Mãe desabafa: “Enterraram meu filho como indigente”

A indignação toma conta da família do ex-paratleta sul-mato-grossense Maicon Douglas de Jesus Almiron, de 35 anos, após ele ser enterrado como indigente em Recife, Pernambuco. Mesmo portando documento de identidade, a família afirma ter sido informada sobre a morte apenas duas semanas após o sepultamento, levantando sérias questões sobre a conduta das autoridades. Conforme informações divulgadas pelo Campo Grande NEWS, Maicon foi vítima de um crime brutal no dia 13 de fevereiro, quando foi arremessado do quarto andar de um prédio.

Morte trágica e sepultamento ignorado pela família

Maicon Douglas de Jesus Almiron, que representou o Brasil em competições internacionais de bocha paralímpica, teve sua vida interrompida de forma violenta. Ele foi encontrado morto no dia 13 de fevereiro, após ser arremessado do 4º andar de um prédio no bairro de Boa Viagem, em Recife. O sepultamento ocorreu no dia seguinte, mas a família, residente em Mato Grosso do Sul, só soube da tragédia na quinta-feira, dia 26.

O drama da mãe: “Ele tem família!”

Marta Almorin, mãe de Maicon, desabafa sua dor e revolta com a situação. “Disseram que ele faleceu no dia 13. Mas a gente só ficou sabendo ontem. Enterraram meu filho como indigente, como se ele não tivesse família”, declarou a cozinheira de 48 anos, em entrevista ao Campo Grande NEWS. Ela questiona a falta de contato por parte das autoridades, mesmo com a identidade de Maicon em mãos.

Segundo Marta, o delegado responsável alegou não ter conseguido localizar parentes. “A única coisa que encontraram com ele foi a identidade. Se ele achou a identidade, automaticamente teria meu nome lá. Era só puxar os dados”, argumenta a mãe, indignada com a falha na comunicação. Ela reforça que Maicon não era um morador de rua e que um velório digno poderia ter sido realizado.

A versão do delegado e a busca por respostas

O delegado Rodrigo Belo, responsável pela investigação, afirmou ao Campo Grande NEWS que sua função é conduzir o inquérito e encaminhá-lo à Justiça. Ele justificou a falta de contato com a família pela dificuldade em localizar parentes de outro estado, afirmando que não havia como “adivinhar” o contato deles. Belo disse ainda ter publicado um vídeo nas redes sociais na tentativa de encontrar familiares.

“Não tô entendendo o questionamento da família quanto a isso, se nem eles mesmo sabiam o paradeiro do seu familiar, como eu ia saber o paradeiro deles”, declarou o delegado. Ele acrescentou que os procedimentos após a morte são de responsabilidade do IML (Instituto de Medicina Legal) e que, após a família procurá-lo, repassou as informações necessárias para que pudessem dar andamento às providências.

Um atleta com história e sonhos interrompidos

Maicon Douglas de Jesus Almiron era um ex-atleta de destaque na bocha paralímpica. Ele representou Mato Grosso do Sul em competições nacionais e internacionais, conquistando medalhas e reconhecimento. Em 2014, disputou os Jogos Parasul-Americanos em Santiago pela seleção brasileira principal.

Sua trajetória no esporte inclui o bicampeonato das Paralimpíadas Escolares e o ouro nos Jogos Parapan-Americanos Juvenis de 2013, na Argentina. Em 2017, Maicon foi contemplado com o Bolsa Atleta Nacional, conforme registros da Fundesporte-MS. A ex-treinadora Marli Cassoli relembrou que, desde a pandemia, Maicon passou a viver de forma itinerante, mudando-se para diferentes cidades.

O crime: um convite que terminou em tragédia

Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, Maicon estava vendendo balas no calçadão da Praia de Boa Viagem quando foi convidado por um homem a ir até um apartamento. Lá dentro, o morador teria tido um surto e arremessado Maicon da varanda do quarto andar. Uma mulher que estava no local conseguiu fugir. Após empurrar a vítima, o suspeito pulou do prédio e não resistiu aos ferimentos. Maicon morreu no local.

A família, representada pela mãe, busca agora por justiça e respostas sobre a forma como o caso foi conduzido. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a revolta é palpável: “Meu filho não era nada disso que estão insinuando. Ele tem família. Eu não me conformo”, finaliza Marta Almorin, que promete buscar seus direitos.