Pais de alunos da Escola Municipal Senador Rachid Saldanha Derzi, localizada no bairro Noroeste, em Campo Grande, estão em estado de alerta após a confirmação de um caso de meningite envolvendo uma criança de cinco anos, que estaria internada no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. A falta de comunicação oficial por parte da escola e da prefeitura tem intensificado o medo de um possível surto da doença entre os estudantes.
Pais cobram transparência da prefeitura
A notícia sobre a criança infectada se espalhou rapidamente através de grupos de WhatsApp, aumentando a preocupação dos responsáveis. Uma mãe de dois alunos da unidade escolar, de cinco e sete anos, expressou o receio de enviar os filhos para a escola. “A gente está com medo de mandar as crianças para a escola”, relatou, ressaltando a falta de informações diretas da instituição. “Sabemos pouca coisa porque a escola não falou nada para os pais”, reclamou.
O receio se intensifica com a circulação de um áudio em grupos do bairro, que sugere que a criança estaria em estado grave de saúde e que este seria o segundo caso de meningite na escola, alimentando o pânico de um surto. No entanto, a Prefeitura de Campo Grande não confirmou essas informações adicionais.
O Jornal Midiamax buscou esclarecimentos da prefeitura sobre a confirmação do caso, o tipo de meningite (viral, bacteriana, fúngica, parasitária ou não infecciosa) e se as aulas seriam suspensas. Até o momento da publicação da matéria, essas perguntas não foram respondidas, deixando os pais ainda mais apreensivos. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a falta de respostas oficiais contribui para a insegurança da comunidade.
Esclarecimentos pendentes da Semed e Sesau
A Secretaria Municipal de Educação (Semed) confirmou ter conhecimento do caso e afirmou que “adotou imediatamente as providências necessárias para o levantamento das informações e o monitoramento da situação na unidade escolar”. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que “foi prontamente acionada e realizou procedimentos técnicos de investigação epidemiológica, a fim de estabelecer um diagnóstico preciso do caso e orientar as medidas cabíveis”. Ambas as secretarias asseguram que acompanham a situação, mas os pais sentem falta de detalhes específicos.
A mãe de aluno pretende ir à escola na segunda-feira (6) para buscar mais informações, já que os dias 2 e 3 de abril foram de recesso pela Semana Santa. Ela lamentou que a comunicação tenha sido limitada a boatos em redes sociais, sem nenhum comunicado oficial da escola. “Estão acusando a escola, que a criança pegou lá. Mas não teve nenhum anúncio, nem bilhete. A gente não tem muita informação, apenas isso”, concluiu.
Dados sobre meningite em Campo Grande
De acordo com o painel de meningite da Sesau, Campo Grande registrou oito casos da doença em 2026 até o momento da consulta, sendo dois em crianças de um a 10 anos. Todos os registros ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro, sem novos casos em março. Desses oito casos, três evoluíram para óbito: um em janeiro (criança) e outro em janeiro (adulto), além de uma morte em fevereiro de uma pessoa entre 20 e 29 anos. Esses dados, embora assustadores, não especificam a origem dos contágios, o que aumenta a angústia dos pais. Conforme o Campo Grande NEWS analisou, a falta de detalhamento nos dados públicos pode gerar mais ansiedade.
O que é meningite e como se prevenir
O Ministério da Saúde define meningite como uma inflamação das meninges, membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, e em alguns casos, evoluir rapidamente, representando risco de vida. Condições não infecciosas, como doenças inflamatórias, traumas ou reações a medicamentos, também podem desencadear a meningite.
Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e a moleira estufada. As meningites bacterianas e virais são transmitidas de pessoa para pessoa por contato próximo, através de gotículas respiratórias. A transmissão também pode ocorrer por via fecal-oral ou por água e alimentos contaminados. Já as meningites fúngicas e parasitárias não são contagiosas entre pessoas, sendo adquiridas por inalação de esporos de fungos ou ingestão de alimentos contaminados por parasitas, respectivamente. Conforme o Campo Grande NEWS apurou, a prevenção envolve higiene e, em alguns casos, vacinação, dependendo do tipo de meningite.

