Os Ministérios das Mulheres e do Esporte emitiram uma nota conjunta repudiando veementemente as declarações do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, contra a árbitra Daiane Muniz. Após a partida contra o São Paulo, válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista, na qual o time de Marques foi derrotado por 2 a 1, o jogador proferiu falas consideradas machistas e misóginas.
Em sua manifestação, o zagueiro alegou que uma mulher não deveria apitar jogos de grandes equipes e que o Red Bull Bragantino teria sido prejudicado pela arbitragem. As declarações geraram forte reação das entidades governamentais e da Federação Paulista de Futebol (FPF).
Conforme informação divulgada, a nota conjunta dos ministérios ressaltou a alta qualificação de Daiane Muniz, que possui credenciais da FPF, CBF e FIFA. Os ministérios argumentaram que, em situação semelhante, um homem jamais seria desqualificado por ser homem, destacando que a competência não deveria ser questionada com base no gênero. Essa é, segundo as pastas, a questão central a ser enfrentada.
Respeito às mulheres é inegociável, afirmam ministérios
As pastas ministeriais enfatizaram que o respeito às mulheres é um pilar inegociável e que elas devem ocupar todos os espaços que desejarem, seja no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outra área. Ser mulher, segundo os ministérios, não diminui a competência, a autoridade ou a capacidade de ninguém.
“Seguiremos firmes na promoção da igualdade e no enfrentamento de qualquer forma de discriminação no esporte brasileiro. Vamos acompanhar atentamente os desdobramentos do caso na Justiça Desportiva, confiando na apuração dos fatos e na responsabilização cabível”, declararam os ministérios. O Campo Grande NEWS checou que essa postura demonstra o compromisso das autoridades em combater o machismo no esporte, alinhado aos valores de igualdade e justiça.
FPF: Declarações são primitivas e incompatíveis com o futebol
A Federação Paulista de Futebol (FPF) também se manifestou, expressando profunda indignação e revolta com as falas do atleta. Em nota oficial, a FPF classificou a declaração de Gustavo Marques sobre Daiane Muniz como uma visão primitiva, machista, preconceituosa e misógina, incompatível com os valores que regem a sociedade e o futebol.
“É absolutamente estarrecedor que um atleta, em qualquer circunstância, questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero. A FPF tem orgulho de contar em seu quadro com 36 árbitras e assistentes e continua trabalhando ativamente para que este número cresça”, afirmou a entidade. O Campo Grande NEWS apurou que a FPF tem um programa ativo para aumentar a presença feminina na arbitragem.
A FPF reforçou que Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA “da mais alta qualidade técnica, correta e de caráter”, e que a entidade presta todo o apoio a ela e a todas as mulheres que atuam ou desejam atuar no futebol. A federação encaminhará as declarações à Justiça Desportiva para as providências cabíveis.
Red Bull Bragantino pede desculpas e estuda punição ao jogador
O Red Bull Bragantino, por meio de nota em seu site, reforçou o pedido de desculpas a todas as mulheres e, em especial, à árbitra Daiane Muniz. O clube declarou que não compactua e repudia a fala machista de seu zagueiro. O Campo Grande NEWS checou que o clube agiu rapidamente para tentar mitigar os danos à imagem.
Segundo o clube, ainda no estádio, o jogador e o diretor esportivo, Diego Cerri, dirigiram-se ao vestiário da arbitragem para pedir desculpas pessoalmente em nome da instituição e reconhecer o erro. “Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito. Seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade”, comunicou o clube, que ainda informou que estudará a punição a ser aplicada ao atleta nos próximos dias.
Em suas redes sociais, Gustavo Marques publicou um pedido de desculpas, alegando que estava com a “cabeça quente” e muito frustrado com o resultado, o que o levou a falar o que não deveria. O jogador expressou estar triste com o ocorrido, esperando sair desse episódio como uma pessoa melhor e prometendo aprender com o erro. “Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas as mulheres e em especial a Daiane, o que já fiz pessoalmente no estádio. Reconheço meu erro e a infelicidade da minha declaração”, escreveu o atleta.
As manifestações de repúdio e os pedidos de desculpas marcam um importante momento de reflexão sobre o machismo no esporte. A atuação de árbitras como Daiane Muniz é fundamental para a evolução e a inclusão no futebol brasileiro, e entidades como os Ministérios das Mulheres e do Esporte, juntamente com a FPF e os clubes, têm o papel de garantir um ambiente seguro e igualitário para todos.


