Médico réu por feminicídio é preso pela 3ª vez em Campo Grande

O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso novamente pela terceira vez em Campo Grande, nesta quinta-feira (3). Ele é réu pelo feminicídio da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, e foi encontrado na chácara onde vivia com a vítima e onde o crime ocorreu. A nova prisão atende a um mandado judicial expedido após a reconsideração de uma decisão anterior que o havia colocado em liberdade.

A decisão de recolher o médico à prisão foi tomada pelo desembargador Emerson Cafure, da 1ª Câmara Criminal do TJMS. Ele reverteu sua própria decisão anterior, restabelecendo a prisão preventiva decretada em 14 de agosto pela 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. O mandado tem validade de 20 anos e determina o recolhimento de Jazbik em prisão especial.

Ao ser levado para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), cercado por policiais e jornalistas, Jazbik Neto repetia: “Eu não matei a Fabíola. Eu não matei a Fabíola.” Ele também afirmou que vivia “em lua de mel” com a fisioterapeuta.

O caso Fabíola Marcotti

Fabíola Marcotti foi encontrada morta dentro da propriedade onde morava com o cardiologista, na região da Chácara dos Poderes, em 18 de maio deste ano. Inicialmente, Jazbik sustentou que a fisioterapeuta havia cometido suicídio. No entanto, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) concluiu que Fabíola foi assassinada.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou o cardiologista, que se tornou réu por feminicídio. Conforme a denúncia, Fabíola sofreu agressões físicas com um objeto não identificado antes de ser atingida pelo disparo fatal. A perícia apontou vestígios no quarto, como manchas de sangue e lesões, incompatíveis com a hipótese de suicídio.

Acusações contra o cardiologista

João Jazbik Neto responde por feminicídio qualificado, com agravantes como o meio cruel, o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e o emprego de arma de fogo de uso restrito. Ele também é acusado de violência psicológica contra a mulher, posse irregular de armas e fraude processual.

A defesa do cardiologista, liderada pelo advogado José Belga Trad, contesta as conclusões dos laudos periciais e sustenta a inocência do médico. É importante ressaltar que a prisão preventiva não configura condenação, e a responsabilidade criminal será determinada ao longo do processo judicial.

Conforme o Campo Grande NEWS checou, esta é a terceira vez que o médico é detido desde a morte da esposa. A primeira prisão ocorreu logo após a descoberta do corpo. Posteriormente, ele foi liberado, mas a revogação da liberdade ocorreu em novas ocasiões, evidenciando a complexidade do caso e a atuação da justiça.

A investigação detalhada pela Campo Grande NEWS aponta que a dinâmica dos fatos e as evidências coletadas foram cruciais para a reavaliação da liberdade do réu. A família da vítima tem buscado justiça e acompanhado de perto cada etapa do processo, demonstrando a importância do apoio e da cobertura jornalística detalhada.

O caso Fabíola Marcotti tem gerado grande repercussão em Campo Grande, levantando discussões sobre a violência doméstica e a aplicação da lei. A atuação da polícia e do judiciário em casos de feminicídio é frequentemente escrutinada pela sociedade, e a prisão de Jazbik Neto pela terceira vez reforça a persistência na busca por respostas e punições.

A equipe de reportagem do Campo Grande NEWS continua acompanhando o caso de perto, buscando trazer atualizações precisas e relevantes para a população. O objetivo é manter os leitores informados sobre os desdobramentos deste processo que envolve um crime de grande comoção social.

A complexidade das acusações e a natureza do crime exigem uma análise aprofundada de todas as provas. A justiça busca garantir que os fatos sejam esclarecidos e que os responsáveis sejam devidamente punidos, caso a culpa seja comprovada em todas as instâncias.