Suzilaine e o passado de medidas protetivas antes do sequestro do bebê
Suzilaine da Graça Costa, de 37 anos, investigada pelo chocante sequestro de um recém-nascido em Campo Grande, possuía um histórico que antecede o crime. Antes de ser apontada como a responsável por simular uma gravidez e subtrair uma bebê de 28 dias, ela já foi alvo de uma medida protetiva determinada pela Vara Especializada em Crimes Contra a Criança e o Adolescente (VECA) em Mato Grosso do Sul. O processo, embasado na Lei Henry Borel, foi arquivado em novembro de 2024, mas revela um contexto de conflitos familiares.
A VECA havia emitido a ordem judicial para proteger duas adolescentes, filhas de Suzilaine. As meninas haviam sido vítimas de abuso sexual pelo então companheiro da mãe, com a conivência dela. A medida visava afastá-las de Suzilaine e também das pessoas que passaram a cuidar delas após os abusos, diante do temor de ameaças proferidas pela própria mãe, que alegava ter ligações com facções criminosas.
Conforme apurou o Campo Grande News, a mulher tentou reaver a guarda das filhas em meio a esses conflitos. A solicitação da medida protetiva surgiu justamente para garantir a segurança das adolescentes e de seus responsáveis. No entanto, o processo foi definitivamente arquivado em 22 de novembro de 2024, após o Ministério Público entender que não havia elementos suficientes para sustentar uma ação penal.
Suzilaine é mãe de três filhos, e a criação das crianças, segundo informações, ficou majoritariamente sob responsabilidade de familiares. A investigada cresceu na região do Jardim Colibri, local que também foi palco de parte da investigação sobre o desaparecimento da bebê sequestrada.
O plano para sequestrar um recém-nascido
A investigação aponta que Suzilaine, após ter sua farsa de gravidez descoberta, passou a buscar uma criança para apresentar como sua filha. O plano culminou no sequestro de uma bebê de apenas 28 dias em Campo Grande. A criança foi retirada de uma família no Jardim Colibri e levada para o Paraguai.
A recém-nascida foi localizada dias depois, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, e devolvida aos pais. A polícia informou que o sequestro contou com a ajuda do companheiro de Suzilaine, Alex Melo de Abreu, que também foi preso. A escolha da vítima teria sido feita após Suzilaine procurar uma criança compatível com a história que ela inventava sobre sua suposta gestação.
A mãe da bebê foi atraída com promessa de dinheiro
A mãe da bebê sequestrada, uma adolescente de 17 anos, relatou ter conhecido Suzilaine pela internet enquanto ainda estava grávida. Inicialmente, a suspeita ofereceu um ensaio fotográfico para a recém-nascida. Posteriormente, a jovem recebeu a proposta de R$ 100 para cuidar de outra criança, o que serviu de pretexto para o crime.
Na madrugada do sequestro, Suzilaine teria deixado a mãe da bebê e a irmã dela, de 13 anos, nas proximidades de uma área de mata na região da UPA do Bairro Universitário, já sem a criança. A bebê foi encontrada em uma casa em Pedro Juan Caballero, onde Suzilaine e Alex foram detidos pelas autoridades paraguaias. O rastreamento de sinais telefônicos foi crucial para a localização do imóvel.
Histórico de conflitos e a Lei Henry Borel
O caso de Suzilaine da Graça Costa ganha contornos ainda mais complexos ao se considerar o processo anterior na VECA, com base na Lei Henry Borel. Essa lei, que visa combater a violência contra crianças e adolescentes, foi aplicada em um contexto onde Suzilaine era acusada de conivência com o abuso sexual de suas filhas pelo companheiro da época. A medida protetiva visava justamente afastá-la das vítimas e de quem as protegia, em razão de ameaças.
Apesar do arquivamento do caso na VECA por falta de elementos suficientes para ação penal, conforme o Campo Grande News checou, o histórico revela um padrão de comportamento preocupante. A tentativa de reaver a guarda das filhas e as alegações de ligações com facções criminosas pintam um quadro de instabilidade e risco que, infelizmente, parece ter se repetido em um crime ainda mais grave, o sequestro de um bebê inocente.
A importância da investigação e da justiça
A rápida ação das polícias de Mato Grosso do Sul e do Paraguai foi fundamental para a recuperação da bebê e a prisão dos suspeitos. O caso reforça a importância do trabalho das Varas Especializadas em Crimes Contra a Criança e o Adolescente e a necessidade de investigação aprofundada em casos de conflitos familiares que envolvam violência e ameaças. O Campo Grande News acompanhou de perto os desdobramentos desta investigação, trazendo informações atualizadas sobre o caso.
A recuperação da criança e a prisão de Suzilaine e Alex representam um alívio para a família da bebê e um passo importante na busca por justiça. A análise do histórico da investigada, conforme apurado pelo Campo Grande News, pode fornecer pistas importantes para entender as motivações por trás de seus atos e para prevenir futuros crimes.

