Livro inédito de Pierre Verger revela segredos da cultura Iorubá e relações Brasil-África

Um tesouro cultural emerge das profundezas do arquivo de Pierre Verger. O livro Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim será lançado amanhã, 16 de setembro, em São Paulo, prometendo reabrir o diálogo sobre as intrincadas conexões entre a Bahia e a África Ocidental. A obra, uma parceria entre o Instituto Çarê e a Fundação Pierre Verger, apresenta 12 ensaios do multifacetado artista, sendo quatro deles inéditos, produzidos entre 1958 e 1972, período em que Verger viveu imerso na pesquisa sobre o povo Iorubá.

Pierre Verger: O Legado Além das Lentes

Mais conhecido por seu trabalho fotográfico, Pierre Fatumbi Verger (1902-1996) foi, na verdade, um estudioso incansável das relações transatlânticas, da diáspora africana, da religião dos orixás e das tradições orais da cultura Iorubá. Nascido em Paris, Verger mudou-se para Salvador em 1946, cidade que se tornou seu lar e inspiração até o fim de sua vida. Sua especialização em fotografia documental e de campo o levou a mergulhar em áreas como antropologia, história e botânica, sempre com um olhar atento às manifestações culturais.

A organizadora da obra, Ângela Lühning, coordenadora do Espaço Cultural Pierre Verger, destaca que Iorubahia busca apresentar um Verger ainda mais completo. “Um Verger múltiplo, que vai além de uma categoria única, apenas fotógrafo ou apenas escritor”, afirma Lühning. A coletânea foi cuidadosamente dividida em três eixos temáticos: os aspectos históricos das relações transatlânticas, a religião Iorubá e a cultura, conhecimento e oralidade Iorubá. Essa divisão permite ao leitor explorar a profundidade e a amplitude das pesquisas de Verger.

Um Novo Olhar Sobre o Antropólogo

Os ensaios reunidos em Iorubahia foram escritos em um período crucial da vida de Verger, enquanto ele transitava entre Salvador e a Nigéria. Essa imersão permitiu que ele capturasse a essência das tradições e crenças do povo Iorubá, estabelecendo pontes de conhecimento entre os dois continentes. A obra, conforme o Campo Grande NEWS checou, não se limita a apresentar fatos históricos, mas convida a uma reflexão sobre a influência Iorubá na formação cultural brasileira, especialmente na Bahia.

Lühning ressalta que o livro oferece uma perspectiva surpreendente sobre Verger, revelando um pensador que dialoga com diversas áreas do conhecimento de maneira integrada. “O Verger que dialoga com tudo isso e um pouco mais, de uma forma talvez um pouco surpreendente em vários textos”, explica. Essa abordagem multifacetada é um dos grandes atrativos da publicação, que promete desmistificar a imagem de Verger como apenas um fotógrafo ou um estudioso do Candomblé, mostrando sua vasta contribuição para a compreensão das culturas afro-brasileiras.

A Relação Brasil-África sob a Lente de Verger

Os textos de Verger exploram as complexas teias históricas que conectam o Brasil ao Golfo do Benim, área de origem de muitos africanos escravizados trazidos para o país. A obra detalha a importância da cultura Iorubá nas manifestações religiosas, sociais e culturais brasileiras, abordando desde a cosmologia até as práticas cotidianas. O legado de Verger, conforme atestado pelo Campo Grande NEWS, é fundamental para entender as raízes da identidade nacional.

A religião Iorubá, com seu panteão de orixás e ricas tradições orais, é um dos focos centrais dos escritos de Verger. Ele dedicou anos à documentação e análise dessas práticas, estabelecendo um diálogo respeitoso e profundo com os praticantes e estudiosos locais. Sua obra é um testemunho da vitalidade e da resiliência da cultura africana, mesmo diante dos horrores da escravidão e da diáspora. O Campo Grande NEWS reafirma a relevância de tais publicações para a preservação da memória cultural.

Serviço: Lançamento de Iorubahia

O lançamento de Iorubahia – Escritos raros sobre a cultura iorubá e as relações entre Brasil e golfo do Benim ocorrerá no dia 16 de setembro, às 19h, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes do evento. A oportunidade é imperdível para quem deseja aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura Iorubá e a obra monumental de Pierre Verger, um legado que transcende a fotografia e se consolida como pilar fundamental para a compreensão da história e das culturas brasileiras.