Marido condenado por morte da esposa, mas júri afasta feminicídio

Alfredo Netto foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão pela morte de Jussara Gimenez Pereira dos Santos, ocorrida em setembro de 2024, em Campo Grande. Contudo, o júri acolheu a tese de homicídio culposo, afastando a acusação de feminicídio. O filho da vítima, Douglas Aparecido, emocionou o plenário ao defender o padrasto, que o criou desde os 12 anos, declarando não o culpar pela morte da mãe.

Júri desclassifica feminicídio para homicídio culposo

O caso que chocou Campo Grande chegou a uma decisão no Tribunal do Júri. Alfredo Netto, marido de Jussara Gimenez Pereira dos Santos, foi condenado pela morte da esposa, ocorrida em setembro de 2024. No entanto, a tese defendida pela defesa, de que o disparo foi acidental, prevaleceu. Os jurados desclassificaram o crime de feminicídio para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

A condenação final estabeleceu uma pena de 4 anos e 6 meses de prisão, somando 2 anos e 6 meses pela morte de Jussara e mais 2 anos pelo porte ilegal de arma de fogo. Além disso, foi aplicada uma multa de 10 dias-multa. Conforme o advogado de defesa, Ivan Hidelbrand, a pena mínima para o homicídio culposo foi aplicada, e a expectativa é que a pena seja cumprida em regime aberto, considerando o tempo de prisão preventiva e o monitoramento por tornozeleira eletrônica já cumpridos pelo réu. A defesa informou que Alfredo Netto permaneceu preso preventivamente por quase cinco meses e utilizou tornozeleira eletrônica por seis meses, o que deve ser descontado da pena total.

O caso e as versões apresentadas

A morte de Jussara ocorreu após um disparo de arma de fogo enquanto ela estava com o marido. A investigação inicial da Polícia Civil apontou indícios de feminicídio, com a hipótese de que Alfredo teria atirado na esposa por não aceitar uma possível separação. Diante disso, o Ministério Público denunciou o acusado por feminicídio e porte ilegal de arma de fogo. Por se tratar de crime doloso contra a vida, o caso foi levado ao Tribunal do Júri.

Durante o interrogatório, Alfredo Netto reiterou a versão de que o disparo foi acidental. Ele alegou que o casal discutia dentro do veículo quando houve uma disputa pela arma. O réu também mencionou que enfrentava depressão e Parkinson e que, no dia do ocorrido, havia manifestado o desejo de tirar a própria vida. Segundo sua versão, Jussara teria tentado tomar o revólver, e o disparo teria ocorrido nesse momento. Em depoimento aos jurados, Alfredo chorou e, ao ser questionado pelo promotor, afirmou que não foi ele quem disparou a arma.

Depoimento emocionante do filho da vítima

Um dos momentos mais marcantes do julgamento foi o depoimento de Douglas Aparecido, filho de Jussara e criado por Alfredo Netto desde os 12 anos. Emocionado, Douglas falou sobre a convivência familiar e declarou que não responsabiliza o padrasto pela morte da mãe. Ele descreveu Alfredo como um homem que o criou e que foi um bom pai para ele e um bom companheiro para sua mãe.

Douglas relatou que o casal viveu junto por muitos anos e caracterizou a mãe como uma pessoa de personalidade forte, enquanto Alfredo seria mais tranquilo e reservado. Ele classificou a morte da mãe como uma “fatalidade”, reforçando a tese de acidente, conforme o Campo Grande NEWS checou. A declaração de Douglas teve grande impacto no plenário e, ao que tudo indica, influenciou a decisão dos jurados.

Decisão do júri e pena final

Após os debates entre acusação e defesa, os jurados rejeitaram a qualificadora de feminicídio e acolheram a tese de homicídio culposo. Com isso, Alfredo Netto foi responsabilizado pela morte de Jussara, mas sem o reconhecimento de que agiu com intenção de matar a esposa. A decisão final, portanto, foi de condenação por homicídio culposo e porte ilegal de arma de fogo, totalizando 4 anos e 6 meses de reclusão e detenção. O advogado de defesa, Ivan Hidelbrand, destacou ao Campo Grande NEWS que, com os descontos de pena, a expectativa é de que a pena seja cumprida em regime aberto, uma vez que o réu já passou um período considerável em prisão preventiva e sob monitoramento eletrônico.

O caso, registrado em 26 de setembro de 2024, foi julgado na 1ª Vara do Tribunal do Júri, sob a presidência do juiz Carlos Alberto Garcete. A decisão encerra um processo que se arrastava desde a morte de Jussara. O Campo Grande NEWS acompanhou os desdobramentos deste caso que gerou grande comoção na comunidade local.