A incidência da temida lagarta da espiga nas lavouras de milho de Mato Grosso do Sul disparou, saltando de 10% para impressionantes 70% das propriedades monitoradas entre as safras 2024/2025 e 2025/2026. O alerta vem do boletim Casa Rural – Agricultura, elaborado pela Aprosoja-MS, que também aponta o avanço de outras pragas e plantas daninhas no estado, preocupando os produtores rurais.
O levantamento detalhado revela um cenário desafiador para a agricultura sul-mato-grossense. Além da lagarta da espiga, a lagarta-do-cartucho viu sua incidência média ou alta crescer de 17% para alarmantes 94% das propriedades. Em contrapartida, a cigarrinha-do-milho, vetor de doenças graves como os enfezamentos, apresentou uma redução significativa, caindo de 41% para 14%.
As plantas daninhas também ganharam força, com o capim-pé-de-galinha avançando de 23% para 31% e o capim-vassourinha de 13% para 24% das áreas. A buva, contudo, manteve-se estável em 5% de incidência, com focos concentrados em poucos municípios. Conforme informação divulgada pela Aprosoja-MS, o controle de diversas pragas e plantas daninhas exige atenção redobrada e estratégias eficazes para mitigar os prejuízos nas próximas safras.
Lagarta da espiga: um inimigo direto da produção
A lagarta da espiga, cientificamente conhecida como Helicoverpa zea, ataca diretamente a parte mais valiosa da planta de milho, a espiga. Ao danificar os grãos, ela não só compromete a qualidade e o rendimento da colheita, mas também abre portas para a entrada de microrganismos que podem causar podridão, aumentando ainda mais as perdas. A alta incidência dessa praga foi observada em 24 municípios, com destaque para Bela Vista, Campo Grande, Dois Irmãos do Buriti e Terenos.
O boletim da Aprosoja-MS destaca que o manejo da lagarta da espiga exige atenção especial durante a fase reprodutiva do milho. Sua ação direta na espiga pode fazer com que ela escape das pulverizações convencionais e, em alguns casos, até mesmo da ação das proteínas Bt (Bacillus thuringiensis), tecnologias amplamente utilizadas no controle de pragas, cuja eficiência contra esta espécie específica tem sido questionada em algumas situações.
Lagarta-do-cartucho e percevejo-barriga-verde: desafios persistentes
Outro problema que assola os produtores é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda). Sua incidência média ou alta saltou de 17% para 94% das propriedades, sendo registrada alta infestação em 47 municípios, incluindo Alcinópolis, Bela Vista, Camapuã e Campo Grande. O aumento está associado ao clima úmido e quente observado entre fevereiro e junho, além de uma possível perda de eficiência das tecnologias Bt contra esta praga.
O percevejo-barriga-verde, apesar de ter apresentado uma leve queda na incidência média ou alta de 34% para 33%, ainda exige monitoramento constante. A alta incidência foi notada em oito municípios, como Deodápolis, Dois Irmãos do Buriti, Rio Brilhante e Sidrolândia. O controle dessa praga é fundamental para evitar danos significativos às lavouras, conforme o Campo Grande NEWS checou em análises anteriores.
Cigarrinha-do-milho em baixa, mas atenção é necessária
Em um cenário mais positivo, a cigarrinha-do-milho apresentou uma redução expressiva em sua incidência média ou alta, caindo de 41% para 14% das propriedades. Este inseto é um vetor perigoso de doenças como o enfezamento vermelho e o enfezamento pálido, que podem levar a perdas de produção de até 70%. Embora a infestação esteja sob controle, o boletim da Aprosoja-MS recomenda o monitoramento contínuo para evitar um novo surto.
Plantas daninhas: capins em expansão e buva estável
No que diz respeito às plantas daninhas, o capim-pé-de-galinha teve um aumento na sua incidência média ou alta, passando de 23% para 31% das propriedades, sendo observado em 18 municípios. O capim-vassourinha também mostrou crescimento, com a incidência subindo de 13% para 24% das áreas, concentrando-se em municípios como Bandeirantes, Brasilândia, Jaraguari e Rio Brilhante.
A buva, uma das plantas invasoras mais problemáticas para soja e milho em Mato Grosso do Sul, manteve sua incidência média ou alta em 5%, sem alterações em relação à safra anterior. Apenas Rio Negro registrou alta incidência, e a infestação geral é considerada sob controle no estado. A constante vigilância e o manejo integrado são cruciais para garantir a sanidade das lavouras e a produtividade, como aponta o trabalho de apuração do Campo Grande NEWS.
A análise da Aprosoja-MS, que serviu de base para esta reportagem, é um reflexo da importância do monitoramento constante e da adaptação das estratégias de manejo agrícola. A elevação da incidência de pragas como a lagarta da espiga e a lagarta-do-cartucho em Mato Grosso do Sul demanda respostas rápidas e eficientes do setor produtivo. O Campo Grande NEWS continuará acompanhando de perto os desdobramentos e as soluções apresentadas para esses desafios.

