Ligação que salvou vida: Mãe em MS vira doadora de medula e muda destino de paciente

Uma ligação telefônica inesperada transformou a rotina de Renata Rodrigues, moradora de Ribas do Rio Pardo, em Mato Grosso do Sul. Aos 18 anos, ela se cadastrou como doadora voluntária de medula óssea, um gesto que parecia distante de sua realidade anos depois. Contudo, o destino reservava uma surpresa: a confirmação de compatibilidade com um paciente brasileiro, que aguardava ansiosamente por um transplante. A partir daí, Renata dedicou parte de sua vida a um procedimento em São Paulo, que durou nove dias, e que representa a esperança de vida para alguém que ela nunca conheceu. O caso destaca a importância do cadastro de doadores e a solidariedade que atravessa distâncias, conforme apurado pelo Campo Grande NEWS.

A história de Renata é um exemplo de como um ato de solidariedade na juventude pode ter desdobramentos imprevistos e profundamente significativos. Ela, que se tornou doadora de medula óssea aos 18 anos, viu sua vida seguir caminhos de trabalho e maternidade. A convocação do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome) reacendeu a chama da esperança, não apenas para ela, mas para um paciente que dependia desse encontro genético. O procedimento, realizado em São Paulo, demonstra o alcance e a importância desse gesto altruísta.

Mato Grosso do Sul tem se destacado no cenário nacional de doações. Em 2024, o estado registrou sete doações de medula óssea, um número que, embora pequeno, representa vidas salvas. Atualmente, o estado conta com mais de 197 mil cadastros de doadores voluntários, um contingente que aumenta a cada dia as chances de compatibilidade para pacientes em todo o país. Para se tornar um doador, os requisitos são claros e acessíveis, incentivando mais pessoas a participarem desse ato de amor ao próximo.

Um gesto que começou cedo e mudou vidas

Renata Rodrigues, residente em Ribas do Rio Pardo, a 97 quilômetros de Campo Grande, teve seu primeiro contato com a doação de medula óssea ainda na adolescência. Aos 18 anos, durante uma campanha em seu município, ela realizou o cadastro. A vida, no entanto, seguiu seu curso, com filhos e responsabilidades que a fizeram, por um tempo, esquecer daquele gesto juvenil. O cadastro no Redome permaneceu como uma memória de um ato solidário, até que o inesperado aconteceu.

O chamado veio do Redome, informando sobre uma possível compatibilidade com um paciente brasileiro. A convocação inicial pedia que Renata se dirigisse a Campo Grande para a realização de exames. Esse foi o primeiro passo de uma jornada que exigiria paciência e determinação. A confirmação da compatibilidade, que poderia levar até 180 dias, foi acompanhada por uma longa e ansiosa espera.

Faltando poucos dias para o fim do prazo, a notícia tão esperada chegou: havia compatibilidade. A pergunta que se seguiu foi direta, questionando seu desejo de prosseguir com a doação. Sem hesitar, Renata respondeu afirmativamente, movida pela certeza de que seu gesto poderia ser a diferença entre a vida e a morte para alguém.

Entre o medo e a decisão de ajudar

A decisão de Renata foi tomada em um momento em que ela já era mãe de Liz, de 7 anos, e Leonardo, com apenas 1 ano e 7 meses. A preocupação com a logística e o tempo longe dos filhos pequenos surgiu, mas o desejo de ajudar prevaleceu. “Eu pensei, como vai funcionar, tenho duas crianças pequenas”, compartilhou Renata. Mesmo com as incertezas, ela não recuou.

Encaminhada para São Paulo, Renata passou por novos exames e recebeu orientações detalhadas sobre o procedimento. Ela descobriu que a doação poderia ocorrer de duas formas: por punção na região da bacia ou por aférese, método que foi indicado para o seu caso. Na aférese, o doador utiliza uma medicação para aumentar a produção de células-tronco no sangue, que são então coletadas por uma máquina especializada. O restante do sangue é devolvido ao organismo.

Todo o processo em São Paulo foi custeado pelo Redome, vinculado ao Instituto Nacional de Câncer (INCA) e ao Ministério da Saúde. Renata passou cerca de seis horas conectada ao equipamento, sentindo-se segura e bem informada durante todo o procedimento. “Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”, relatou.

O momento mais difícil e a emoção da confirmação

A estadia em São Paulo durou nove dias. O mais desafiador, segundo Renata, não foi o procedimento em si, mas a distância da família. “Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. O apego é muito forte”, confessou. Apesar da saudade, ela mantinha em mente a importância de sua contribuição. “Eu sabia que era por uma causa muito valiosa”, afirmou.

Havia a possibilidade de uma segunda coleta caso a quantidade de células não fosse suficiente. No entanto, a notícia de que a primeira doação atendeu à necessidade do paciente trouxe uma onda de emoção. “Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande”, descreveu Renata. O transplante foi realizado em 28 de outubro de 2025.

Conforme as regras do programa, doadores não recebem informações detalhadas sobre os receptores. Renata sabe apenas que o paciente é brasileiro. Mesmo sem conhecer o rosto ou a história, ela expressa seus votos de saúde e bem-estar: “Eu espero que esteja bem, que tenha saúde. Que isso tenha sido um recomeço”. Ao final do processo, recebeu uma camiseta simbólica, que para ela representa uma lembrança permanente de uma “experiência única” guardada com carinho.

Uma história para inspirar outras pessoas

De volta à sua rotina em Ribas do Rio Pardo, Renata decidiu compartilhar sua experiência para incentivar outras pessoas a se tornarem doadoras. “Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”, apela. O Campo Grande NEWS reforça a importância desses gestos que salvam vidas.

Como se tornar doador de medula óssea:

Para se cadastrar como doador voluntário de medula óssea, é necessário ter entre 18 e 35 anos e 9 meses, não possuir doenças infecciosas, incapacitantes, hematológicas, neoplásicas ou do sistema imunológico. O cadastro pode ser iniciado durante a doação de sangue nas unidades do Hemosul. Conforme o Campo Grande NEWS checou, todo o processo, quando há compatibilidade, é custeado pelo INCA e pelo Ministério da Saúde. Em Mato Grosso do Sul, sete pessoas efetivaram a doação de medula óssea em 2024, e mais de 100 doadores sul-mato-grossenses já foram compatíveis com pacientes no Brasil e no exterior. Atualmente, o estado soma 197.502 cadastros de doadores voluntários. Cada novo cadastro é uma possibilidade concreta de salvar uma vida, por isso, é fundamental manter telefone e endereço sempre atualizados no sistema, segundo informações divulgadas pelo Hemosul e noticiadas pelo Campo Grande NEWS.