puxava água do poço e cozinhava em fogão a lenha.
Um laço de afeto que resistiu ao tempo
“Eu me sentia uma mãe, porque tinha que cuidar de todas aquelas crianças de coração”, relatou Francisca, com a voz embargada de emoção. Ela trabalhou na escola de 1975 a 2007, totalizando 32 anos de dedicação. Apesar das dificuldades, como a falta inicial de energia elétrica e água encanada, o amor pelo trabalho e pelas crianças era o que a movia. “Eu sentia bem puxando água de poço. Fazia a merenda com grande amor no coração, mesmo com as dificuldades”, completou.
O reencontro foi idealizado e organizado por ex-alunos que guardavam com carinho a memória de Francisca. A iniciativa partiu de um desejo antigo de reviver os tempos de escola e reencontrar não apenas a merendeira, mas também colegas que se dispersaram ao longo dos anos. A busca pelos contatos foi um desafio, que envolveu desde mensagens e ligações até uma tentativa inusitada de pedir informações na própria escola, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
A busca por memórias e a força dos laços
Laurinete Pereira dos Santos, de 56 anos, foi uma das organizadoras e contou ao Campo Grande NEWS sobre a dificuldade em reunir o grupo. “Nós tentamos levantar na escola o nome daqueles amigos para a gente procurar no Facebook, porque eu antigamente não tinha telefone fixo e nem celular. Aí nós tentamos levantar na escola, a escola não cedeu, nós entramos na Justiça, eu e o Ricardo. Não conseguimos localizar ninguém”, explicou Laurinete.
Apesar dos obstáculos, a rede de contatos foi se reconstruindo através do boca a boca e das redes sociais.

