Lojistas de Campo Grande reclamam de bloquinho de carnaval que interditou rua central

Comerciantes da Rua 14 de Julho, na região central de Campo Grande, expressaram insatisfação e surpresa com a interdição inesperada da via na tarde desta quinta-feira (5). A rua foi tomada por caminhões e equipamentos para a montagem de um evento festivo, um “bloquinho” de carnaval, organizado pela deputada federal Camila Jara (PT) e pelo vereador Jean Ferreira (PT). A falta de aviso prévio gerou preocupação e prejuízos para os lojistas, que já enfrentam um período de baixo movimento.

Bloquinho de carnaval causa transtorno e revolta em Campo Grande

A Rua 14 de Julho, um dos importantes corredores comerciais de Campo Grande, foi palco de um evento carnavalesco que, apesar de festivo, gerou forte descontentamento entre os comerciantes locais. O “Tropicampão”, como foi batizado o bloco, foi organizado para celebrar o aniversário da deputada federal Camila Jara e do Partido dos Trabalhadores (PT). A interdição da via, sem comunicação prévia aos estabelecimentos, pegou muitos de surpresa, impactando diretamente o fluxo de clientes e as vendas.

Falta de aviso prévio prejudica comerciantes em Campo Grande

Um dos lojistas, que preferiu não se identificar, relatou ao Campo Grande NEWS a apreensão geral. “Estamos todos preocupados com o movimento na rua, que já está baixo. Acredito que seja de propósito para nos pegar de surpresa e não conseguirmos fazer nada de última hora”, desabafou o comerciante. A falta de comunicação sobre a interdição obrigou os estabelecimentos a avisarem seus clientes em cima da hora, o que, segundo o lojista, dificultou ainda mais a rotina e a atração de consumidores.

Ainda segundo o relato, a situação é particularmente delicada para as lojas de decoração da Rua 14 de Julho, que costumam ter um movimento mais expressivo em comparação com outras áreas centrais. “Estamos avisando os clientes tudo em cima da hora. A 14 tem quatro lojas grandes de decoração e nós já temos um movimento melhor que o restante do centro”, acrescentou o comerciante, evidenciando o impacto econômico do evento inesperado.

Moradores acionam a polícia, mas evento possui autorização

O desconforto não se limitou aos comerciantes. Um morador da região chegou a acionar a polícia para registrar reclamações sobre o evento. No entanto, foi informado de que a ação possuía autorização da prefeitura, o que impediu qualquer intervenção policial mais efetiva. A realização do evento, que contava com estrutura de palco, som e atrações como escola de samba, roda de samba e DJs, coincidiu com um momento delicado para a comunidade comercial.

Agenda política e evento carnavalesco em Campo Grande

O bloco “Tropicampão” foi divulgado nas redes sociais pela deputada Camila Jara e pelo vereador Jean Ferreira, ambos do PT. A programação incluiu apresentações musicais com hits carnavalescos. Conforme apurado pelo Campo Grande NEWS, o evento também contou com a presença do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, que estava em Campo Grande para cumprir agendas do programa “Governo do Brasil na Rua”.

O que gerou ainda mais polêmica foi a coincidência do evento com uma audiência pública na Câmara Municipal. A discussão agendada visava debater os impactos das taxas de coleta de lixo e do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) sobre os contribuintes da Capital. Para muitos, a realização de um evento festivo em um momento de discussão de temas econômicos sensíveis para a população e o comércio local soou como uma prioridade equivocada.

A organização do evento, embora autorizada, demonstrou uma aparente falta de sensibilidade com o comércio local, que já luta para manter suas atividades em meio a um cenário econômico desafiador. A notícia, que chegou ao conhecimento do Campo Grande NEWS através de um leitor pelo canal Direto das Ruas, reflete a importância da comunicação e do planejamento em ações que impactam o espaço público e a vida dos cidadãos e empresários.

A deputada Camila Jara e o vereador Jean Ferreira não comentaram oficialmente as reclamações dos lojistas até o fechamento desta matéria. A expectativa é que a prefeitura e os organizadores do evento busquem, em futuras ocasiões, maior diálogo com os setores afetados para evitar transtornos semelhantes.