Um projeto inovador que eleva o valor da macaúba, fruto nativo do Cerrado, conquistou o 3º lugar na Região Centro-Oeste no programa Supernova. A iniciativa, batizada de Macavida, é desenvolvida por estudantes da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em Nova Andradina e tem como objetivo principal transformar a bioeconomia em um negócio sustentável, gerando renda no campo e garantindo o aproveitamento integral do fruto. O projeto, que nasceu em 2025, já colhe frutos de seu trabalho, recebendo reconhecimento nacional e impactando positivamente a vida de agricultoras familiares.
Macavida: Inovação e Sustentabilidade no Campo
O Macavida se destaca por sua abordagem completa, que vai desde a coleta do fruto até a produção de alimentos nutritivos e fertilizantes orgânicos. A iniciativa, como informado pelo Campo Grande NEWS, demonstra um forte compromisso com a bioeconomia, aproveitando integralmente a macaúba, reduzindo o desperdício e promovendo a economia circular. Essa cadeia produtiva sustentável não só fortalece a produção rural, mas também contribui significativamente para a diminuição dos impactos ambientais e das emissões de gases de efeito estufa.
O projeto é uma criação do Time Enactus da UFMS, que se dedica a desenvolver soluções de empreendedorismo social com foco em impacto socioambiental. Através do programa, estudantes aplicam seus conhecimentos acadêmicos para transformar realidades em comunidades vulneráveis, conectando a teoria à prática de forma efetiva. A professora conselheira do Enactus em Nova Andradina, Gislayne Goulart, explica que o modelo de negócio é uma verdadeira cadeia de valor completa.
“É uma cadeia de valor completa: gera renda para o campo, saúde para a população e preservação do bioma Cerrado. Até o momento, já impactamos diretamente agricultoras familiares da Aproolga (Associação das Produtoras do Assentamento Santa Olga), formada por mais de dez mulheres, e estamos validando nosso MVP (uma versão simplificada do produto) para alcançar ainda mais comunidades”, detalha a professora, em declaração repercutida pelo Campo Grande NEWS.
Transformando Resíduos em Riqueza
A macaúba, muitas vezes subutilizada, é coletada em pequenas propriedades rurais e processada para a criação de alimentos ricos em nutrientes. O que antes seria descartado, como os resíduos do fruto, é transformado em bioinsumos. Esses bioinsumos retornam ao solo, enriquecendo o cultivo de hortaliças e fortalecendo a agricultura familiar. Essa prática não só agrega valor ao produto, mas também fecha o ciclo da economia circular, minimizando o impacto ambiental.
O projeto Macavida reúne uma equipe multidisciplinar de 12 integrantes, entre estudantes e professores, que trabalham em colaboração com associações rurais e especialistas na macaúba. Para os estudantes envolvidos, como o acadêmico de Administração João Lucas Silva, a iniciativa representa uma oportunidade única de aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula em projetos com impacto real na comunidade. “Além de contribuir com a comunidade, desenvolvemos trabalho em equipe e responsabilidade social”, relata.
Reconhecimento Nacional e Potencial de Crescimento
A conquista do 3º lugar no programa Supernova, uma iniciativa do Ministério da Educação em parceria com o Sebrae, é um marco importante para o Macavida. O programa envolveu mais de 3 mil estudantes de todo o país em capacitações para a criação de negócios inovadores. O prêmio no Supernova valida o trabalho da equipe e fortalece a cultura de empreendedorismo e inovação da UFMS no interior do estado, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.
Este não é o primeiro reconhecimento para o Macavida. O projeto já foi semifinalista do Prêmio Alimentação em Foco 2026, da Fundação Cargill, conquistou o 3º lugar no Prêmio Jovem Sucessor Rural, do Sistema Famasul/Senar-MS, e figurou entre os 20 melhores do Prêmio Inspirando Cuidado 2026, promovido pelo Instituto Sabin e Enactus Brasil. Esses prêmios atestam a relevância e o potencial do projeto em diversas frentes.
Um Futuro Sustentável com a Macaúba
O sucesso do Macavida reforça a importância de explorar e valorizar os recursos naturais do Cerrado de forma sustentável. A iniciativa demonstra que é possível conciliar geração de renda, desenvolvimento social e preservação ambiental, utilizando a força da bioeconomia e do empreendedorismo universitário. O projeto serve de inspiração para outras iniciativas que buscam transformar a realidade do campo e promover um futuro mais sustentável para todos.
A equipe do Macavida acredita que a conquista nacional confirma que o projeto está no caminho certo e ressalta a importância de programas de incentivo que apoiam o desenvolvimento de alunos e suas iniciativas inovadoras. Com essa trajetória de sucesso, o futuro da macaúba como protagonista na bioeconomia parece cada vez mais promissor.

