Loja histórica em Campo Grande é alvo de pichação e comerciante denuncia insegurança no Centro
Câmeras de segurança registraram a ação de um jovem que pichou a porta de um comércio na Rua Treze de Maio, região central de Campo Grande, na noite de quinta-feira. Apesar do susto, o ato resultou apenas em dano ao patrimônio, sem registro de furto. O caso veio à tona neste domingo (3), quando o empresário proprietário do estabelecimento procurou a reportagem para relatar o ocorrido e expressar sua preocupação com a segurança.
Comerciante relata série de invasões e prejuízos milionários
O jovem foi flagrado por câmeras de segurança pichando a porta da Molina Uniformes, na Rua Treze de Maio, em Campo Grande, na última quinta-feira. O estabelecimento, com uma história de 63 anos, havia instalado a porta recentemente, após sofrer quatro invasões apenas em 2024, totalizando prejuízos de R$ 20 mil. Duas pedestres corajosas confrontaram o suspeito, impedindo que o dano fosse maior e o fazendo fugir.
O empresário Anilom Molina, dono da Molina Uniformes, buscou a reportagem para dar visibilidade ao caso e expressar sua gratidão às mulheres que intervieram. Ele também aproveitou para denunciar a crescente insegurança no centro da cidade, que tem afetado diretamente o seu negócio e a tranquilidade dos comerciantes locais.
Segundo o relato do empresário, o incidente ocorreu por volta das 19h30. “Um jovem pichou a nossa porta de correr às 19h30 sem medo, sem preocupação em ser visto. Não o conhecemos e nunca fizemos nada contra essa pessoa”, afirmou Anilom Kalil Molina, em declaração que ressalta a ousadia do ato.
Pedestres heroínas enfrentam pichador e o fazem recuar
O que mais chamou a atenção, segundo Anilom, foi a reação de duas mulheres que passavam pelo local no momento da ação. Elas teriam confrontado o rapaz de forma decidida. As imagens captadas pelas câmeras de segurança mostram o jovem com uma lata de spray na mão quando é abordado por uma das pedestres, que pergunta: “Você tem ordem para fazer isso aí?”. O rapaz responde de forma evasiva: “Tenho, é a empresa da minha mãe”.
Em seguida, ele questiona a pedestre: “A senhora não gosta?”, e ouve como resposta enfática: “Odeio”. O suspeito encerra a breve discussão dizendo “minha mãe gosta” e deixa o local balançando a lata de spray. As mulheres, com sua atitude corajosa, conseguiram fazer o jovem recuar, evitando maiores danos.
Para o empresário, a atitude das pedestres foi determinante. “As mulheres que passavam no momento se indignaram com a ação dele. Mesmo correndo perigo à noite, elas enfrentaram o rapaz e o fizeram recuar. Duas heroínas”, disse ele, visivelmente emocionado com o gesto de solidariedade e coragem.
Molina Uniformes: Tradição e luta contra a criminalidade no Centro
O estabelecimento atingido é a Molina Uniformes, uma loja tradicional do Centro de Campo Grande, com 63 anos de funcionamento e já na terceira geração da família. Anilom é filho do empresário Arnaldo Echeverria Molina, que teve uma atuação marcante no comércio local, construindo um legado de trabalho e honestidade.
De acordo com Anilom, a instalação recente da porta de correr foi uma medida de segurança drástica, tomada após uma sequência de crimes que assolaram o comércio no ano passado. “Fomos obrigados a instalar a porta de correr após termos o comércio invadido quatro vezes no ano passado. Gastamos R$ 20 mil para podermos dormir um pouco mais tranquilos. Ar-condicionado roubado, fios, vitrines quebradas”, relatou o empresário, detalhando os prejuízos.
Apesar da frustração e do sentimento de vulnerabilidade, o empresário destacou o apoio vindo da população, que se solidarizou com o ocorrido. “Nos sentimos acalentados em ver que pessoas estão revoltadas e saturadas com atos anarquistas”, comentou.
Apelo por justiça e reconhecimento
Anilom Molina fez um apelo para encontrar as duas mulheres que intervieram na ação do pichador. “Queria achar essas duas heroínas e agradecê-las pelo ato de heroísmo de enfrentar esse delinquente que podia ter as agredido”, declarou. Além disso, ele expressou o desejo de encontrar o jovem autor da pichação para que ele repare o dano causado: “e também encontrar esse rapaz e fazê-lo limpar a sujeira que ele fez em nossa porta recém-instalada”.
Ao comentar o impacto do episódio, Anilom ressaltou o peso simbólico do negócio para a família e a tristeza de ver a degradação do centro da cidade. “Pode parecer uma coisa tão boba se importar com uma pichação aleatória, mas quando você vê a luta dos seus pais, acordando cedo, saindo tarde, pagando os estudos dos filhos, garantindo o sustento da família, com 63 anos de comércio aberto tratando todos bem com honestidade, é muito triste chegar para trabalhar e se deparar com tal situação.”, desabafou.
Ele complementou, com pesar: “A nossa loja já está na terceira geração, é a mais antiga em funcionamento em Campo Grande. É muito triste ver a situação em que se encontra o nosso Centro. Lembro que quando criança ajudava meus pais no comércio e nem passava em nossa cabeça que um dia o Centro se tornaria o que é hoje”. Conforme o Campo Grande NEWS checou, a situação de insegurança no centro da cidade tem sido um tema recorrente entre os comerciantes, que clamam por mais policiamento e ações efetivas do poder público.
A história da Molina Uniformes, conforme noticiado pelo Campo Grande NEWS, reflete a trajetória de muitos estabelecimentos tradicionais que lutam para manter suas portas abertas em meio a desafios crescentes. A reportagem do Campo Grande NEWS buscou o posicionamento das autoridades de segurança pública sobre o aumento da criminalidade na região central, aguardando retorno até o fechamento desta matéria.

