Lula lamenta morte de Mãe Carmen Oxaguian, líder do Terreiro do Gantois: ‘Cultivou amor’

Presidente Lula e autoridades lamentam a partida de Mãe Carmen Oxaguian, líder espiritual do Terreiro do Gantois, aos 98 anos.

A notícia do falecimento de Mãe Carmen Oxaguian, aos 98 anos, repercutiu fortemente em todo o país. A ialorixá, que comandava o tradicional Terreiro do Gantois em Salvador, Bahia, foi homenageada por diversas personalidades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em carta de pesar, Lula e a primeira-dama, Janja, expressaram profunda tristeza pela perda. A liderança de Mãe Carmen, que esteve à frente do terreiro por mais de duas décadas, foi destacada como um exemplo de amor e dedicação à tradição ancestral.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e o músico Gilberto Gil também se manifestaram, ressaltando a importância de Mãe Carmen para a cultura e espiritualidade afro-brasileira. O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania também divulgou nota de pesar. Conforme informações divulgadas, a notícia foi recebida com grande comoção.

Lula destaca legado de amor e ancestralidade

O presidente Lula, em sua nota de pesar, ressaltou o papel de Mãe Carmen Oxaguian na liderança do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyamase, conhecido como Terreiro do Gantois. Ele enfatizou que ela “liderou com muito amor” o terreiro por mais de 20 anos, mantendo viva a chama da espiritualidade africana no Brasil.

“Eu e Janja ficamos profundamente tristes com a partida da querida Mãe Carmen de Oxaguian”, declarou o presidente. Ele também mencionou que a ialorixá cultivou a tradição ancestral transmitida por matriarcas como Mãe Menininha, honrando um compromisso sagrado.

A influência de Mãe Carmen se estendeu pela cultura e pelo coração dos brasileiros, mantendo “acesa a chama da espiritualidade africana que fez uma nova casa no Brasil”, conforme palavras do presidente Lula.

Ministra da Cultura e Gilberto Gil prestam homenagens

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, utilizou suas redes sociais para exaltar as qualidades de Mãe Carmen. Ela descreveu a ialorixá como uma “grande mulher de fé que cultivou amor, acolhimento e a força de quem lidera pelo exemplo”.

O músico Gilberto Gil, neto de Mãe Menininha e figura importante na cultura brasileira, também manifestou seu pesar. “Partiu hoje deixando muitas saudades. Descanse em paz! Que Obatalá nos proteja”, escreveu Gil, lamentando a morte da “filha mais nova de Mãe Menininha”.

Mãe Carmen Oxaguian: uma vida dedicada à fé e à ancestralidade

Mãe Carmen Oxaguian, cujo nome religioso era Carmen Oliveira da Silva, nasceu em 29 de dezembro de 1926, na própria Casa do candomblé. Ela foi iniciada aos sete anos de idade e assumiu a liderança do Terreiro do Gantois em 2002, sucedendo outras matriarcas.

Sua trajetória de vida foi marcada pela profunda conexão com a ancestralidade e pela dedicação à comunidade religiosa. Ela deixou duas filhas, três netos e quatro bisnetos, que agora seguem seu legado.

Velório e sepultamento em Salvador

O velório de Mãe Carmen Oxaguian teve início na noite de sexta-feira (26) e se estendeu até sábado (27), quando ocorreu o sepultamento em Salvador. A comunidade do Gantois e admiradores de sua trajetória se despediram da líder religiosa, reconhecendo sua imensa contribuição para o candomblé e para a cultura brasileira.

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania destacou que a partida de Mãe Carmen representa “uma grande perda para o povo de santo, para a Bahia e para o país”. Sua vida é lembrada como um legado de sabedoria, firmeza espiritual e compromisso com a ancestralidade.