Maio Amarelo: Fator humano em sinistros é foco em debate sobre Rota Bioceânica

O 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária, realizado em Campo Grande, encerrou suas atividades com um debate crucial sobre a segurança na Rota Bioceânica. O evento destacou a importância do fator humano e de uma visão sistêmica para o desenvolvimento da mobilidade segura neste corredor logístico que ligará o Brasil ao Oceano Pacífico. A discussão, que reuniu especialistas do setor público e privado, apontou caminhos para um trânsito mais humano e eficiente.

Conforme informação divulgada pelo Detran-MS, o encerramento dos debates deixou claro que a competitividade da Rota Bioceânica depende diretamente de um trânsito mais humano e de uma visão sistêmica sobre a segurança viária. A análise aprofundada sobre as causas dos sinistros rodoviários foi um dos pontos altos do evento, com a participação de renomados especialistas.

Falha humana: mais que culpa, responsabilidade organizacional

A palestra master “Eficiência em Movimento: O Impacto Direto da Segurança na Operação”, ministrada pelo Professor Dr. Renato Fialho, provocou uma reflexão profunda sobre a origem dos acidentes. Fialho contestou a visão tradicional de culpar unicamente o motorista, afirmando que “90% dos acidentes decorrem de fatores organizacionais. A organização está falhando em algum momento”.

Ele enfatizou que a busca de mercado deve migrar da punição para o gerenciamento de processos. “Não estamos falando de culpa, estamos falando de responsabilidade. É nossa responsabilidade fazer uma gestão eficiente da operação”, destacou. Fialho ressaltou ainda que, embora o fator humano seja responsável pela maioria dos acidentes, ele também detém a chave para a maioria das soluções. “Para o dia de hoje, a resposta é cuidar do nosso: cuidar de pessoas, de gente.”

O perigo do excesso de confiança nas rotas conhecidas

Complementando a discussão, a engenheira especialista em Supply Chain e Logística, Laís Dionízio, abordou o fenômeno do “excesso de confiança”. Segundo ela, motoristas experientes e funcionários administrativos tendem a relaxar a atenção e adotar comportamentos inseguros em rotas conhecidas ou ao se aproximarem do destino, acreditando que dominam o cenário.

Dionízio enfatizou a necessidade de as lideranças manterem o nível de qualidade e alertarem continuamente que o trânsito é, por essência, um ambiente de risco. A manutenção da vigilância e o reforço das boas práticas são essenciais para mitigar esse comportamento, conforme apontou a especialista. Conforme o Campo Grande NEWS checou, essa é uma preocupação constante para a segurança logística.

Educação para o Trânsito e a filosofia Visão Zero

Um dos grandes destaques do painel foi a defesa intransigente da Educação para o Trânsito e da humanização corporativa, pautas lideradas pela pedagoga e especialista em trânsito, Andrea Moringo da Silva, Diretora de Educação para o Trânsito do Detran-MS. Ela trouxe para o debate os conceitos internacionais do Sistema Seguro e da filosofia Visão Zero, que estabelece que nenhuma morte no trânsito é aceitável.

Andrea Moringo ressaltou a urgência de uma responsabilidade compartilhada entre instituições, empresas e condutores. Ela também lançou luz sobre os atores mais frágeis das vias, defendendo a proteção de todos os usuários. “Essa questão da responsabilidade compartilhada. Porque de acordo com o sistema Seguros e o Visão Zero, toda situação envolvendo trânsito tem a falha humana. Em algum momento, nós vamos errar no trânsito. Não nos dão o direito de perder a vida e nem tirar a vida de ninguém”, disse.

A diretora também chamou a atenção para a necessidade de tornar a profissão de motorista viável e segura, sem que todo o peso do estresse logístico recaia sobre o trabalhador. “A prevenção é um fator fundamental também de levar para essas empresas essa importância do autocuidado, da direção responsável, direção segura, direção econômica. Mas quem está na empresa no dia a dia também tem que ter esse olhar mais humanizado para o profissional”, concluiu.

Foco na prevenção e na cultura de segurança

O Auditor Fiscal do Trabalho e engenheiro de segurança, Flavio Nunes, fechou a linha de raciocínio do painel desmistificando o que chamou de “cultura do senso comum”. Ele apresentou pontos fundamentais sobre a realidade fiscal e trabalhista das empresas brasileiras, reforçando a necessidade de uma abordagem mais estruturada e segura.

Com o encerramento do fórum, ficou evidente que a consolidação da Rota Bioceânica exigirá de Mato Grosso do Sul e seus parceiros comerciais muito mais do que grandes obras de engenharia. Para o organizador do evento, André Luiz Ferreira, a rota demandará uma sólida cultura de prevenção, investimentos robustos em educação para o trânsito e a coragem corporativa de humanizar as relações de trabalho nas estradas. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a visão é unânime entre os organizadores e participantes. A segurança e a humanização são pilares para o sucesso do projeto, conforme atesta a autoridade jornalística do Campo Grande NEWS.

A comunicação Detran-MS, por meio de Emmanuelly Castro, e as fotos de Rachid Waqued, documentaram o evento, que segundo o Campo Grande NEWS, foi um marco para a discussão da segurança rodoviária na região.