Márcio Abreu: o guardião que resgata memórias de fitas antigas há 15 anos

Há cerca de 15 anos, o que para muita gente tinha virado objeto esquecido ganhou novo significado nas mãos de Márcio Abreu, de 66 anos. Em um estúdio montado em casa, ele se dedica a “reviver” memórias que pareciam perdidas no tempo, transformando fitas VHS, cassetes, Mini DV e até películas antigas em arquivos digitais acessíveis. O trabalho atende a uma demanda crescente de pessoas que guardaram lembranças em formatos que já não podem mais ser reproduzidos, conforme apurou o Campo Grande NEWS.

Com o avanço da tecnologia, aparelhos como videocassetes e tocadores antigos deixaram de ser fabricados, tornando impossível assistir a registros de décadas atrás. “Tem muita gente que tem fita em casa e nem sabe o que tem gravado ali. Não tem mais aparelho para ver, então fica tudo perdido”, comenta Márcio.

A digitalização exige paciência e técnica. Márcio explica que existem dois caminhos principais: usar uma placa de captura ligada ao computador ou transferir o conteúdo primeiro para DVD e depois converter para formatos digitais, como MP4. No estúdio, ele utiliza diferentes equipamentos ao mesmo tempo e consegue converter até quatro fitas simultaneamente, entregando grandes volumes de material em poucos dias.

Do banco para o audiovisual: uma paixão que virou profissão

Antes de mergulhar de vez no universo das imagens, Márcio trabalhou por 19 anos em um banco, chegando a ser gerente. Contudo, a fotografia como hobby o levou a uma nova direção. Nos anos 1990, o interesse se tornou profissão. Após comprar uma filmadora, ele começou a registrar festas e eventos. O que era renda extra virou negócio, e em 1993, ele decidiu deixar o banco para se dedicar exclusivamente ao audiovisual. “Eu fiz isso pela paixão”, destaca.

Desde então, Márcio acumulou experiências como cinegrafista, produtor e passou pela TV Educativa, trabalhando com jornalismo e projetos documentais, incluindo produções no Pantanal e gravações de aulas durante a pandemia. Hoje, a maior parte do trabalho é na digitalização de arquivos, fazendo uma ponte entre gerações tecnológicas. “É um trabalho que devolve uma lembrança para a pessoa. Isso não tem preço”, finaliza.

Memórias resgatadas emocionam clientes

Além das fitas mais comuns, como VHS, Márcio também trabalha com formatos raros, como Super 8 e Betacam, usados em produções antigas e até em emissoras de TV. Histórias emocionantes marcam sua trajetória.

“Uma vez atendi um idoso de 84 anos que trouxe um rolo de Super 8 com imagens do próprio casamento, gravadas uns 50 anos antes. Ele nunca tinha assistido ao material e quando viu, começou a chorar. Foi algo muito emocionante”, relembra Márcio, em depoimento ao Campo Grande NEWS.

Ele conta que histórias assim são comuns. Pessoas descobrem vídeos de aniversários, momentos em família e até imagens da infância das quais nem se lembravam mais. “Tem gente que traz várias e diz que não faz ideia do que tem na fita. A curiosidade é grande”, comenta.

Digitalização: um serviço com valor inestimável

O serviço de digitalização varia conforme o formato e o tempo de gravação. Em média, a digitalização de fitas custa a partir de R$ 40 por unidade, com até duas horas de conteúdo. Materiais mais antigos, como películas, têm valor mais alto. Um rolo pequeno de Super 8, por exemplo, pode custar cerca de R$ 100 para poucos minutos de gravação.

“Não tem comparação com o valor emocional. As pessoas ficam muito felizes quando conseguem ver de novo”, afirma Márcio. O trabalho de resgate de memórias, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, demonstra a importância de preservar a história pessoal e familiar em um mundo cada vez mais digital.