Marquinhos Trad detona Adriane por terceirizar Saúde de Campo Grande: ‘acredito no SUS’
O vereador Marquinhos Trad (PDT) manifestou forte oposição à proposta da prefeita Adriane Lopes (PP) de terceirizar o atendimento em unidades de saúde de urgência e emergência em Campo Grande. A medida, que prevê a gestão de UPAs e Centros Regionais de Saúde (CRSs) por Organizações da Sociedade Civil (OSCs), foi duramente criticada pelo parlamentar, que se declarou um defensor do Sistema Único de Saúde (SUS).
A crítica de Trad não se baseia em meras divergências políticas, mas, segundo ele, em estudos técnicos que apontam o insucesso de medidas semelhantes em outros locais. A preocupação do vereador é com a qualidade e a universalidade do atendimento à população, pilares do SUS que ele acredita estarem ameaçados pela terceirização.
Em suas declarações, Marquinhos Trad foi enfático ao afirmar que a atual gestão, incluindo os secretários que passaram pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), não apresentou melhorias significativas na área durante seus mandatos. Ele contrastou essa situação com a sua própria gestão, sugerindo que, ao menos no básico, a situação era mais satisfatória.
Críticas à gestão e questionamentos sobre alternativas
O ex-prefeito questionou a decisão de terceirizar os serviços, indagando por que a prefeitura não busca outras soluções. Ele sugeriu a contratação de leitos hospitalares e o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes para aprimorar a situação da saúde no município. Trad admitiu que a proposta de terceirização partiu do atual secretário de Saúde, Marcelo Vilela, que ocupou o mesmo cargo durante a gestão de Trad.
A proposta de terceirização tem gerado insatisfação não apenas entre os vereadores, mas também entre entidades representativas. Sindicatos de servidores municipais e o Conselho de Saúde de Campo Grande expressaram revolta, alertando para o risco de precarização dos serviços de saúde e das condições de trabalho dos profissionais. Essas organizações veem na medida um retrocesso na garantia do acesso universal e de qualidade à saúde pública.
Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, a iniciativa da prefeitura visa, segundo informações preliminares, otimizar a gestão e o atendimento nas unidades de urgência e emergência, diante de desafios como a demanda crescente e a necessidade de agilidade. A ideia é que as OSCs, com sua expertise em gestão de projetos sociais, possam trazer novas dinâmicas para o funcionamento das UPAs e CRSs.
No entanto, a resistência à terceirização é baseada em experiências passadas e na própria filosofia do SUS. A defesa do sistema público, que garante atendimento a todos, independentemente de condição financeira, é um ponto central na argumentação de Marquinhos Trad e das entidades de classe. Eles temem que a gestão privada, mesmo por meio de OSCs, possa priorizar a eficiência econômica em detrimento da integralidade e humanização do cuidado.
O vereador reforçou seu compromisso com o SUS, ressaltando que a saúde é um direito fundamental e que o poder público tem o dever de garantir sua oferta de forma pública e universal. Ele criticou a falta de transparência em algumas decisões e a ausência de um debate mais amplo com a sociedade civil sobre os rumos da saúde municipal. O Campo Grande NEWS tem acompanhado de perto essa discussão, buscando trazer todos os ângulos e informações relevantes para a população.
A polêmica em torno da terceirização da saúde em Campo Grande levanta um debate crucial sobre os modelos de gestão pública e a preservação dos princípios do SUS. Enquanto a prefeitura busca alternativas para melhorar o atendimento, críticos como Marquinhos Trad alertam para os riscos de desmonte do sistema público. A expectativa é que o diálogo entre as partes se intensifique, buscando soluções que garantam a qualidade e o acesso à saúde para todos os cidadãos de Campo Grande, como sempre buscamos informar em nossas reportagens no Campo Grande NEWS.
A oposição à terceirização também se fundamenta na preocupação com a estabilidade dos profissionais de saúde. A contratação via OSCs pode, segundo os sindicatos, gerar instabilidade nos vínculos de trabalho e dificultar a continuidade de políticas de saúde a longo prazo. A defesa de concursos públicos e de um quadro de servidores estável é uma bandeira levantada pelas entidades que se opõem à medida.
Em suma, a proposta da prefeita Adriane Lopes de terceirizar o atendimento de urgência e emergência em Campo Grande encontra forte resistência, liderada pelo vereador Marquinhos Trad e apoiada por sindicatos e pelo Conselho de Saúde. A defesa intransigente do SUS e a preocupação com a qualidade e o acesso universal aos serviços de saúde marcam o centro desse embate político e social.

