Malha Oeste em risco: MS cobra incentivo federal para atrair investidores

O Governo de Mato Grosso do Sul busca ativamente incentivos financeiros federais para viabilizar a concessão da Malha Oeste. O pedido foi feito pelo governador Eduardo Riedel diretamente ao Ministério dos Transportes, com o objetivo de tornar o trecho sul-mato-grossense mais atraente para investidores no leilão da ferrovia. O receio é que, sem subsídios equivalentes aos previstos para trechos paulistas, o leilão não atraia interessados, comprometendo um projeto considerado estratégico para a logística do estado. Conforme informado ao Campo Grande News, a solicitação visa equiparar as condições de investimento e garantir a competitividade do projeto. A iniciativa busca evitar que um ativo logístico fundamental fique sem o devido desenvolvimento, conforme o Campo Grande NEWS checou.

Malha Oeste: Estado busca subsídio federal para garantir leilão

A concessão da Malha Oeste, que prevê investimentos de R$ 29 bilhões ao longo de 57 anos, enfrenta um obstáculo crucial para a participação de investidores. O modelo de concessão atual, segundo o secretário de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez, prevê um incentivo financeiro para os trechos localizados em São Paulo, mas não para o segmento em Mato Grosso do Sul. Essa disparidade preocupa o governo estadual, que vê a retomada do modal ferroviário como uma das pautas mais importantes para o desenvolvimento econômico e a redução de custos logísticos.

A importância estratégica da Malha Oeste para Mato Grosso do Sul

A Malha Oeste abrange um trecho de 1.973 quilômetros, ligando Corumbá (MS) a Mairinque (SP), com a possibilidade de ser dividida em partes. Uma das opções é a conexão entre Corumbá (MS) e Bauru (SP), e outra, mais restrita, seria apenas o trecho entre Corumbá e Três Lagoas (MS). O governo de Mato Grosso do Sul argumenta que a falta de um subsídio federal para o trecho sul-mato-grossense, especialmente para a conexão até Três Lagoas, o torna menos competitivo. O Estado pede que a União considere um aporte de recursos para tornar os investimentos mais atrativos e equiparados aos de São Paulo, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

O novo projeto de concessão, finalizado em maio, estima R$ 29 bilhões em investimentos totais e R$ 3,6 bilhões em recursos públicos para o fomento de obras de infraestrutura. O secretário Perez ressalta que, embora seja uma concessão federal, o Estado tem contribuído com suas percepções sobre o mercado. A viabilidade econômica do trecho entre Corumbá e Porto Esperança é vista como clara, especialmente para o transporte de minério em conjunto com a hidrovia do Rio Paraguai. Já o trecho de Três Lagoas se conectaria com a Ferronorte, vinda de Mato Grosso, e com o fluxo de produtos para o Porto de Santos. Indústrias como Eldorado, Suzano e Arauco já planejam a construção de ramais para otimizar o escoamento de suas produções, indicando um potencial de mercado.

Desafios e oportunidades na relicitação da ferrovia

Apesar da demanda crescente, a estruturação de um mercado robusto no trecho interno da ferrovia é vista como essencial para sustentar a viabilidade econômica. O transporte de grãos e combustíveis são outros setores que podem impulsionar o uso dos trilhos. A vantagem competitiva para a exportação de minério está ligada à hidrovia, mas o transporte rodoviário ainda atende siderúrgicas nacionais e supri a demanda portuária em períodos de baixa no nível do Rio Paraguai. A oportunidade de retomar o transporte ferroviário no Estado é agora, com a União prevista para lançar a licitação ainda este ano. O risco de o lado de MS não atrair interessados é real, o que prejudicaria as chances de revitalização do trecho, conforme o Campo Grande NEWS destacou.

A licitação prevê investimentos que variam de R$ 29,1 bilhões a R$ 14,8 bilhões, dependendo do escopo e da estratégia operacional. O eixo principal da concessão são os 1.625 km entre Corumbá e Mairinque. O ramal Campo Grande-Ponta Porã, com 355 km, foi retirado da proposta inicial, mas o governo estadual pediu sua reinclusão, visando o transporte de grãos. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) já apresentou a concessão a investidores chineses em busca de capital estrangeiro, sinalizando o interesse internacional no projeto.

O futuro da Malha Oeste e a urgência da decisão federal

O projeto da Malha Oeste está em processo de relicitação há quase seis anos, desde que a Rumo, atual operadora, apresentou o pedido de devolução em julho de 2020. Desde então, o projeto passou por estudos e revisões sem que o leilão fosse realizado. Recentemente, a ANTT anunciou R$ 26,9 milhões em créditos para a manutenção da ferrovia, conforme acordo firmado com a Rumo para garantir a operação durante os 180 dias seguintes ao encerramento da concessão original, em 30 de junho. Esses créditos cobrem serviços como roçada, capina, vigilância e monitoramento dos trilhos. A Rumo continua responsável pela gestão e segurança da linha até a conclusão dos preparativos para a relicitação, garantindo a continuidade da operação enquanto o governo busca viabilizar o futuro do modal ferroviário no estado, uma pauta que exige agilidade e decisão federal para não perder o momento.